Em reunião na sede da SRB (Sociedade Rural Brasileira) em São Paulo na tarde desta segunda-feira (4) o Ministro da Agricultura e Pecuária André de Paula, afirmou que o governo federal trabalha para anunciar, no início de junho. O novo Plano Safra, segundo o Ministro, pode trazer recursos próximos ao pleito da CNA, que na semana passada fez um pedido de R$ 625 bilhões para a safra 2026/27.
“Outra prioridade será garantir boas condições de acesso ao crédito rural diante do atual cenário de juros elevados”, disse, em entrevista coletiva.
O Ministro destacou ainda que o objetivo é construir um plano “consistente e vigoroso”, capaz de superar os R$ 516 bilhões disponibilizados na safra anterior.
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O desafio central está na equalização das taxas de juros, fator que hoje limita a tomada de crédito por parte dos produtores.
“O esforço do governo precisa estar alinhado a soluções que permitam, de fato, o acesso do produtor ao crédito. Caso contrário, mesmo números expressivos podem não se traduzir em efetividade”, afirmou.
Endividamento do setor
As conversas entre os ministérios da Agricultura e da Fazenda, segundo ele, ocorrem de forma contínua em nível técnico, com reuniões frequentes. A etapa final envolve a participação direta dos ministros e do presidente, responsável por arbitrar prioridades e eventuais divergências.
A construção do novo Plano Safra ocorre em um momento considerado desafiador para o setor, marcado por custos elevados, crédito mais restrito e pressão sobre a rentabilidade.
A expectativa agora se concentra no anúncio oficial, que deve ocorrer nas primeiras semanas de junho e definir o direcionamento do crédito agrícola para a safra 2026/27.
O Ministro André de Paula, em visita à SRB, se reuniu com lideranças do agro para discutir questões macroeconômicas do setor. A entidade afirma que, nos últimos três anos, não teve a oportunidade de receber o ex-ministro Carlos Fávaro.
Outro ponto abordado foi o alto nível de endividamento do setor agropecuário. O ministro reconheceu a dificuldade enfrentada pelos produtores e indicou que mecanismos de renegociação de dívidas, nos moldes do programa Desenrola 2.0, lançado hoje, vai possibilitar a renegociação das dívidas de mais de 800 mil produtores, podem ser utilizados para aliviar a situação.
Embora a possibilidade de um “Desenrola Rural” maior esteja em discussão, o ministro evitou antecipar detalhes ou prazos. Segundo ele, qualquer anúncio só será feito quando houver definição consolidada dentro do governo.
“É um instrumento importante para mitigar os efeitos do endividamento, mas só falaremos quando estiver maduro”, disse.
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