Um dos pilotos do avião cargueiro da Amazon Prime Air, que caiu em Miami no último domingo (6), alertou que a aeronave estava voando “rápido demais” pouco mais de um minuto antes de tocar a pista que acabou ultrapassando, informou o NTSB (Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos).
O piloto continuou comentando sobre a velocidade do avião enquanto alertas automáticos soavam na cabine.
No entanto, o outro piloto não deu uma resposta verbal clara, segundo a gravação de voz da cabine detalhada em uma atualização da investigação divulgada na quarta-feira (9). O documento não identificou os pilotos como comandante ou primeiro oficial.
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O Boeing 767, operado pela empresa 21 Air, sediada em Miami, ultrapassou a pista em cerca de 1.300 pés (396 metros) e atingiu dois veículos no solo, matando cinco pessoas e deixando outras cinco feridas.
Antes de o avião tocar o solo, o alerta “sink rate, sink rate” (“taxa de descida, taxa de descida”) soou duas vezes na cabine, depois que a aeronave, em determinado momento, desceu 400 pés em apenas quatro segundos, segundo informações divulgadas pelo NTSB. Na sequência, foram emitidos cinco alertas de “too low terrain” (“terreno muito próximo”).
“A grande questão é: por que eles continuaram a aproximação?”, disse Anthony Brickhouse, consultor de segurança aeroespacial. “Eles tiveram vários sinais de que a aproximação não estava estabilizada, mas continuaram em vez de arremeter.”
Quinze segundos após tocar o solo, um dos pilotos pediu para abortar o pouso, e as manetes dos motores foram aumentadas para um nível compatível com a potência usada em uma arremetida, informou o NTSB.
Nesse momento, o avião se aproximava do fim da pista, mas ainda viajava a 222 km/h, segundo dados do Flightradar24 baseados nas informações preliminares divulgadas pelo NTSB.
Quatro segundos depois, porém, as manetes foram reduzidas para a posição de marcha lenta. Em seguida, foram registrados sons semelhantes aos produzidos quando o avião deixou a superfície pavimentada da pista, informou o NTSB.
O conselho disse na terça-feira (8) que não havia indicação nos dados registrados de que os freios aerodinâmicos ou os reversores de empuxo tivessem sido acionados para ajudar a desacelerar o avião.
A 21 Air não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as informações divulgadas pelo NTSB.
Especialistas em segurança afirmam que a maioria dos acidentes aéreos é causada por múltiplos fatores, que precisam ser investigados minuciosamente.
“Pelo que vi até agora, houve definitivamente uma falha no gerenciamento de recursos da cabine”, disse Brickhouse, referindo-se ao treinamento que os pilotos recebem para se comunicar claramente e coordenar decisões na cabine.
Quando um piloto ignora sinais de que algo está errado, “infelizmente, coisas ruins acontecem”, acrescentou. “Então, como investigador, quero saber: com tantos sinais disponíveis, qual era a motivação deles? Qual era a linha de raciocínio? Por que continuaram aquela aproximação em vez de arremeter?”
Investigadores do NTSB passaram boa parte da quarta-feira entrevistando o comandante e o primeiro oficial antes de divulgar detalhes da gravação de voz da cabine.
O avião cargueiro da Amazon fazia seu terceiro voo do dia, vindo de San Juan, em Porto Rico. Antes do acidente, ocorrido às 13h53 (horário de Miami) de domingo, a aeronave havia voado de Cincinnati para Miami e de Miami para San Juan.
O comandante, de 55 anos, recebeu em maio sua habilitação para pilotar o Boeing 767 e tem 7.145 horas de voo. O primeiro oficial, de 37 anos, obteve sua habilitação para o 767 em abril de 2025 e tem 2.655 horas de voo, informou o NTSB na terça-feira.
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