Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰
Iniciativa visa prevenir danos a crianças e famílias indígenas devido à falta de educação infantil nas aldeias.
28, out., 2026 Atualizado há uma hora
O Ministério Público de Rondônia (MPRO) emitiu uma recomendação às instituições públicas de Cacoal para que implementem ações que evitem danos às crianças e famílias indígenas, em razão da falta de oferta de educação infantil nas aldeias. A recomendação foi elaborada nesta quarta-feira (28/10) pela 2ª Promotoria de Justiça de Cacoal, sob a responsabilidade da promotora de Justiça Claudia Machado dos Santos Gonçalves.
O documento orienta os setores de educação, assistência social e proteção à infância a não responsabilizar crianças ou famílias pelas consequências advindas da falta de uma educação infantil adequada oferecida pelo poder público, o que inclui a responsabilização de pais ou responsáveis e a aplicação indevida de efeitos relacionados às condicionalidades educacionais do Bolsa Família.
Atribuição da falta de oferta não pode recair sobre as famílias
Após investigação, o MPRO constatou que as aldeias indígenas de Cacoal não dispõem de educação infantil. Assim, a falta de matrícula ou frequência, que se deve à ausência do serviço educacional adequado, não pode ser atribuída às crianças ou suas famílias como se fosse resultado exclusivo da omissão dos pais ou responsáveis.
[https://gerenciador-portal-service.mpro.mp.br/api/arquivos/publicos/comunicacao/noticias/corpo/3bdd7e36-64a4-4eeb-8cea-9af236176834_WhatsApp-Image-2026-10-28-at-11.32.29.jpg]
Cada caso deve ser avaliado de acordo com suas circunstâncias, levando em conta a oferta educacional acessível e as especificidades socioculturais das comunidades indígenas, evitando um tratamento automático da ausência de matrícula ou frequência como evasão escolar ou descumprimento injustificado das obrigações familiares.
Em relação ao Bolsa Família, o Decreto nº 12.064/2024 determina que as famílias não sofrerão as penalidades por não cumprimento das condicionalidades quando não houver serviço disponível ou quando a não adesão se relacionar a questões étnicas ou culturais, desde que tal informação esteja devidamente registrada nos sistemas pertinentes.
A recomendação também visa impedir que famílias sejam pressionadas, constrangidas ou incentivadas a matricular seus filhos em escolas não indígenas apenas para demonstrar o cumprimento das condicionalidades do programa. A matrícula nessas escolas permanece disponível quando feita por decisão consciente e informada da família.
[https://gerenciador-portal-service.mpro.mp.br/api/arquivos/publicos/comunicacao/noticias/corpo/b7076f04-1ad0-489c-a36a-e65394ef1228_WhatsApp-Image-2026-10-28-at-11.31.46.jpg]
O Ministério Público recebeu informações, que ainda estão sendo investigadas, de que crianças indígenas de 4 e 5 anos podem estar sendo levadas para escolas distantes de suas comunidades. Além disso, há relatos de que algumas famílias foram avisadas de que a matrícula seria necessária para a manutenção do benefício.
Orientações e correções de registros
A recomendação foi direcionada à Secretaria Municipal de Educação, à Superintendência Regional de Educação, à Secretaria Municipal de Assistência Social e Trabalho e ao Conselho Tutelar de Cacoal.
Esses órgãos têm um prazo de 15 dias para uniformizar as orientações e comunicá-las a servidores, unidades escolares, famílias e lideranças indígenas. O intuito é assegurar que cada situação seja examinada de acordo com as condições reais da criança, da família e da comunidade.
As equipes educacionais devem registrar de forma precisa os motivos da falta de matrícula ou frequência nos sistemas de acompanhamento das condicionalidades educacionais, incluindo as situações que envolvem a falta de oferta e as especificidades indígenas, quando aplicáveis. Caso necessário, os órgãos também devem corrigir ou complementar registros anteriores.
A recomendação ainda orienta que os profissionais encarregados da busca ativa escolar não realizem encaminhamentos automáticos ao Conselho Tutelar ou ao Ministério Público nos casos de inexistência de oferta de educação infantil adequada, sem antes averiguar as circunstâncias concretas.
Assistência social e Conselho Tutelar
A Secretaria Municipal de Assistência Social e Trabalho deve guiar suas equipes para que as famílias recebam informações precisas sobre as condicionalidades do Bolsa Família. A ausência de oferta do serviço e as questões étnicas ou culturais impedem a aplicação das consequências do não cumprimento das condicionalidades, desde que essas situações estejam corretamente documentadas nos sistemas competentes.
As famílias também devem ser informadas sobre a possibilidade de recorrer administrativamente para revisar os efeitos eventualmente aplicados em decorrência do não cumprimento das condicionalidades.
[https://gerenciador-portal-service.mpro.mp.br/api/arquivos/publicos/comunicacao/noticias/corpo/dc17ee1d-a0e4-4a43-9f9e-e2538af41fa3_WhatsApp-Image-2026-10-28-at-11.30.18.jpg]
Por sua vez, o Conselho Tutelar deve investigar as circunstâncias de cada caso antes de qualquer responsabilização dos pais ou responsáveis. A avaliação deve levar em conta a existência de oferta educacional adequada e acessível, as justificativas da família e as especificidades do caso, evitando que a falta do serviço público seja automaticamente entendida como omissão familiar.
Todos os órgãos envolvidos devem informar ao MPRO, por escrito, no prazo de 30 dias, as ações que foram tomadas e apresentar, quando houver, documentos que comprovem as medidas implementadas.
Direito à educação e respeito às especificidades indígenas
A educação infantil é um direito garantido às crianças, incluindo as indígenas. A proteção desse direito deve levar em consideração as particularidades socioculturais das comunidades e sua participação nas decisões que lhes dizem respeito, respeitando suas identidades, organizações e realidades.
A atuação do MPRO busca garantir que a falta de oferta de educação adequada não resulte em penalizações ou prejuízos para as crianças e suas famílias, nem que leve a soluções automáticas que ignorem as particularidades das comunidades indígenas.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se