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Sabado, 09 de Maio de 2026

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Juros em investimentos e empréstimos acentuam desigualdade, diz professora

Ao Agora CNN, Carla Beni analisa dados da PNAD e explica como taxas de juros ampliam o abismo entre ricos e pobres no país

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Juros em investimentos e empréstimos acentuam desigualdade, diz professora
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A renda média do brasileiro bateu recorde, mas a desigualdade no país continua crescendo. É o que mostram os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgados pelo IBGE. Para Carla Beni, professora de economia da FGV, a estrutura de juros vigente no Brasil é um dos principais fatores que aprofundam esse abismo social.

Em entrevista ao Agora CNN deste sábado (9), Beni explicou que o dado de renda média de R$ 3.367 contempla a soma de todas as fontes de rendimento: trabalho, aposentadoria, benefícios sociais, aluguéis, pensões e rendimentos de aplicações financeiras.

“Houve aumento de renda independente se era mais rico ou mais pobre, mas a diferença de um para o outro é muito grande”, afirmou. Segundo a professora, esses dados indicam que a sociedade brasileira pode ser dividida em dois grupos: quem gasta mais do que ganha e quem gasta menos do que ganha.

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Ela explica que esse segundo grupo com sobra de renda costuma aplicar essa sobra no mercado financeiro. Com uma taxa Selic a dois dígitos há quatro anos, essa pessoa obtém rendimentos expressivos, amplificados ainda pelo mecanismo dos juros compostos.

“Isso acentua a desigualdade. Se você precisar de um empréstimo, você paga muito mais caro do que deveria. E quem tem uma aplicação financeira, recebe mais até do que deveria, porque tem o benefício da taxa e mais o juro composto”, completa a professora.

Outros fatores

Beni cita que outro fator determinante para a desigualdade é o nível de instrução. De acordo com dados apresentados pela professora da FGV, um trabalhador com ensino superior completo recebe, em média, R$ 6.947, enquanto um trabalhador sem instrução recebe R$ 1.518.

Além disso, a professora apontou que a inflação sobre bens essenciais, como alimentos, impacta de forma desproporcionalmente maior o orçamento das famílias mais pobres. O endividamento com jogos e apostas também foi citado como um problema crescente: “As pessoas estão, literalmente, comprando menos comida por causa do endividamento com jogos”, alertou.

Sobre os benefícios sociais, Beni ressaltou que mais de 60% dos postos de trabalho gerados no ano passado foram ocupados por beneficiários do Bolsa Família, o que demonstra que receber o benefício não impede o trabalhador de estar no mercado formal.

Em relação ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), a professora apontou um crescimento acima do esperado, atribuído tanto à inclusão de novas condições de saúde elegíveis ao benefício quanto a um volume expressivo de ações judiciais que garantiram o acesso ao BPC para um número crescente de pessoas.

Ao ser questionada sobre as diferenças de renda entre as regiões do país, Beni esclareceu que o desempenho destacado do Centro-Oeste se deve, essencialmente, ao Distrito Federal.

“Se você separar, o Distrito Federal vem em primeiro lugar com uma renda de mais de 4 mil reais, depois vem São Paulo e depois o Rio Grande do Sul”, explicou. Segundo ela, esse descolamento se deve principalmente aos servidores públicos, a novos concursos e a novas contratações realizadas na região.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
FONTE/CRÉDITOS: afonsobenites
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