Após dois anos de debates e polêmicas, parece estar próximo o veredito sobre as 115 acusações que pesam contra o Manchester City por violações às regras financeiras da Premier League.
Findada uma investigação prévia de quatro anos, o City foi formalmente acusado, e a audiência sobre o caso teve início em 16 de setembro de 2024. Segundo apurou a BBC, uma decisão já foi tomada, depois que o site “The Athletic” informou que o clube foi considerado culpado em quase todas as acusações.
O processo, porém, está longe de ter chegado ao fim. Mas o que isso significa para os títulos do City? E para a permanência do clube na Premier League? Haverá recurso? E quanto tempo ainda vai levar até esse imbróglio se encerrar de vez? Veja as respostas da rede britânica BBC abaixo:
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Entenda quais são as 115 acusações contra o City
Em fevereiro de 2023, o City foi formalmente acusado e encaminhado a uma comissão independente por supostas violações que teriam ocorrido entre 2009 e 2018.
As acusações, relacionadas às regras financeiras da Premier League, se dividem da seguinte forma: 54 casos de não fornecimento de informações financeiras precisas entre as temporadas 2009-10 e 2017-18; 14 casos de falha em detalhar corretamente pagamentos a jogadores e técnicos no mesmo período.
Some ainda 5 casos de descumprimento das regras de fair play financeiro (FFP) da Uefa, entre 2013-14 e 2017-18; 7 violações das regras de lucro e sustentabilidade (PSR) da Premier League, entre 2015-16 e 2017-18; e 35 casos de falta de cooperação com investigações da liga inglesa, entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2023.
O City sempre negou qualquer irregularidade, e a BBC Sport apurou que o clube pretende recorrer caso seja considerado culpado.
O que os documentos vazados pela Der Spiegel revelaram
Mas o que esse recurso significaria na prática? O jornal alemão “Der Spiegel” publicou documentos vazados, incluindo e mails supostamente trocados entre altos executivos do City (alguns ainda vinculados ao City Football Group), ao longo de diversas temporadas após a compra do clube por Abu Dhabi, em 2008.
Segundo as alegações, esses documentos mostrariam que o clube inflou a receita de patrocínio recebida da companhia aérea estatal Etihad e da operadora de telecomunicações estatal Etisalat, disfarçando investimentos diretos vindos do próprio fundo controlador do clube (o Abu Dhabi United Group, ou ADUG, ligado ao Xeique Mansour) como se fossem receitas de patrocínio, canalizando os recursos através das contas dessas empresas.
Essa manobra, segundo as acusações, seria uma forma de contornar as regras de fair play financeiro implementadas pela Uefa em 2011, e o PSR, adotado pela Premier League em 2012, que limitam os prejuízos permitidos aos clubes.
Vieram depois novas alegações de manipulação de dados financeiros, baseadas em documentos que indicariam pagamentos secretos, “por fora dos livros contábeis”, ao então técnico Roberto Mancini, disfarçados de honorários de consultoria pagos por um clube em Abu Dhabi.
Investigações da Uefa e da Premier League começaram em 2019
Também há alegações de que o clube teria pago a jogadores valores superiores aos que constavam oficialmente nos registros contábeis, fazendo com que os gastos declarados fossem menores do que os reais.
O City, que sempre defendeu que o ADUG é um fundo privado, e não um braço do governo de Abu Dhabi, recusou se a comentar as revelações da “Der Spiegel”, alegando que os e mails vazados foram obtidos ilegalmente, em uma “tentativa de manchar a reputação do clube”.
O clube, junto às empresas envolvidas, negou veementemente qualquer violação das regras financeiras. Isso, porém, não impediu que tanto a Uefa quanto a Premier League abrissem investigações formais sobre o caso.
Veja a linha do tempo completa do processo até aqui
- em novembro de 2018, surgem as primeiras alegações do Football Leaks, com a Der Spiegel publicando denúncias de que o City teria violado as regras de fair play financeiro
- em março de 2019, a Uefa abre investigação formal com base nessas descobertas.
- Em maio de 2019, o City critica a investigação e entra com recurso.
- Em novembro daquele ano, o Tribunal de Arbitragem Esportivo (Cas, na sigla em inglês) considera o recurso inadmissível.
- Em fevereiro de 2020, a Uefa anuncia banimento de duas temporadas das competições europeias para o City, além de multa de 30 milhões (cerca de R$ 190 milhões, na cotação atual).
- Em julho daquele mesmo ano, a punição é revertida após recurso ao CAS.
- Em julho de 2021, o City perde uma disputa jurídica que permite à imprensa noticiar que a Premier League segue investigando o atual campeão por supostas irregularidades financeiras.
- Em abril de 2022, a Der Spiegel publica nova reportagem detalhando que a liga inglesa investiga o clube havia três anos.
- Em fevereiro de 2023, a Premier League formaliza as 115 acusações.
- Em setembro de 2024, tem início a audiência entre a liga e o City, com duração prevista de 10 semanas.
- Em fevereiro de 2025, o técnico Pep Guardiola, que deixou o clube ao fim da última temporada, chega a dizer que o veredito sairia “em até um mês”.
- Agora, em setembro de 2026, surgem os primeiros relatos de que a decisão já foi tomada, com fontes confirmando ao “The Athletic” que o City foi considerado culpado na maioria das acusações.
Quais punições o City pode enfrentar agora
Nunca houve expectativa de que o veredito viria já acompanhado das sanções. Agora, o torcedor enfrenta um novo jogo de espera até que a decisão seja formalmente tornada pública pelo painel independente.
Ainda não se sabe quem integrou o painel responsável por ouvir e julgar o caso, informação que só deve ser revelada quando o parecer por escrito for divulgado.
Todas as opções seguem em aberto para a comissão disciplinar: dedução de pontos (imediata ou suspensa), penalidades financeiras (imediatas ou suspensas), ou até o rebaixamento compulsório da Premier League.
Um rebaixamento direto significaria a perda da vaga do City na elite do futebol inglês, com o clube caindo para uma divisão inferior ao fim da temporada. Esse mesmo efeito também poderia ser alcançado por meio de uma dedução de pontos severa o suficiente para configurar rebaixamento na prática.
Veja quais títulos do City podem estar em risco
O City venceu a Premier League três vezes durante o período investigado: a primeira conquista da era Premier League do clube, em 2011-12, além dos títulos de 2013-14 e 2017-18.
O clube também venceu a FA Cup em 2011, e a Copa da Liga inglesa (EFL Cup) por três vezes, em 2013-14, 2015-16 e 2017-18.
Desde a compra pelo ADUG, em 2008, o City acumulou oito títulos de liga e diversas taças, incluindo a Champions League, conquistada como parte da tríplice coroa (Treble) em 2023.
Caso a comissão decida repassar os títulos do City a outros clubes, veja quem poderia ser beneficiado:
- Premier League: o Manchester United herdaria os títulos de 2011-12 e 2017-18, enquanto o Liverpool ficaria com o de 2013-14.
- Copa da Inglaterra: o Stoke City seria o beneficiado pelo título de 2010-11
- Copa da Liga Inglesa: o Sunderland levaria o troféu de 2013-14, o Liverpool ficaria com o de 2015-16, e o Arsenal, com o de 2017-18.
O que dizem City e Premier League sobre o caso
A Premier League optou por não comentar o caso quando procurada na última sexta-feira (25). Já o City divulgou um comunicado que deixou transparecer frustração com o vazamento da informação sobre o veredito.
“O processo da Premier League segue em andamento, com elementos significativos ainda a serem concluídos, e sujeito a rigorosa confidencialidade”, diz o texto do clube.
“Sendo assim, a posição do Manchester City FC permanece consistente com o comunicado divulgado pelo clube em fevereiro de 2023. O clube respeitou diligentemente o devido processo legal por oito anos, na expectativa de que o conselho e a diretoria executiva da Premier League agissem como reguladores independentes, imparciais e justos, livres de qualquer influência partidária.”
Recurso do City é dado como certo pelos especialistas
Um recurso por parte do City é tido como praticamente certo. A equipe jurídica do clube é liderada por Lord Pannick KC, advogado que, segundo relatos, cobra 5 mil libras (cerca de R$ 32 mil) por hora de trabalho. Foi ele quem ajudou o City a reverter o banimento europeu de duas temporadas, em 2020.
Considerando que o caso já se arrasta há oito anos, e dois anos além do início da própria audiência, é impossível prever quando ele finalmente chegará ao fim.
Até agora, o processo havia sido hermético, sem vazamentos para a imprensa por parte de nenhuma das partes envolvidas. O que se tem agora é apenas mais um novo capítulo dessa saga.
Vale destacar que, embora o veredito da comissão possa ser diretamente contestado por recurso, não é possível ao City levar o caso ao CAS.
Clubes rivais podem pedir indenização ao City
Clubes da Premier League já buscaram orientação jurídica para avaliar se teriam base legal para pleitear compensação financeira em decorrência das violações do City.
Equipes que tiveram suas posições na tabela afetadas pelas infrações do City poderiam, em tese, alegar perda de chance de conquistar títulos ou classificações importantes. Esses casos, porém, precisariam ser analisados individualmente por uma comissão independente.
No início deste ano, o Everton foi condenado a pagar 35 milhões de libras (cerca de R$ 226 milhões) ao Burnley, pelo impacto de uma violação às regras financeiras da Premier League.
O caso, julgado por uma comissão da própria liga, refere se à temporada 2021-22, quando o Everton foi flagrado descumprindo as regras de PSR ao longo de um período de três anos.
O Burnley argumentou que a infração prejudicou suas chances de permanecer na Premier League, buscando indenização pelos prejuízos ligados ao próprio rebaixamento. O clube recebeu 26 milhões de libras (cerca de R$ 168 milhões) em danos, mais 9 milhões de libras (cerca de R$ 58 milhões) em juros.
Quanto o caso já custou às partes envolvidas
Esse processo específico levou seis anos para ser construído, então os honorários advocatícios de ambos os lados já eram estimados em dezenas de milhões de libras antes mesmo do início da audiência.
Qualquer que seja o lado “vencedor”, é esperado que haja pedido de ressarcimento de custos. Para efeito de comparação, a Premier League chegou a pedir que o Everton pagasse a totalidade dos custos legais, de 4,9 milhões de libras (cerca de R$ 32 milhões), referentes ao primeiro caso de dedução de seis pontos por violação do PSR.
Uma junta de recursos, porém, determinou que o Everton pagasse apenas 1,7 milhão de libras (cerca de R$ 11 milhões), cabendo à Premier League arcar com os 3,2 milhões de libras (cerca de R$ 20,7 milhões) restantes.
Qualquer custo assumido pela Premier League ao fim do caso do City precisaria ser dividido entre os 20 clubes que compõem a liga.
Casos do Nottingham Forest e Everton servem de comparação
Comparações têm sido feitas com os casos movidos pela Premier League contra Nottingham Forest e Everton, também por violações do PSR.
Durante a temporada 2023-24, ambos os clubes tiveram pontos descontados por registrarem prejuízos acima do permitido, no período de três anos entre as temporadas 2020-21 e 2022-23.
Esses casos, porém, envolviam apenas uma única acusação cada, eram mais simples de decifrar e contavam com volume de provas bem menor.
O Everton teve pontos descontados duas vezes: na primeira punição, perdeu seis pontos, reduzidos de dez após recurso; na segunda infração, recebeu penalidade de dois pontos. Já o Forest perdeu quatro pontos. Ainda assim, ambos os casos se referem exclusivamente a violações do PSR.
Por que os casos do City e do Chelsea são diferentes
O Chelsea enfrentou 74 acusações de violação de regras, mas de natureza bem diferente, focadas principalmente em transferências ocorridas entre as temporadas 2010-11 e 2015-16, incluindo as contratações de Eden Hazard, Samuel Eto’o e Willian.
A Premier League multou o Chelsea em 10 milhões de libras (cerca de R$ 65 milhões) e aplicou uma proibição de transferências em caráter suspensivo, depois que o clube admitiu ter feito pagamentos secretos no valor de 47 milhões de libras (cerca de R$ 304 milhões).
O ponto central é que o Chelsea chegou a um acordo com a Premier League em relação a questões regulatórias históricas que foram autodenunciadas pelo próprio clube, o que nunca ocorreu no caso do City, que sempre negou qualquer irregularidade.
Os Blues também foram multados pela Uefa e pela Federação Inglesa de Futebol (FA).
Manchester City é o clube que mais faturou com jogadores na Copa
Esse texto foi gerado por inteligência artificial com base no conteúdo produzido pela Itatiaia. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN Brasil.
(Publicado por Luccas Oliveira)
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