Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰
A partida desta quarta-feira, às 16h (de Brasília), entre Manchester City e PSG pela Champions League marca a consolidação de projetos que transformaram os torcedores de ambos os clubes em candidatos ao maior título europeu a cada temporada. Com grandes investimentos de dois governos do Oriente Médio, ambos os clubes se tornaram potência no futebol, despontando entre os que mais se modificaram nas últimas duas décadas.
O embate será o nono entre as duas equipes, que hoje se apresentam como gigantes do futebol europeu, com elencos valiosos. Entretanto, em 2008, quando ocorreu o primeiro duelo entre ingleses e franceses, a realidade era bem diferente.
Como foi o primeiro confronto entre City e PSG?
No ano de 2008, City e PSG estavam no grupo A da Europa League, um período que os torcedores mais experientes certamente lembram com nostalgia. O Manchester City realizou sete alterações na sua formação, com Robinho no banco e Elano retornando ao time titular, além de Jô como atacante.
Foi Elano que começou bem a partida, mas teve que deixar o campo ao final do primeiro tempo após sofrer uma pancada. O ex-jogador do Corinthians, Jô, com apenas 21 anos, não teve uma performance memorável e foi substituído no meio do segundo tempo por Ched Evans.
O estádio City of Manchester recebeu pouco mais de 25 mil torcedores — um número bem abaixo da capacidade total — e os assentos vazios foram notados, apesar de ser uma partida de competição europeia, ainda que fora da Champions League. O jogo foi marcado por poucas emoções e finalizações imprecisas.
Transformação evidente de City e PSG
Daniel Sturridge, do Manchester City, e Jeremy Clement, do PSG. Foto: IMAGO / Sportimage
A comparação das escalações revela uma transformação significativa. Ambos os times contavam com bons jogadores para a época, mas o City já havia começado a implementar uma política de contratações expressivas, com a presença de Robinho como seu grande ícone na época.
Vincent Kompany também se destaca, visto como uma das contratações mais valiosas da história do City. Ele foi um zagueiro que se tornou líder e uma referência essencial no processo de evolução do clube, que passou de uma equipe mediana para uma verdadeira máquina de conquistas.
Escalações de PSG x Manchester City:
Paris Saint-Germain: Landreau; Traore, Camara, Bourillon, Sakho; Pancrate, Makelele, Clement, Rothen; Luyindula, Kezman.
*O brasileiro Ceará estava no banco de reservas.
Manchester City: Hart; Zabaleta, Dunne, Ben-Haim, Garrido; Kompany; Vassell, Ireland, Elano, Sturridge; Jô.
Como foram na Europa League 2008/2009?
Vincent Kompany e Peguy Luyindula em PSG x City. Foto: IMAGO / Sportimage
Após a fase de grupos da Europa League, o Manchester City finalizou em primeiro lugar no grupo A, enquanto o PSG ficou em terceiro, e o Twente ocupou a segunda posição. Naquela época, os três se classificavam para a fase seguinte, enquanto o Racing Santander e o Schalke 04 foram eliminados.
Embora PSG e Manchester City pudessem se reencontrar, isso só ocorreria em uma possível final, que não se concretizou. Ambos os clubes tiveram um desempenho positivo no mata-mata, mas acabaram eliminados nas quartas de final.
O PSG superou o Wolfsburg com facilidade (5 a 1 no agregado) e depois venceu o Braga (1 a 0), mas foi eliminado pelo Dínamo de Kiev, com um 0 a 0 na França e uma derrota de 3 a 0 na Ucrânia.
Os ingleses, por sua vez, derrotaram o Copenhague em um difícil 4 a 3 no agregado, passaram pelo Aab, da Dinamarca, nos pênaltis após empates em 2 a 0 para cada lado (Elano converteu uma penalidade) e foram eliminados pelo Hamburgo (4 a 3 no agregado), onde Paolo Guerrero marcou um gol crucial em Manchester.
Em nível nacional, o desempenho de ambos os times também refletiu a realidade em que se encontravam. O Manchester City terminou apenas na 10ª posição da Premier League, acumulando 50 pontos, 40 a menos que o campeão United. O PSG, por outro lado, ficou em sexto na Ligue 1, longe da disputa pelo título, que foi conquistado pelo Bordeaux, e fora da briga por vagas em competições europeias.
City, PSG e os projetos de clubes-estado
Ferran Soriano, CEO do Manchester City, e Khaldoon Al Mubarak, presidente do clube (Foto: Imago/Mark Pain)
Esse jogo ilustra o longo caminho que ambos os clubes percorreram devido a projetos extremamente ambiciosos. O City foi adquirido poucos meses antes da partida pelo Abu Dhabi United Group (ADUG), que é controlado por Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan, membro da família real de Abu Dhabi e vice-primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos.
Três anos após isso, o PSG seguiu um caminho semelhante, quando foi comprado pela Qatar Sports Investments (QSI), vinculada ao fundo soberano do Catar (Qatar Investment Authority). Estes casos exemplificam a estratégia de clubes-estados, que estão nas mãos de fundos diretamente ligados a famílias reais e governos de monarquias do Golfo Pérsico, com a finalidade de sportswashing e soft power.
Atualmente, a situação do City é diferente. O clube foi considerado culpado pela Premier League, no final de setembro, por usar contratos fictícios com parceiros para encobrir mais de 830 milhões de libras (aproximadamente R$ 5,7 bilhões) em financiamentos secretos, inflando artificialmente suas receitas entre 2009-2010 e 2017-2018. O clube nega as acusações e formalizou um recurso na última sexta-feira. Essa situação pode impactar drasticamente as estruturas do City e do futebol inglês.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se