Os comentaristas da CNN Vinicius Poit e José Eduardo Cardozo debateram, nesta segunda-feira (4), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre quem tem mais a ganhar com encontro: Lula ou Trump?
O presidente Lula (PT) deve viajar aos Estados Unidos na próxima quinta-feira (6) para se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington. A reunião estava prevista desde o início do ano, mas foi adiada em razão da guerra no Oriente Médio.
Segundo apuração de Caio Junqueira, analista de Política da CNN, com diplomatas brasileiros, o principal objetivo de Trump no encontro é firmar um acordo sobre minerais críticos, recursos fundamentais para o desenvolvimento tecnológico. A avaliação é que o governo norte-americano teme que o Brasil avance em negociações antes do fim do mandato de Lula, o que poderia dificultar ou até inviabilizar um acordo mais robusto a partir de 2027, caso haja mudança no Palácio do Planalto. O Brasil é apontado como um dos principais detentores desse tipo de recurso.
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Os dois lados têm a ganhar
O comentarista José Eduardo Cardozo avalia que ambos os líderes saem ganhando com o encontro. “É evidente que há divergências políticas entre Donald Trump e Lula. Têm visões político-ideológicas completamente diversas”, afirmou. Para ele, no entanto, essas divergências não deveriam contaminar a relação entre os dois países. “Uma coisa é a posição política de quem dirige um país. Outra coisa é a relação entre Estados soberanos”, disse Cardozo, acrescentando que Trump tem interesse estratégico em evitar que o Brasil aprofunde laços com a China.
Cardozo também destacou que Lula não é ingênuo e sabe que o Brasil precisa manter suas portas abertas nas relações internacionais, sem adotar uma postura de subserviência. “Donald Trump quer ter aliados para submetê-los, não para tê-los como parceiros”, afirmou. O comentarista expressou esperança de que o encontro se concentre nos interesses bilaterais dos dois países soberanos, e não nas divergências ideológicas entre os dois líderes.
Minerais críticos como ponto central das negociações
O comentarista Vinicius Poit concordou que ambos os lados têm pontos a ganhar. Segundo ele, Trump já obteve uma pequena vitória ao fazer Lula se movimentar e ir até os Estados Unidos. “A pressão, o tarifaço, o discurso fez o Lula pegar o avião e ir até os Estados Unidos conversar com ele”, disse Poit.
Sobre os minerais críticos, Poit avaliou que o tema permite que os dois líderes saiam vitoriosos, cada um com sua narrativa. “O Trump precisa de acesso a minerais críticos e o Lula pode vender isso como atração de investimentos para o Brasil”, explicou. Para Poit, os dois devem se sentar de forma pragmática à mesa, sem focar nos pontos de discordância. Ele também mencionou outros temas que poderão estar na pauta, como a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e a influência do Brasil na América Latina, mas acredita que esses assuntos mais polêmicos não serão prioridade da reunião.
Críticas recentes de Lula podem atrapalhar as negociações?
Questionado sobre se as falas recentes de Lula contra Trump — especialmente em relação à guerra no Oriente Médio — poderiam prejudicar as negociações, Cardozo foi categórico: “Não deveriam atrapalhar.” Para ele, o Brasil pode perfeitamente criticar a atuação dos Estados Unidos no plano internacional e, ao mesmo tempo, cuidar de seus interesses econômicos e políticos na relação bilateral. “Lula falou o que tinha que falar porque não é um subserviente”, afirmou.
Poit, por sua vez, também avaliou que as críticas de Lula não devem prejudicar as negociações. “O presidente Trump é pragmático”, disse. Para o comentarista, Trump tende a ignorar as declarações públicas de Lula e focar no que realmente interessa: os acordos concretos. Poit ainda observou que Lula deve aproveitar politicamente a visita, num momento em que o cenário doméstico se mostra desafiador para o governo.
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