Bruno Gondim Sadeck, com 23 anos de experiência, combina sua carreira à fiscalização de maus-tratos na Sema e enfatiza que o cuidado com os animais é também um cuidado com as pessoas.
Para algumas pessoas, a escolha de uma profissão é um ponto de partida. Para outras, essa decisão é moldada desde a infância, como um sonho que se estende até a vida adulta. O médico-veterinário Bruno Gondim Sadeck sempre viu a medicina veterinária como uma verdadeira vocação. Há 23 anos, o que começou como um sonho infantil tornou-se não só uma carreira, mas uma maneira de contribuir para o bem-estar e proteção tanto dos animais quanto da sociedade.
“A medicina veterinária a gente fala que não é a gente que escolhe, ela que escolhe a gente. Eu acho que a medicina veterinária é um sonho de muitas crianças, só que poucas persistem e poucas escutam o chamado dessa vocação. Sempre foi um sonho de criança e tive a grande alegria e felicidade de realizá-lo. Viver da medicina veterinária, para mim, é uma grande alegria”, relata Bruno.
Bruno atua na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) desde 2018, onde se deparou com uma faceta diferente da imagem tradicional da profissão. Entre suas responsabilidades, ele fiscaliza denúncias de maus-tratos a animais, um trabalho que demanda conhecimento técnico e sensibilidade diante de circunstâncias delicadas.
A rotina é iniciada a partir das denúncias que chegam à secretaria. A equipe se desloca para o local indicado, investiga a situação, analisa as condições e determina se o caso corresponde à denúncia. Quando a confirmação de maus-tratos acontece, são tomadas as providências necessárias para assegurar a proteção dos animais.
“A gente recebe as denúncias de maus-tratos e vai a campo para avaliar, ver se aquela situação condiz com a denúncia ou não. E infelizmente muitas vezes se confirma, e aí a gente precisa atuar pelo bem desses animais e para proteger a sociedade como um todo também”.
Uma profissão, muitas possibilidades
A atuação de Bruno exemplifica a vastidão da medicina veterinária. Além do serviço prestado na Sema, ele também trabalha em consultório e oferece atendimento clínico, além de lecionar em uma instituição de ensino em Porto Velho.
Essa variedade é uma das características da profissão que, segundo ele, ainda é desconhecida por parte da população. O médico-veterinário pode atuar em áreas que vão muito além do cuidado de cães e gatos, incluindo laboratórios, pesquisas, produção de alimentos e fiscalização sanitária.
“A medicina veterinária é isso, é uma área de ampla atuação. Muitas vezes a gente nem sabe que o médico-veterinário atua ali, como na parte de alimentos, por exemplo, em que os produtos de origem animal passam pela fiscalização de um médico-veterinário. Tem a parte de laboratório, de pesquisa, então é uma área muito ampla que atende vários gostos”, salienta Bruno.
Cuidar dos animais também é cuidar das pessoas
Embora a interação direta com os animais seja uma das marcas registradas da profissão, o papel do médico-veterinário tem um impacto que se estende a toda a sociedade. A saúde dos animais está intimamente ligada à saúde humana e à preservação do meio ambiente, fazendo com que esses profissionais desempenhem um papel crucial também na saúde pública.
Para Bruno, esse é um aspecto que ainda precisa ser melhor assimilado pela sociedade: é fundamental reconhecer o médico-veterinário como um profissional da área da saúde.
“A medicina veterinária é uma área muito ampla de atuação, mas é uma área muito gratificante. Ao mesmo tempo, a sociedade precisa enxergar o médico-veterinário como, de fato, um profissional da área da saúde, que é uma deficiência muito grande”.
Ele afirma que essa percepção é essencial para entender a relevância da profissão.
“A sociedade olha para o médico-veterinário e muitas vezes não reconhece ele como um profissional da saúde, sendo que ele é um profissional essencial para a saúde humana. Então, muito mais que cuidar de animais, nós cuidamos de pessoas também”.
O prefeito Léo Moraes ressaltou a importância dos profissionais dedicados à proteção animal e enfatizou que esse trabalho também favorece a saúde e o bem-estar da população.
“Valorizar o trabalho dos médicos-veterinários é reconhecer a importância desses profissionais para a saúde pública, para a proteção dos animais e para toda a sociedade. São pessoas que dedicam conhecimento, responsabilidade e cuidado a uma missão que beneficia tanto os animais quanto as famílias”.
Uma vocação que permanece
<pApós 23 anos de carreira e oito anos de atuação na Sema, Bruno ainda descobre novas maneiras de exercer aquilo que percebeu na infância. Seja na fiscalização, no atendimento clínico ou na sala de aula, a medicina veterinária permanece como uma escolha que, para ele, começou muito antes de sua formação.
No Dia do Médico-Veterinário, comemorado em 9 de setembro, narrativas como a de Bruno evidenciam que a profissão vai além do simples cuidado com os animais. Ela abrange proteção, saúde, responsabilidade e, acima de tudo, uma vocação que pode acompanhar uma pessoa por toda a vida.
Entre denúncias, atendimentos, aulas e os desafios diários, o propósito que teve início na infância se mantém: cuidar dos animais e, por meio desse cuidado, colaborar para uma sociedade mais saudável e consciente.
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