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Philipp Lahm, conhecido ex-lateral e capitão da seleção alemã, expressou a opinião de que o Manchester City deve ser avaliado também pelo impacto que tem fora das quatro linhas. Em uma coluna publicada no “The Guardian” nesta quarta-feira (21), ele fez elogios ao futebol apresentado na era de Pep Guardiola, mas teceu críticas sobre o afastamento que considera do clube em relação às raízes do esporte.
Para Lahm, a discussão em torno das infringências às regras financeiras da Premier League vai além de possíveis sanções esportivas; trata-se da relação entre grandes clubes, seus torcedores e a sociedade em geral.
O ex-jogador separa a qualidade esportiva da conduta administrativa. Segundo ele, as conquistas em campo não devem servir como justificativa para eventuais infrações. Lahm também é um defensor do modelo de gestão alemão e da participação dos torcedores nas decisões dos clubes.
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Lahm elogia Guardiola, mas critica a estrutura do Manchester City
Ao relembrar a trajetória mais recente do clube, Lahm argumenta que o City não se tornou forte apenas por meio da contratação de grandes estrelas. Ele menciona jogadores que, ao chegarem a Manchester, encontraram as condições ideais para evoluir, como Kevin De Bruyne, Rodri e Ilkay Gündogan.
Na visão de Lahm, essa abordagem foi crucial para diferenciar o City de outras equipes que focam exclusivamente na contratação de jogadores de renome. O alemão também ressalta a influência de Guardiola, cujo estilo de jogo é tão característico que poderia ser reconhecido mesmo sem ver os uniformes ou acompanhar a transmissão colorida.
O CEO do Manchester City, Ferran Soriano, acompanha jogo contra o Ipswich. Foto: IMAGO / APL
No entanto, essa análise positiva não impede que o ex-jogador questione a estrutura que fundamenta o sucesso do clube. O Manchester City foi considerado culpado por uma comissão independente em 114 das 115 acusações relacionadas a violações das regras financeiras da Premier League, no período entre 2009 e 2018. O clube apresentou recurso contra a decisão e continua a negar qualquer irregularidade. O desfecho do recurso determinará os próximos passos do processo.
“De fora, parece que o City não fez muito diferente dos outros cerca de 10 grandes clubes europeus. Mas de que adianta ganhar se essas conquistas forem acompanhadas por violações das regras?”, enfatizou.
Segundo Lahm, o City teria investido quase 1 bilhão de euros a mais do que o permitido e declarado, e argumenta que as conquistas perdem legitimidade quando associadas a tais transgressões. Ele considera essencial que a Premier League combata a concorrência desleal, independentemente do tamanho ou relevância dos clubes envolvidos.
Regra 50+1 como solução para estreitar laços entre clubes e torcedores
Esse modelo não impede investimentos ou elimina os interesses comerciais do futebol. A proposta é estabelecer um limite para o poder dos investidores e garantir que os clubes permaneçam conectados à comunidade que os apoia.
Entretanto, a aplicação dessa regra também está sujeita a discussões e ajustes: em agosto de 2026, o órgão federal alemão de defesa da concorrência reafirmou a viabilidade de manter o princípio, mas destacou a necessidade de uma aplicação mais consistente.
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Para Lahm, a participação dos torcedores é uma parte fundamental da cultura esportiva na Alemanha. O ex-capitão da seleção alemã acredita que essa conexão deve ser preservada para que os estádios continuem a ser pontos de convivência e discussão pública. Em sua perspectiva, a distância entre a elite do futebol e suas bases sociais compromete uma das características que tornam o esporte relevante além dos resultados.
Além disso, Lahm defende que as instituições encarregadas de fiscalizar o futebol devem atuar de maneira independente e comprometida com o interesse coletivo. Na coluna, ele sugere que entidades sem fins lucrativos, como a Uefa, seriam mais adequadas para exercer esse papel, em comparação a organizações que são guiadas prioritariamente por interesses comerciais.
A crítica também se estende à Fifa e ao seu presidente, Gianni Infantino. Lahm questiona iniciativas que, segundo sua interpretação, favorecem a privatização dos lucros do futebol e relativizam as regras em benefício de figuras proeminentes. Relacionando tais episódios ao caso do Manchester City, ele argumenta que a credibilidade do esporte depende da aplicação de normas, independentemente do status dos protagonistas.
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