A Polícia Federal levanta a hipótese de que o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), buscaria alterar a correlação de forças dentro da Corte para abrir caminho a uma anistia que beneficie envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e na tentativa de golpe de Estado.
A avaliação aparece em relatórios de inteligência da PF tornados públicos por Moraes na quinta-feira (3). O ministro enviou o material ao presidente da Corte, Edson Fachin, ao apontar indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça.
Em um dos documentos, os analistas avaliam uma possível “estratégia de recomposição de forças no Tribunal”. A hipótese é de que movimentos atribuídos a Mendonça pudessem ampliar sua influência dentro do STF e alterar o equilíbrio entre grupos de ministros.
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O relatório associa essa hipótese, entre outros pontos, ao apoio de Mendonça à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo e a movimentos envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
A PF afirma que uma mudança na composição ou no equilíbrio interno da Corte poderia aumentar as chances de uma anistia relacionada aos crimes de 8 de Janeiro. A CNN já havia revelado que o relatório menciona uma possível estratégia de Mendonça para ampliar seu poder no tribunal.
Em uma tabela que organiza as hipóteses analisadas, a PF registra como uma das proposições que “a recomposição visa viabilizar anistia dos crimes de 8 de janeiro”.
Até 12 de agosto de 2025, o STF já havia responsabilizado 1.190 pessoas pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que indicou Mendonça ao Supremo.
Documento “sem valor probatório”
A própria Polícia Federal, porém, atribui baixo grau de confiança a essa conclusão. Segundo a corporação, os relatórios usados por Moraes são “documentos de trabalho” e “sem valor probatório”, que reúnem análises de cenário e diferentes graus de confiança, sem apresentar conclusões criminais definitivas.
Moraes, por outro lado, usou o conjunto dos relatórios para afirmar que há “fortes indícios” de irregularidades praticadas por Mendonça na condução das operações Sem Desconto, sobre as fraudes no INSS, e Compliance Zero, relacionada ao Banco Master.
Entre as acusações apresentadas por Moraes estão interferência na condução das investigações, participação irregular em tratativas de colaboração premiada e direcionamento de alvos por motivos pessoais e políticos, inclusive ele próprio.
O episódio integra a crise aberta no Supremo nesta semana após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que revelou mensagens e registros de contatos entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
PF insinua que Mendonça atua para mudar correlação de forças no STF | BASTIDORES CNN
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