A Nicarágua é um dos países da América Latina mais suscetíveis às pressões políticas e econômicas do governo Trump, segundo o cientista político Maurício Santoro, colaborador do CEPE-MB, ao WW.
Em entrevista, ele destacou que a dependência fiscal nicaraguense em relação ao mercado estadunidense torna o país especialmente vulnerável às ações de Washington na região.
Santoro contextualizou a análise dentro de um movimento mais amplo observado no continente desde o pós-pandemia. “O que nós estamos vendo na América Latina tem sido uma guinada do continente em eleger governos conservadores em maior ou menor grau alinhados com os Estados Unidos, com o governo Trump”, afirmou o especialista.
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Ele ressaltou, no entanto, que existem muitas gradações nesse processo, com governos moderados em países como Bolívia e Paraguai, e outros de caráter mais estridente, como no Chile e na Colômbia.
Dependência econômica da Nicarágua
Ao detalhar o caso nicaraguense, Santoro explicou que o país depende fortemente das exportações de produtos têxteis para o mercado americano, além das remessas enviadas por migrantes nicaraguenses residentes nos Estados Unidos.
“É um país muito mais suscetível também às pressões políticas e econômicas do governo Trump”, destacou.
Esse cenário, segundo ele, coloca a Nicarágua em posição de maior fragilidade diante de eventuais medidas adotadas por Washington.
O especialista também chamou atenção para o retorno de uma postura mais intervencionista dos Estados Unidos na América Latina desde o início do ano. Ele citou as ações na Venezuela e as pressões políticas e econômicas sobre Cuba como exemplos concretos dessa tendência.
“Nós estamos ainda no meio de um processo muito turbulento pelo qual os Estados Unidos estão tentando redesenhar esse mapa político da América Latina”, afirmou Santoro, acrescentando que essa disputa não se limita ao eixo direita-esquerda, mas envolve também a rivalidade com a China e, em menor grau, com a Rússia na região.
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