Um bolo de aniversário costuma seguir uma fórmula conhecida. Cobertura uniforme, decoração delicada, personagens reconhecíveis e um acabamento que tenta deixar tudo o mais próximo possível da perfeição. Mas uma confeiteira de São Paulo decidiu fazer justamente o contrário. Em suas criações, os desenhos podem sair tortos, os personagens aparecem deformados e as proporções nem sempre fazem sentido.
Batizada de “Bolos Feios” da Mari, a marca criada por Mariana Neves transformou a estética propositalmente imperfeita em um diferencial e chamou a atenção nas redes sociais. A repercussão foi suficiente para aumentar a procura pelas encomendas em cerca de 90%, fazendo com que a produção, que antes ficava em torno de quatro ou cinco bolos por semana, chegasse a aproximadamente dez pedidos semanais.
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A ideia surgiu justamente da falta de perfeição
Mariana não começou na confeitaria. Profissional de marketing, ela passou a fazer bolos durante a pandemia, inicialmente de maneira informal e para pessoas próximas. A experiência com decorações temáticas mostrou que havia espaço para uma proposta diferente.
Em vez de reproduzir personagens de forma realista, ela incorporou traços irregulares às produções. O nome “Bolos Feios” reforçou a identidade da marca, baseada em criações divertidas, personalizadas e propositalmente estranhas.
Criada em 2025 como uma fonte de renda extra, a marca surgiu enquanto Mariana ainda trabalhava com marketing. Segundo a confeiteira, a proposta também ajudou a diminuir a pressão pelo perfeccionismo enquanto desenvolvia suas técnicas na confeitaria.
Entre os pedidos estão caricaturas de clientes e versões de personagens e figuras conhecidas. Uma das criações que ganhou destaque foi inspirada na drag queen Ana Mary B.
Por que os bolos chamaram tanta atenção?
A repercussão mudou a rotina de Mariana. Antes, ela produzia cerca de quatro ou cinco bolos por semana. Depois, a procura chegou a aproximadamente dez encomendas semanais, um aumento de cerca de 90%.
Com a demanda maior, a confeiteira contratou duas pessoas para auxiliar no negócio, principalmente na logística e nas redes sociais. A agenda também ficou preenchida para setembro e parte de outubro.
O aumento dos pedidos trouxe outro desafio. Como cada bolo tem uma arte personalizada, produzir mais também exige mais tempo de decoração. Por isso, Mariana passou a considerar mudanças na organização do negócio e na precificação.
Uma das possibilidades é levar em conta não apenas o peso, mas também a complexidade da decoração, que se tornou parte central do produto. Os traços tortos e personagens desproporcionais, que poderiam ser vistos como defeitos em uma confeitaria tradicional, passaram a ser justamente o diferencial das criações de Mariana.
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