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Por que uma pessoa em um relacionamento sério (e monogâmico) continuaria a interagir com seus “contatinhos” anteriores? Pode ser apenas amizade… ou se tratar do “cushioning”: uma tendência dos namoros modernos que envolve manter por perto as suas “segundas opções”.
O termo é inspirado na palavra “cushion”, almofada, porque a atitude visa amortecer o sofrimento e garantir um novo amor para o caso da relação principal acabar. Para especialistas, essa escolha não indica um desejo de romper com o atual parceiro, mas pode ser lida como falta de compromisso e dependência emocional.
Aguarde na fila
Manter contato com pessoas chamadas de “backburners” (como as bocas de trás de um fogão, só usadas na indisponibilidade das dianteiras) não é um comportamento novo. Mas a prática foi tema de um estudo de comportamento humano em 2014, que indicou um aumento na busca de “planos B” por pessoas comprometidas graças às redes sociais.
O autor principal, Jayson Dibble, disse ao The Atlantic que a internet favorece a manutenção do contato com estas “reservas”, mas não necessariamente cria apego ou comprometimento com elas.
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O “cushioning” é tão interessante para especialistas em psicologia porque contradiz uma importante teoria preditiva da área: o modelo do investimento, criado por Caryl E. Rusbult, especula que pessoas ficam mais comprometidas com uma relação à medida que investem tempo, dinheiro e outros recursos nela. Assim, o término não significaria apenas a perda de um parceiro, mas também de tudo o que foi gasto e vivido com ele.
No estudo de 2014, que falou com 374 estudantes universitários, apontou mensagens de texto e Facebook como as principais maneiras de interagir com seus “planos B”. Apenas 13% faziam ligações telefônicas com estes contatos.
Os homens participantes tinham mais alternativas do que as mulheres, e este número aumentava de acordo com a qualidade identificada nestas pessoas.
A maior surpresa foi que, para os comprometidos, não foi verificada nenhuma associação entre o nível de investimento na relação principal e o volume de interações com o “contatinho”.
Também não houve diferenças relevantes entre o número de reservas mantidas por solteiros e comprometidos.
“Ficamos muito confusos por não encontrarmos uma ligação entre comprometimento e ‘backburners’. Se o modelo de investimento funciona, deveríamos ver uma conexão forte”, disse o pesquisador. “Talvez o modelo de investimento não funcione na internet.”
Para a assistente social Elisabeth LaMotte, que realiza o aconselhamento de famílias, o comportamento indica dois tipos de apego simultaneamente: “A pessoa está, ao mesmo tempo, ansiosamente apegando-se a um novo parceiro, enquanto evita o parceiro atual”, descreve. “É um exemplo interessante de como, em nosso estado mais reativo, podemos demonstrar apegos ansiosos e evitativos.”
Ela ainda afirma que, na raiz do cushioning, está um medo subconsciente de intimidade verdadeira: “A estratégia sabota o relacionamento atual e destrói a oportunidade de abordar o problema de forma direta e vulnerável.”