Estadão Rondônia - Sua fonte de notícias na cidade de ...

Sexta-feira, 17 de Julho de 2026

Mundo

O que documentos recém-divulgados por Trump dizem sobre as eleições nos EUA

Arquivos tratam, em grande parte, de vulnerabilidades conhecidas há anos e que autoridades eleitorais em todo o país vêm tentando corrigir

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
O que documentos recém-divulgados por Trump dizem sobre as eleições nos EUA
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Em seu discurso em horário nobre nesta quinta-feira (16), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que existem vulnerabilidades nos sistemas eleitorais americanos e usou um grande conjunto de documentos recém-divulgados como evidência para sustentar que futuras eleições podem estar sob risco de interferência estrangeira, especialmente por parte da China.

Embora os documentos tenham sido desclassificados agora, eles tratam, em grande parte, de vulnerabilidades conhecidas há anos e que autoridades eleitorais em todo o país vêm tentando corrigir.

Nenhuma das informações desclassificadas sustenta a alegação de que os resultados de eleições anteriores — incluindo a eleição presidencial de 2020, vencida por Joe Biden — tenham sido manipulados por interferência estrangeira ou fraude de forma capaz de alterar o resultado.

Leia Também:

Em vez disso, autoridades da Casa Branca afirmam que a divulgação dos documentos não tem como objetivo reabrir o debate sobre eleições passadas, mas sim corrigir vulnerabilidades antes das eleições legislativas de novembro. Isso ocorre apesar de o segundo governo Trump ter encerrado diversas estruturas federais responsáveis por monitorar e divulgar campanhas de influência estrangeira.

Integrantes da Casa Branca também sugerem que parte dessas informações, algumas conhecidas há anos, teria sido ocultada de altas autoridades eleitas dos EUA, incluindo o próprio Trump, por motivos políticos.

Entre os principais pontos que Trump pretende abordar estão:

  • Alegações de que existem graves vulnerabilidades nas urnas eletrônicas dos EUA;
  • Alegações de que a China obteve dados eleitorais de milhões de americanos;
  • Alegações de fraude sistêmica no registro de eleitores promovida por democratas em Michigan;
  • Alegações de que há muito mais não cidadãos registrados para votar do que se sabia anteriormente.

Há, de fato, algumas revelações inéditas nas centenas de páginas de documentos desclassificados nesta quinta-feira. No entanto, segundo análise da CNN, uma parte significativa do material apenas reapresenta informações que já eram públicas e amplamente conhecidas pela comunidade de inteligência dos EUA.

Os documentos fazem parte de um esforço do governo Trump para sustentar a tese de que países estrangeiros estão interferindo de forma agressiva nas eleições americanas. Vale lembrar que Trump passou quase uma década rejeitando a conclusão unânime de muitas dessas mesmas agências de inteligência de que a Rússia interferiu na eleição presidencial de 2016.

A CNN está analisando as centenas de documentos divulgados pelo governo Trump na noite de quinta-feira. A seguir, os principais pontos.

Leia mais

  • Trump alega que 278 mil não-cidadãos dos EUA estão registrados para votar

    Trump alega que 278 mil não-cidadãos dos EUA estão registrados para votar

  • Sistema eleitoral dos EUA é "catastroficamente deficiente", diz Trump

    Sistema eleitoral dos EUA é "catastroficamente deficiente", diz Trump

  • Trump acusa China de adquirir 220 milhões de registros de eleitores dos EUA

    Trump acusa China de adquirir 220 milhões de registros de eleitores dos EUA

Alegações sobre vulnerabilidades das urnas eletrônicas dos EUA

A Casa Branca desclassificou relatórios de inteligência afirmando que as urnas eletrônicas americanas podem ser alvo de invasões por pelo menos cinco potências estrangeiras.

Um relatório do Conselho Nacional de Inteligência, de janeiro de 2020, concluiu que Rússia, China, Irã e Coreia do Norte “têm capacidade de acessar e potencialmente manipular” dados eleitorais dos EUA, como bancos de dados centralizados de registro de eleitores e listas utilizadas nos locais de votação.

No entanto, o relatório ressalta que, como as eleições americanas são descentralizadas e administradas por estados e condados, eventuais invasões provavelmente seriam localizadas e “seria difícil manipular em escala suficiente para alterar o resultado da eleição”.

A Casa Branca também afirma que os documentos mostram que a Venezuela realizou um experimento com máquinas de votação capaz de trocar votos sem que isso fosse detectado por auditorias posteriores ou recontagens manuais.

Essas máquinas foram fabricadas pela Smartmatic, empresa que aliados de Trump acusaram falsamente de fraudar a eleição de 2020, principalmente por seus antigos vínculos com a Venezuela.

Um memorando da CIA, desclassificado em junho, afirma que a comunidade de inteligência dos EUA concluiu, em 2006, que a Venezuela e a Smartmatic não tinham capacidade de manipular resultados eleitorais fora da Venezuela.

O relatório acrescenta que, quando a Venezuela manipulou eleições em seu próprio território, isso só foi possível porque autoridades locais tinham acesso interno aos sistemas de votação — algo que venezuelanos obviamente não teriam nas eleições americanas.

Atualmente, o software da Smartmatic é utilizado apenas em uma jurisdição dos EUA: o condado de Los Angeles. Em declaração anterior à CNN, um porta-voz da empresa afirmou que a Smartmatic “rejeita veementemente as acusações completamente infundadas e repetidamente desmentidas sobre a integridade de seus sistemas eleitorais.”

Há vulnerabilidades documentadas nos sistemas eleitorais dos EUA, mas ninguém — incluindo Trump e seus aliados — apresentou provas de que essas falhas tenham sido exploradas com sucesso por um adversário estrangeiro para alterar votos.

Essas vulnerabilidades, contudo, foram citadas em diversos processos movidos por aliados de Trump desde 2020 com o objetivo de questionar o resultado daquela eleição.

Alegações sobre o acesso da China aos registros eleitorais

A Casa Branca afirma que os documentos alegam que a China obteve mais de 200 milhões de registros de eleitores americanos entre 2020 e 2024.

Segundo a Casa Branca, os dados incluiriam nomes, endereços, telefones, situação militar, filiação partidária e histórico de participação nas eleições.

.@POTUS: Newly declassified documents show that over a period of years starting during the 2020 election cycle, the People’s Republic of China carried out what is believed to be the largest compromise of election data in history — resulting in China’s illicit acquisition of 220… pic.twitter.com/S6qudP0QoP

— Rapid Response 47 (@RapidResponse47) July 17, 2026

Os arquivos teriam sido comprados ilegalmente, roubados, hackeados ou obtidos por outros meios ilícitos pela China. (Muitos estados americanos vendem legalmente versões de seus bancos de dados eleitorais contendo apenas informações públicas.)

Um adversário estrangeiro pode obter muitas informações sobre os americanos por meio desses registros. Além disso, existe a possibilidade de gerar caos no dia da eleição caso consiga acessar bases de dados em tempo real e manipular registros. No entanto, os EUA nunca acusaram a China de alterar ou apagar cadastros eleitorais.

Um relatório governamental de 2019, parcialmente censurado, afirmou que bancos de dados eleitorais de oito estados foram comprometidos pela China.

O documento também descreve hackers chineses atacando diversos setores da sociedade americana, incluindo bancos de dados médicos, redes sociais, centros de pesquisa e empresas de defesa.

Essas conclusões não representam exatamente uma novidade: há muito tempo as agências de inteligência dos EUA entendem que a China busca obter o máximo possível de dados sobre cidadãos americanos.

A China possui um longo histórico desse tipo de espionagem. Em 2015, hackers chineses invadiram servidores do governo federal e roubaram mais de 20 milhões de registros sensíveis do Escritório de Gestão de Pessoal dos EUA (Office of Personnel Management).

Quanto à tentativa de influenciar eleições, um relatório do Conselho Nacional de Inteligência de outubro de 2020 afirma que as atividades chinesas relacionadas à eleição presidencial daquele ano foram de “baixo nível” e limitadas a “ações exploratórias”.

Após a eleição de 2020, autoridades nomeadas por Trump na Direção Nacional de Inteligência anunciaram publicamente que a China chegou a considerar tentar influenciar o resultado, mas decidiu não fazê-lo para evitar prejuízos às relações entre os dois países.

Não cidadãos registrados para votar

A Casa Branca afirma que os relatórios indicam que o Departamento de Segurança Interna (DHS) acredita que pelo menos 250 mil não cidadãos estavam registrados para votar em vários estados considerados estratégicos.

No entanto, existem dúvidas sobre a confiabilidade das bases de dados utilizadas pelo DHS.

O documento recém-divulgado afirma que esses 250 mil registros estão na Califórnia, Pensilvânia, Nova Jersey e Nevada.

Segundo a Casa Branca, a análise foi feita com bancos de dados comerciais, menos confiáveis do que registros oficiais do governo. Esses estados teriam se recusado a fornecer suas listas eleitorais para uma auditoria federal utilizando o sistema SAVE (Systematic Alien Verification for Entitlements), ferramenta usada para identificar possíveis eleitores não cidadãos.

O documento do DHS informa que, utilizando o sistema SAVE em dados de 25 estados — que analisaram mais de 68 milhões de registros eleitorais — foram identificados 28 mil não cidadãos registrados ilegalmente para votar.

Mesmo que haja mais não cidadãos registrados do que se acreditava anteriormente, os documentos não indicam que tenha ocorrido um aumento significativo no número de não cidadãos que efetivamente votaram.

É ilegal que estrangeiros votem em eleições federais nos Estados Unidos, e especialistas afirmam que isso acontece muito raramente.

No entanto, algumas jurisdições, como São Francisco, na Califórnia, aprovaram leis permitindo que não cidadãos votem apenas em eleições locais, como para conselhos escolares. Isso ajuda a explicar por que existem não cidadãos registrados em estados como a Califórnia.

Trump há anos promove alegações falsas de que milhares — ou até milhões — de imigrantes sem documentação votam nas eleições americanas. Sua afirmação mais conhecida foi a de que perdeu o voto popular em 2016 por cerca de dois milhões de votos devido à participação de imigrantes sem documentos.

O banco de dados da conservadora Heritage Foundation registra menos de 100 casos confirmados de não cidadãos votando entre 2002 e 2022, em meio a mais de 1 bilhão de votos legalmente registrados. Já o Brennan Center for Justice, de orientação progressista, analisou mais de 23 milhões de votos da eleição de 2016 e encontrou uma estimativa de 30 casos.

O que é o Colégio Eleitoral das eleições dos EUA?

FONTE/CRÉDITOS: jessicapetrovna1
Comentários:

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!