As marcas Nike, Adidas e Puma têm investido valores impressionantes para se associar a grandes ícones do futebol — e a recente movimentação de Kylian Mbappé com a marca On pode dar início a um novo modelo de patrocínio.
Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Neymar e Erling Haaland não apenas geram receitas astronômicas para seus clubes. Ao longo das últimas décadas, as principais marcas de material esportivo têm disputado a oportunidade de vincular seus nomes aos principais jogadores do futebol mundial.
A recente decisão de Kylian Mbappé em romper com a Nike, após quase 20 anos, e se tornar uma das figuras principais da chegada da suíça On ao universo do futebol, representa um novo capítulo nessa disputa.
É preciso ter cautela em relação aos valores desses acordos. Os jogadores e as empresas costumam não divulgar todos os detalhes dos contratos, e muitas cifras conhecidas são simplesmente estimativas da imprensa. Além disso, contratos vitalícios, pagamentos anuais, bônus, royalties e participações acionárias tornam qualquer comparação direta bastante complicada.
David Beckham — Adidas: o acordo de US$ 160 milhões que virou notícia
David Beckham foi um dos pioneiros a transformar sua parceria com uma fornecedora de material esportivo em um negócio comercial de grande escala.
Em 2003, surgiram notícias sobre um possível contrato vitalício com a Adidas, avaliado em mais de 160,8 milhões de dólares (aproximadamente R$ 784 milhões na cotação da época). Relatos indicaram um pagamento inicial de cerca de 80 milhões de dólares, além de participação nas receitas vinculadas a produtos associados ao jogador.
Contudo, a Adidas negou na época a negociação de um novo contrato vitalício com Beckham. Dessa forma, os US$ 160,8 milhões devem ser considerados como um valor reportado, e não como uma cifra oficialmente confirmada pela empresa.
Ainda assim, Beckham é creditado por ter ajudado a elevar a imagem de um jogador de futebol a uma marca global, abrindo caminho para acordos comerciais de proporções cada vez maiores.
Cristiano Ronaldo — Nike: até US$ 1 bilhão
Cristiano Ronaldo levou esse conceito a um novo patamar. Em 2016, o jogador português assinou um contrato descrito como vitalício com a Nike.
O valor que se tornou mais conhecido é impressionante: até 1 bilhão de dólares (aproximadamente R$ 3,2 bilhões na época em que foi assinado).
A Nike nunca divulgou publicamente todos os detalhes financeiros, e essa quantia representa uma projeção de longo prazo do potencial do acordo, não necessariamente um valor que foi entregue ou garantido em um único pagamento.
As estimativas sobre os ganhos anuais de Cristiano com a marca tiveram variações ao longo do tempo, enquanto sua linha CR7 ampliou ainda mais o alcance comercial da parceria.
Dessa forma, o português se junta a um grupo extremamente seleto de atletas que possuem contratos com a Nike dessa magnitude.
Lionel Messi — Adidas: contrato para toda a carreira
Poucos meses após, Lionel Messi também estendeu sua relação com a Adidas.
Em 2017, o argentino anunciou uma extensão considerada vitalícia com a marca alemã, que já o patrocinava desde 2006.
Os valores nunca foram oficialmente divulgados. Estimativas ao longo dos anos indicaram que a remuneração anual de Messi estava acima de 12 milhões de dólares (cerca de R$ 61 milhões), com algumas projeções atingindo cifras ainda maiores.
Diferente do caso de Cristiano, no entanto, nunca houve uma estimativa suficientemente consolidada sobre o valor total do contrato durante sua duração.
Neymar — Puma: uma das maiores cifras anuais
Neymar foi protagonista de uma das mudanças de marca mais significativas do futebol recente. Após cerca de 15 anos com a Nike, o brasileiro assinou com a Puma em setembro de 2020.
Relatos da época indicaram que seu novo contrato estava entre os mais valiosos do futebol em termos de remuneração anual, com cifras em torno de 30,8 milhões de dólares por temporada (aproximadamente 169 milhões de reais no momento da assinatura do contrato) sendo amplamente mencionadas.
A mudança também teve um peso simbólico. Neymar citou ícones como Pelé, Johan Cruyff e Eusébio entre as referências históricas que já haviam utilizado produtos da Puma.
Mais do que uma simples troca de marca, o acordo transformou o brasileiro em um dos principais rostos globais da empresa.
Erling Haaland — Nike: contrato de longo prazo
Erling Haaland passou um período sem um vínculo exclusivo com uma fabricante após o término de seu primeiro contrato com a Nike e chegou a usar modelos de diferentes marcas.
Entretanto, em 2023, o norueguês voltou a fechar um novo acordo de longo prazo com a Nike.
As cifras divulgadas sobre o contrato variam, com estimativas entre 20 a 24 milhões de dólares por temporada (101 a 122 milhões de reais, conforme a cotação da época). Se esses valores forem mantidos ao longo de uma década, o negócio poderia alcançar entre 200 a 240 milhões de dólares (1,01 a 1,22 bilhão de reais).
Haaland já utilizava produtos da marca desde a adolescência e voltou como uma das principais estrelas da estratégia da Nike no futebol.
Kylian Mbappé — da Nike à On
O caso de Kylian Mbappé se destaca por envolver mais do que uma simples troca de fornecedora.
O francês esteve vinculado à Nike desde sua infância e se tornou um dos principais embaixadores da marca no futebol. Contudo, em setembro de 2026, Mbappé deixou a Nike para liderar a entrada da On no futebol.
A marca suíça também nomeou Thierry Henry como diretor de futebol e está se preparando para lançar seus primeiros produtos específicos para a modalidade em 2027.
Os valores são estimativas publicadas pela imprensa e podem variar com base em bônus, royalties, cláusulas comerciais e termos não divulgados.
O aspecto mais interessante reside na estrutura do acordo. Ao invés de se basear apenas em um pagamento anual, a parceria de Mbappé envolve uma combinação de remuneração financeira e participação acionária na On. Contudo, os valores não foram divulgados.
A fórmula se assemelha à estratégia utilizada pela própria empresa com Roger Federer no tênis e pode representar uma evolução nas relações entre as estrelas e os fabricantes de material esportivo.
Beckham foi um precursor na ampliação do valor comercial dos atletas. Cristiano Ronaldo e Messi elevaram os contratos vitalícios a novos patamares. Neymar e Haaland aumentaram as cifras anuais. Agora, Mbappé entra em um modelo no qual o atleta também pode lucrar diretamente com o crescimento da empresa que representa.
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