Estadão Rondônia - Sua fonte de notícias na cidade de ...

Quarta-feira, 30 de Setembro de 2026

Geral

Messi vai se aposentar da Argentina. Cristiano Ronaldo não deveria fazer o mesmo com Portugal?

Há uma diferença entre as despedidas internacionais de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Os dois atravessaram duas décadas de futebol, disputaram seis Copas do Mundo, quebraram praticamente todos os recordes possíveis e se tornaram símbolos maiores do que suas próprias seleções. Mas chegam a setembro de 2026 com histórias muito diferentes para encerrar. Messi decidiu …

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Messi vai se aposentar da Argentina. Cristiano Ronaldo não deveria fazer o mesmo com Portugal?
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
Messi vai se aposentar da Argentina. Cristiano Ronaldo não deveria fazer o mesmo com Portugal?

Há uma diferença entre as despedidas internacionais de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Os dois atravessaram duas décadas de futebol, disputaram seis Copas do Mundo, quebraram praticamente todos os recordes possíveis e se tornaram símbolos maiores do que suas próprias seleções. Mas chegam a setembro de 2026 com histórias muito diferentes para encerrar.

Messi decidiu que sua história com a Argentina terminou. Aos 39 anos, depois de conquistar a Copa América em 2021 e 2024, e a Copa do Mundo de 2022, entendeu que havia chegado o momento de passar o bastão. Cristiano, por outro lado, decidiu continuar. Chegou a considerar a aposentadoria depois da eliminação de Portugal para a Espanha nas oitavas de final da Copa de 2026, mas mudou de ideia.

Aos 41 anos, confirmou que pretende seguir defendendo a seleção e estabeleceu outro objetivo: chegar aos mil gols na carreira. Ele tem 979 gols oficiais por clubes e seleção, e afirmou que seria especialmente bonito alcançar a marca vestindo a camisa portuguesa. No entanto, viveu drama recente com Jorge Jesus por ficar no banco durante toda a vitória contra a Noruega e deixou a concentração da seleção portuguesa — causando grande comoção e dúvida sobre sua sequência.

Publicidade

Leia Também:

.nsnbn{max-width:800px;width:100%;display:flex;align-items:center;gap:18px;padding:16px 18px;border:2px solid #fff;border-radius:16px;text-decoration:none;font-family:Arial,sans-serif;overflow:hidden;box-shadow:0 6px 18px rgba(0,0,0,.12);transition:all .2s ease;margin:16px auto;box-sizing:border-box} .nsnbn:hover{transform:translateY(-2px);box-shadow:0 10px 24px rgba(0,0,0,.18)} .nsnbn-image{flex-shrink:0;width:170px;height:95px;border-radius:12px;overflow:hidden;border:2px solid rgba(255,255,255,.35)} .nsnbn-image img{width:100% !important;height:100% !important;object-fit:cover;display:block;max-width:none !important} .nsnbn-content{flex:1;color:#fff;min-width:0} .nsnbn-badge{display:inline-block;background:#fff;font-size:11px;font-weight:700;text-transform:uppercase;letter-spacing:.3px;padding:5px 9px;border-radius:999px;margin-bottom:8px} .nsnbn-content h3{margin:0 0 6px !important;font-size:23px !important;line-height:1.1 !important;font-weight:800 !important;color:#fff !important} .nsnbn-content p{margin:0 !important;color:rgba(255,255,255,.92) !important;font-size:14px !important;line-height:1.4 !important} .nsnbn-button{flex-shrink:0;background:#fff;font-size:14px;font-weight:700;padding:11px 16px;border-radius:9px;white-space:nowrap;transition:all .2s ease} .nsnbn:hover .nsnbn-button{background:#f3f3f3} @media (max-width:700px){.nsnbn{flex-direction:column;align-items:flex-start}.nsnbn-image{width:100%;height:180px}.nsnbn-content h3{font-size:20px !important}.nsnbn-button{margin-top:10px}}
Trivela: Futebol europeu por quem entende

Trivela: Futebol europeu por quem entende

Leia →

Messi deixa uma Argentina pronta para andar sem ele

A despedida de Messi não acontece porque a Argentina deixou de ser competitiva. Acontece, em boa medida, porque o argentino conseguiu construir a seleção que durante tantos anos parecia não conseguir existir sem ele.

A relação de Messi com a Argentina mudou completamente a partir de 2021. Antes disso, foram três finais perdidas em grandes torneios: Copa do Mundo de 2014 e Copas América de 2015 e 2016; uma aposentadoria internacional anunciada e posteriormente revertida e anos de cobrança por não reproduzir pela seleção o domínio que apresentava no Barcelona.

Messi pela seleção argentina. Foto: IMAGO / Nicolo Campo

Em 2026, carregou a Argentina à decisão do Mundial, embora tenha perdido para a Espanha. Messi liderou uma geração que ganhou protagonismo ao seu redor, mas também ajudou a construir espaço para jogadores que agora podem assumir o centro da equipe. Julián Álvarez, Lautaro Martínez, Enzo Fernández, Alexis Mac Allister, Rodrigo De Paul e outros chegaram à seleção como coadjuvantes e terminaram a era como jogadores com identidade própria.

A própria convocação argentina para a Copa de 2026 já mostrava esse movimento. Scaloni manteve Messi como referência, mas também apostou em nomes que não estavam no grupo campeão de 2022, como Nico Paz, José Manuel López e Valentín Barco.

Messi, portanto, não está simplesmente deixando uma camisa. Ele está deixando uma estrutura que ajudou a construir. Essa é a maior diferença para Cristiano.

Cristiano Ronaldo também ganhou, mas existe um troféu que nunca veio

Seria errado transformar a carreira internacional de Cristiano Ronaldo em um fracasso porque ele nunca ganhou uma Copa do Mundo. Portugal não tinha nenhum título de grande competição quando Cristiano começou sua trajetória pela seleção. Ele conquistou a Eurocopa de 2016 e as Nations League de 2019 e 2025, quando, aos 40 anos, marcou na final contra a Espanha.

Não é pouco. É uma transformação gigantesca na história de Portugal. Mas existe uma diferença em relação à Argentina de Messi: a Copa do Mundo foi o grande torneio que faltou. Portugal chegou à semifinal em 2006, quando Cristiano ainda era um jovem astro, mas desde então caiu nas oitavas em 2010, 2018 e 2026, foi eliminado na fase de grupos em 2014 e caiu nas quartas diante de Marrocos em 2022.

Cristiano disputou seis Mundiais e marcou em todos eles. Em 2026, tornou-se o primeiro jogador a fazer isso. A Copa, portanto, não é apenas um troféu que Cristiano não possui. É a única grande narrativa de sua carreira que não terminou como ele gostaria. Então, o que ainda o move?

Cristiano Ronaldo durante coletiva pela seleção de Portugal (Foto: IMAGO / Propaganda Photo)Cristiano Ronaldo durante coletiva pela seleção de Portugal (Foto: IMAGO / Propaganda Photo)

Se a resposta fosse apenas “ganhar títulos por Portugal”, talvez a aposentadoria depois de 2026 fizesse sentido. Ele já venceu a Eurocopa e duas Nations League. É o maior artilheiro da história do futebol internacional, com 146 gols, e o jogador que mais vezes vestiu uma camisa de seleção, com 233.

Só que Ronaldo nunca construiu sua carreira em torno apenas de troféus coletivos. Os recordes individuais sempre fizeram parte de sua motivação. E agora existe um número muito específico à sua frente: 1000. Ele precisa de mais 21 gols para chegar à marca. Ele próprio confirmou que esse objetivo pesou na decisão de continuar e disse que gostaria que o milésimo acontecesse com Portugal.

Não estamos falando de um jogador que decidiu continuar apenas porque não aceita sair de cena. Se chegar aos mil gols, Cristiano terá transformado uma obsessão individual em mais um capítulo histórico de sua carreira. E, para alguém que passou duas décadas perseguindo recordes, 21 gols podem representar uma motivação tão forte quanto uma Copa do Mundo para outro jogador.

Cristiano Ronaldo já não precisa provar mais nada

O problema é que continuar perseguindo recordes também pode criar uma contradição. Cristiano já é o maior artilheiro da história das seleções, o jogador com mais partidas internacionais e o maior artilheiro da história da Eurocopa, além do jogador que mais disputou edições do torneio e o único que marcou em seis Copas do Mundo. Na Champions League, possui praticamente uma coleção própria de recordes: 140 gols, 183 jogos e cinco títulos.

Ou seja: não existe uma necessidade esportiva de continuar para provar sua importância. O milésimo gol é diferente porque é um marco simbólico. Mas se Cristiano chegar a 1000, Portugal continuará precisando dele? 

Ao contrário do que acontecia na primeira metade de sua carreira, Portugal hoje tem jogadores capazes de ocupar o centro do palco. Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Rafael Leão, Vitinha, João Neves, Nuno Mendes e outros já não precisam ser apresentados como “o futuro”. Eles são o presente da seleção.

A conquista da Nations League de 2025 foi simbólica nesse sentido. Ronaldo marcou na final, mas Nuno Mendes foi eleito o jogador da decisão. Existe, portanto, uma seleção portuguesa que pode sobreviver sem Cristiano.

Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus durante treino da seleção de Portugal (Foto: IMAGO / HMB-Media)Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus durante treino da seleção de Portugal (Foto: IMAGO / HMB-Media)

Messi conseguiu exercer uma função de liderança diferente daquela que tinha no começo da carreira. Na Argentina de 2014, ele era o jogador que precisava resolver. Na Argentina de 2022, continuava sendo o protagonista, mas já estava inserido em um grupo muito mais maduro ao seu redor. Sua saída, portanto, pode ser interpretada como o último passo de uma liderança bem executada.

Cristiano talvez ainda tenha uma etapa semelhante pela frente, e ele não precisa ser titular. Pode ser se ele consegue transformar os próximos meses em uma transição. Se pode ser uma referência dentro do grupo sem necessariamente ser o jogador em torno do qual todo o time é construído. Cristiano em Portugal, nos últimos anos, frequentemente ficou reduzido a uma pergunta binária: joga ou não joga?

Recentemente, essa dúvida virou crise. O atacante ficou irritado com Jorge Jesus por não ter entrado contra a Noruega, mesmo depois de ter aquecido. Segundo a imprensa portuguesa, Jesus havia prometido a Cristiano que ele jogaria, o que motivou o descontentamento. Isso pode mostrar, também, que CR7 pode ficar no banco em jogos difíceis e não ser a primeira opção para o ataque — o que deve frustrá-lo.

Mas existe um argumento forte para Cristiano sair

Cristiano tem 41 anos. A Copa de 2030 será disputada quando ele tiver 45. Ele já declarou que 2026 foi seu último Mundial, portanto o principal argumento esportivo para continuar, disputar outra Copa, sequer existe. E Portugal tem uma geração que precisa começar a construir sua própria identidade.

O Mundial de 2026 mostrou novamente a dificuldade de equilibrar a presença de Ronaldo com as características do restante do time. A discussão sobre sua titularidade voltou a aparecer porque Portugal possui jogadores mais jovens e porque a seleção pode precisar de outras soluções ofensivas.

Isso não significa que Cristiano “atrapalha” Portugal, mas que o valor histórico de um jogador e a melhor configuração de uma equipe podem deixar de ser a mesma coisa. É o problema que toda grande geração enfrenta quando chega ao fim. Messi resolveu essa questão saindo, Cristiano decidiu continuar.

E existe ainda uma diferença psicológica entre as duas despedidas. Messi ainda poderia perseguir outros números. Se tornou o maior artilheiro da história das Copas, mas já foi ultrapassado por Kylian Mbappé, que continuará aumentando esse número. Mas chegou ao recorde de 34 jogos no torneio e é o maior artilheiro da Argentina, com 125 gols.

Para Cristiano, o milésimo gol é diferente porque parece ter sido transformado em objetivo pessoal. Ele está a 21 gols de uma marca redonda que nenhum outro jogador masculino atingiu no futebol profissional de elite — sob os critérios utilizados para contabilizar seus gols.

Cristiano construiu boa parte de sua identidade profissional na ideia de estabelecer metas, bater recordes e encontrar novos limites físicos. Aos 41 anos, a possibilidade de chegar aos mil gols pode ser, para ele, mais importante do que a necessidade externa de “saber a hora de parar”. Por isso, pedir que Cristiano faça exatamente o que Messi fez talvez seja ignorar a principal característica que os diferencia.

Messi encontrou o fim da história. Cristiano ainda está procurando a última página.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Ramos
Comentários:

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!