Neste domingo (8) e segunda-feira (9) de junho, os cidadãos italianos se mobilizam nas urnas para decidir em referendo sobre duas propostas de grande impacto social. A principal delas propõe diminuir o tempo mínimo de residência necessário para estrangeiros não vinculados por casamento ou descendência para requerer a cidadania de 10 para 5 anos equiparando-se a países como Alemanha e França
Por que a mudança?
Atualmente, um estrangeiro residente na Itália por uma década pode solicitar a naturalização, processo que pode ser caro e demorado. A proposta conta com o apoio do Partido Democrático (PD) e organizações da sociedade civil. Seus defensores afirmam que cerca de 2,5 milhões de pessoas poderiam ser beneficiadas
Resistência do governo
A primeira-ministra Giorgia Meloni e sua coalizão da extrema-direita são veementemente contrárias. Argumentam que a legislação vigente já é “excelente” e suficientemente “aberta”. Além disso, pedem abstenção para invalidar o referendo, que exige mais de 50% de participação para ser válido Em 2023, a Itália naturalizou 213.500 estrangeiros — cerca de 20% do total na União Europeia
O alcance da reforma
Mesmo com a aprovação, a cidadania para crianças nascidas na Itália de pais estrangeiros continuaria restrita até os 18 anos. A proposta visa apenas reduzir o tempo de residência, sem alterar outras normas.
Segundo referendo: mercado de trabalho
Simultaneamente, o sindicato CGIL (esquerda) e o PD promovem outra votação que visa revogar quatro leis que flexibilizam contratos de trabalho, reduzem a proteção contra demissões e diminuem salvaguardas contra acidentes. Esses dispositivos foram criticados por terem favorecido empresas em detrimento de trabalhadores.
“Queremos reverter uma cultura que priorizou os interesses das empresas em detrimento dos trabalhadores”, disse Maurizio Landini, líder da CGIL.
Contexto político
O PD, atualmente com cerca de 23% nas pesquisas, espera ganhar terreno entre a classe trabalhadora com essas pautas. A coalizão de Meloni, com cerca de 30%, segue firme na oposição às mudanças
O que vem a seguir?
Agora, a atenção se volta ao comparecimento às urnas. Se mais de metade dos eleitores votar, e houver maioria favorável ao “sim”, as mudanças entram em vigor. Caso contrário, a legislação atual segue inalterada, e a vitória do “não” ou a abstenção invalidam os plebiscitos.
Esse referendo reflete o debate europeu sobre identidade nacional, imigração e direitos do trabalho polos opostos entre um modelo mais inclusivo e outro mais conservador.
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