Aguarde, carregando...

Segunda-feira, 12 de Outubro 2026

Eleições 2026

AO VIVO
Apurado: 0%
Aguardando início da apuração oficial...

Saiba Mais
Esportes

Marlon Gomes compartilha ensinamento de ex-companheiro do Vasco sobre como se desenvolver no Shakhtar

Aos 20 anos, Marlon Gomes trocou o Vasco pelo Shakhtar Donetsk em janeiro de 2024, passando por uma transição que envolvia não só o futebol, mas também uma adaptação a um país em guerra, há quase dois anos em conflito com a Rússia.

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Marlon Gomes compartilha ensinamento de ex-companheiro do Vasco sobre como se desenvolver no Shakhtar
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
GOOGLE Não perca nossas próximas notícias

Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰

Marlon Gomes compartilha ensinamento de ex-companheiro do Vasco sobre como se desenvolver no Shakhtar

Em janeiro de 2024, Marlon Gomes deixou o Vasco para integrar o Shakhtar Donetsk. Essa transferência não envolvia apenas questões esportivas, uma vez que o volante, com apenas 20 anos, se mudava para um país que lidava com os impactos de uma guerra com a Rússia há quase dois anos. Essa mudança representava um grande salto na sua carreira, mas também uma transição de vida repleta de incertezas.

Quase três anos depois, Marlon já conheceu a rotina de um time que precisa realizar travessias terrestres para deixar a Ucrânia e também teve a chance de jogar na Champions League. Atualmente, ele considera esse período como crucial para seu crescimento pessoal e profissional.

Em uma entrevista exclusiva à Trivela, o jogador falou sobre sua evolução desde que saiu do Vasco, os detalhes de sua transferência, a conversa com Alex Teixeira antes de sua partida e o que significa viver e trabalhar em um país em conflito. Ele também compartilhou informações sobre o futebol ucraniano que são pouco conhecidas e como a Champions League acelerou sua capacidade de tomar decisões em campo.

Publicidade

Leia Também:

A segunda parte da entrevista será divulgada ainda nesta semana.

Trivela: Futebol europeu por quem entende

Trivela: Futebol europeu por quem entende

Leia →

A ansiedade e a excitação de se juntar ao Shakhtar em tempos de conflito

Quando Marlon recebeu a proposta do Shakhtar, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia já estava ativo, e o jogador precisou discutir com sua família sobre os riscos e as incertezas de uma mudança tão significativa.

“Assim que surgiu a oportunidade, conversei com minha família. Fiquei com receio na época: era minha primeira vez na Europa, como seria minha vida em meio à guerra, a adaptação, o clima frio…”, relembra Marlon à Trivela.

No entanto, essa decisão também significava um desafio esportivo que ele julgava grande demais para ser deixado de lado. Marlon atribui parte dessa coragem e disposição para encarar novos desafios à sua formação no Vasco, que o ajudou a desenvolver uma mentalidade essencial para sua chegada à Ucrânia.

Marlon Gomes em seu primeiro ano no Shakhtar DonetskMarlon Gomes em seu primeiro ano no Shakhtar Donetsk (Foto: IMAGO / Vitalii Kliuiev)

“Sempre fui de arriscar. No Vasco, mesmo sendo bem jovem e com a torcida fervorosa, eu arriscava, mesmo quando o clube não vivia um momento bom. Isso me ajudou a desenvolver mais maturidade e coragem para enfrentar desafios”.

Naturalmente, a família tinha suas preocupações. O cenário na Ucrânia era completamente incerto, e Marlon admite que não tinha certeza de como seria viver em tal ambiente. Contudo, após as discussões, decidiu seguir em frente.

“Minha família teve medo, e eu confesso que também senti esse medo, mas vim com esse receio mesmo. Era um desafio enorme para a minha carreira e, felizmente, as coisas estão dando certo”, assegura.

A adaptação, surpreendentemente, ocorreu de maneira mais rápida do que imaginava. Marlon passou cerca de um ano e meio em Kiev, cidade pela qual desenvolveu um carinho especial, até que o Shakhtar passou a estabelecer sua rotina em Lviv, no oeste do país, perto da fronteira com a Polônia.

A guerra ainda impõe desafios à rotina do clube, especialmente fora de campo. O espaço aéreo ucraniano permanece fechado, e os deslocamentos internacionais exigem uma viagem terrestre primeiro até fora do país. Para um time que participa de competições europeias, isso transforma cada jogo fora de casa em uma operação logística muito mais complexa.

“Não existe tráfego aéreo devido à guerra. Nossa saída da Ucrânia leva mais tempo porque precisamos ir de van, ônibus ou carro. Nisso enfrentamos algumas dificuldades, como todos os ucranianos e o país em geral”, detalha Marlon.

Apesar disso, dentro de campo, a vida tenta seguir normalmente. Há jogos em que sirenes de alerta podem interromper temporariamente as partidas, mas o volante afirma que já incorporou essa realidade à sua rotina.

Da herança de Fernandinho e Alex Teixeira à nova geração brasileira

Embora a guerra represente um desafio, Marlon Gomes encontrou no Shakhtar uma conexão com o Brasil. A relação do clube com jogadores brasileiros é antiga: ícones como Elano, Willian e Douglas Costa contribuíram para a construção de uma tradição que ainda influencia a política do clube no mercado.

Para Marlon, o êxito dos brasileiros que passaram por Donetsk criou um ciclo. O clube aprendeu a identificar e desenvolver talentos jovens do Brasil, enquanto os próprios jogadores passaram a ver o Shakhtar como uma oportunidade para o futebol europeu.

Alex Teixeira fez sucesso no Shakhtar e aconselhou MarlonAlex Teixeira fez sucesso no Shakhtar e aconselhou Marlon (Foto: IMAGO / Bildbyran)

“Estamos aqui hoje porque alguém lutou pelo clube, para que ele olhasse com mais atenção para os brasileiros”.

De acordo com o meio-campista, atualmente existe uma comunidade que torna a adaptação muito menos solitária, especialmente para jogadores jovens que estão conhecendo pela primeira vez um novo país, cultura e realidade.

A estrutura do Shakhtar também se adaptou a essa presença. Há profissionais que falam português e dois tradutores trabalhando no clube, além de funcionários que conseguem se comunicar em português ou em uma combinação de português e espanhol.

“Assim que cheguei, a recepção por parte de todos os profissionais do clube foi excepcional. É um clube que valoriza muito os jovens brasileiros, que se desempenham bem na Europa, e também é um clube que sabe revender muito bem”, explica.

Foi nesse ambiente que Marlon Gomes recebeu um apoio especialmente valioso antes mesmo de embarcar. A ligação que recebeu de Alex Teixeira teve um peso significativo, pois ambos já tinham uma relação desde os tempos no Vasco. Alex, que construiu uma parte importante de sua carreira no Shakhtar, conversou com Marlon durante o processo de transferência e o ajudou a entender melhor a experiência que estava por vir.

“Quando vim para cá, um brasileiro da antiga me ligou: o Alex Teixeira, com quem mantenho uma amizade boa desde a época do Vasco”.

Um Marlon Gomes renovado após quase três anos

Ao chegar ao Shakhtar, Marlon Gomes ainda estava em processo de formação como jogador profissional. Agora, prestes a completar três anos na Europa, ele compreende melhor não apenas as exigências dentro de campo, mas também tudo o que envolve viver longe do Brasil. “Acho que a maior diferença é a maturidade que adquiri ao longo do tempo, e sei que vou continuar a adquirir muito mais com o passar dos dias”, observa.

Além disso, para ele, a transformação não ocorreu somente no campo. Aprender a lidar com a rotina, a saudade da família e com uma cultura diferente também foram partes fundamentais do seu amadurecimento. A própria vivência no futebol ucraniano contribuiu para essa evolução.

Marlon Gomes pelo Shakhtar na Champions League de 2026/27Marlon Gomes pelo Shakhtar na Champions League de 2026/27 (Foto: IMAGO / ANP)

Marlon Gomes chegou de um campeonato brasileiro onde estava habituado a enfrentar adversários com diferentes estratégias, mas ao chegar à Ucrânia, encontrou um cenário em que as equipes frequentemente adotam defesas muito fechadas contra o Shakhtar. Como um dos principais times do país, o clube geralmente tem mais posse de bola e enfrenta adversários que buscam proteger sua área.

“Enfrentamos muitas formações com cinco defensores. Há muitos jogadores ucranianos altos e robustos, então o jogo é bastante físico e cheio de contato”.

Esse contexto exige um tipo diferente de preparação. Sendo o Shakhtar frequentemente visto como o time a ser batido, os jogos podem se tornar um exercício de paciência e circulação de bola contra equipes que se compactam na defesa.

Para Marlon, essa foi uma das primeiras diferenças notáveis em relação ao Brasil: “A maior diferença que percebi ao chegar foi essa: a velocidade do jogo, da bola, dos passes e o ritmo, além da imposição física e das formações defensivas. Tive que me adaptar e consegui me adaptar bem.”

Enquanto o Campeonato Ucraniano ajudou Marlon Gomes a entender uma nova realidade tática e física, a Champions League apresentou um desafio distinto. O volante começou a enfrentar equipes capazes de pressionar mais alto, acelerar a circulação da bola e punir imediatamente qualquer erro de leitura.

A maior diferença, segundo ele, está no tempo que se tem para tomar decisões. Em uma competição desse nível, o espaço que parece existir pode desaparecer antes mesmo que o jogador consiga aproveitá-lo. Essa experiência é valiosa para um meio-campista: Marlon precisa receber, observar e decidir em frações de segundo. Um passe que poderia funcionar no campeonato nacional pode ser interceptado por um adversário de alto nível.

“Na Champions League é uma lógica e um estilo diferente: um jogo muito rápido, onde você precisa pensar rapidamente. Às vezes há um espaço, mas é um ‘falso espaço’. O tempo para tomar decisões corretas é bastante limitado, especialmente contra grandes equipes.”

A experiência, embora desafiadora, não eliminou as dificuldades nem banalizou a guerra em sua vida. Contudo, proporcionou uma habilidade de adaptação que ele mesmo reconhece como uma das maiores lições desse período.

Ao completar 22 anos, Marlon Gomes está longe de considerar esse processo concluído. Quase três anos depois de chegar à Europa, o jovem que inicialmente temia como seria viver em meio ao conflito encontrou na Ucrânia um ambiente significativo para descobrir que tipo de jogador e profissional poderia se tornar.

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.
Estadão Rondônia

Publicado por:

Estadão Rondônia

Saiba Mais

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR