Os preços globais do petróleo voltaram a atingir US$ 100 por barril, chegando aos níveis mais altos desde julho, à medida que os combates no Oriente Médio aumentam as preocupações com interrupções prolongadas no fornecimento de petróleo.
O Brent, referência global para os preços do petróleo, subiu 2,3% no início da manhã desta quarta-feira (9) e chegou brevemente a US$ 100 por barril pela primeira vez desde julho, antes de recuar ligeiramente. O petróleo bruto dos Estados Unidos avançou 1,3%, para US$ 94 por barril.
O Brent atingiu US$ 100 após um dia marcado por acontecimentos relacionados ao conflito e à guerra, incluindo ataques dos Estados Unidos contra petroleiros iranianos e o ataque dos houthis, grupo apoiado pelo Irã, à Arábia Saudita.
Os preços do petróleo têm oscilado bastante neste ano, enquanto investidores reagem a novos episódios de conflito e monitoram o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.
No acumulado do ano, o Brent e o petróleo dos Estados Unidos subiram mais de 60%, elevando o custo da energia em todo o mundo.
A alta do petróleo também aumentou os preços de derivados, da gasolina ao diesel, afetando o bolso dos consumidores e colocando a inflação novamente no radar dos bancos centrais.
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De volta aos US$ 100 por barril
Os preços do petróleo subiram neste mês com a retomada do conflito entre Estados Unidos e Irã. As tensões em torno do Estreito de Ormuz aumentam as preocupações de que petroleiros continuem enfrentando obstáculos para atravessar a importante rota marítima.
Os Estados Unidos atacaram quatro petroleiros iranianos no Golfo de Omã e outro próximo à Ilha de Kharg, em resposta a tentativas de ataques com mísseis balísticos contra um navio de guerra da Marinha americana, informou o Comando Central dos EUA na terça-feira (8). A Ilha de Kharg, localizada no Golfo Pérsico, é um importante centro das exportações de petróleo do Irã.
Os preços do petróleo dispararam inicialmente na terça-feira, depois que os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, atacaram a Arábia Saudita, tendo como alvo instalações de petróleo e outras infraestruturas. As forças lideradas pela Arábia Saudita prometeram responder, afirmando que dezenas de civis ficaram feridos. Os preços do petróleo reduziram parte dos ganhos no meio do dia, antes de retomarem a alta à tarde.
Os ataques dos houthis, baseados no Iêmen, contra a Arábia Saudita aumentam as preocupações de que a guerra entre Irã e Estados Unidos esteja se espalhando pela região, afetando uma parcela maior da produção de petróleo, desacelerando ainda mais o fluxo global da commodity e pressionando o fornecimento.
Preços mais altos nos postos
O retorno do Brent aos US$ 100 por barril é um reflexo da incerteza persistente sobre o fluxo de petróleo e das ameaças às refinarias no Oriente Médio.
Também é um sinal de que os preços elevados da energia podem persistir. A alta do petróleo neste ano veio acompanhada de aumentos nos preços da gasolina e do diesel, pressionando ainda mais os consumidores.
O preço médio nacional do diesel nos Estados Unidos atingiu o recorde de US$ 5,90 por galão na terça-feira, segundo dados da AAA.
O fechamento do Estreito de Ormuz também prejudicou o fornecimento global de gás natural liquefeito, contribuindo para preços mais altos de energia em todo o mundo.
“A combinação de diesel caro, combustível de aviação, combustível marítimo e gás natural é particularmente desconfortável para consumidores em todo o mundo, que veem sua renda disponível diminuir”, afirmou Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank, em nota.
A montanha-russa do petróleo ainda não acabou
O Brent fechou pela primeira vez acima de US$ 100 por barril neste ano em 12 de março, atingindo então seu maior nível desde 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia.
Depois de disparar em abril e maio, o Brent despencou e chegou a US$ 72 por barril em junho, após Estados Unidos e Irã afirmarem ter chegado a um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz.
Mas o Brent voltou a subir com a continuidade do conflito, ultrapassando novamente os US$ 100 por barril em julho, antes de oscilar e atingir essa marca outra vez no fim da terça-feira.
O preço do petróleo tem oscilado enquanto os investidores monitoram o tráfego pelo Estreito de Ormuz e tentam avaliar se o mercado enfrentará problemas maiores de abastecimento.
Os Estados Unidos estão tentando ajudar os petroleiros a atravessar o estreito, enquanto Teerã afirma manter o controle da passagem.
“Os investidores continuarão atentos ao volume de transporte de petróleo saindo do Oriente Médio, já que agora parece que esses volumes podem mudar muito rapidamente”, afirmou Dennis Kissler, vice-presidente sênior de negociação do BOK Financial, em nota.
Os combates nos últimos meses se espalharam para o Mar Vermelho e o estreito de Bab al-Mandab, complicando as perspectivas para o mercado de petróleo. Os houthis têm atacado o estreito de Bab al-Mandab, uma passagem marítima na costa do Iêmen que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden.
Os ataques dos houthis contra a infraestrutura petrolífera saudita também aumentam os temores de que a região possa enfrentar maiores interrupções na produção de petróleo.
Enquanto as interrupções no fornecimento estão no foco dos mercados, analistas também acompanham a demanda. A China, maior importadora de petróleo do mundo, ajudou a conter os preços ao reduzir suas importações nos últimos meses, segundo analistas. Se as importações chinesas aumentarem, os preços do petróleo poderão subir ainda mais.
Mercados em alerta
A escalada das tensões no Oriente Médio abalou o mercado acionário: o S&P 500 caiu 0,6% na terça-feira.
O índice acumula queda inferior a 2% desde que atingiu um recorde histórico em meados de agosto. As ações continuam sendo negociadas próximas das máximas históricas, mas o mercado recuou no último mês à medida que a alta do petróleo voltou a gerar preocupações com a inflação e com juros mais elevados.
Bancos centrais de todo o mundo devem manter as taxas de juros estáveis ou até elevá-las em resposta ao aumento dos preços da energia provocado pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
Os rendimentos dos títulos de dívida em todo o mundo dispararam nas últimas semanas, enquanto os investidores se preparam para possíveis altas de juros pelos bancos centrais e avaliam o impacto inflacionário do petróleo mais caro.
O mercado acionário entra em um período crítico, no qual a combinação entre os combates no Oriente Médio e uma série de decisões de bancos centrais colocará à prova a confiança dos investidores.
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