Por trás de dores de cabeça, enjoo, tontura e irritações nos olhos ou na garganta pode estar algo comum e, muitas vezes, despercebido: o cheiro de produtos do dia a dia. Perfumes, produtos de limpeza, tintas ou cheiros artificiais podem provocar reações físicas intensas em algumas pessoas — uma condição conhecida como SQM (sensibilidade química múltipla).
Embora não seja oficialmente reconhecida como doença, essa condição tem sido cada vez mais estudada e pesquisada entre os médicos.
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A sensibilidade química é uma reação exagerada do organismo a substâncias presentes em ambientes comuns. Ela pode provocar sintomas físicos após a exposição a pequenas quantidades de compostos químicos que não causariam irritabilidade ou algum efeito na maioria das pessoas.
Entre os principais sintomas da sensibilidade química múltipla estão:
- Dor de cabeça
- Náuseas
- Falta de ar ou sensação de sufocamento
- Irritação nos olhos, nariz ou garganta
- Tontura ou confusão mental
- Fadiga
Os gatilhos mais comuns para a condição incluem perfumes, produtos de limpeza, fumaça de cigarro, pesticidas, solventes, combustíveis e até mesmo alguns alimentos.
Por que isso acontece?
Ainda não há uma explicação única e definitiva sobre a causa da sensibilidade química. A hipótese mais aceita é que o sistema nervoso central de pessoas sensíveis reage de forma desregulada a certos estímulos químicos. É como se o organismo entrasse em estado de alerta por uma ameaça que, em tese, não representa perigo real.
A condição pode surgir após uma exposição aguda a substâncias químicas ou de forma progressiva, após anos de contato com poluentes no ar, cosméticos ou produtos domésticos.
“A sensibilidade química múltipla é caracterizada justamente por sintomas inespecíficos, que são recorrentes e que podem afetar múltiplos sistemas do corpo. Ela é desencadeada por exposições baixas a diversos tipos de substâncias químicas que não teriam nenhum efeito em um paciente saudável. E esses sintomas, eles podem aparecer e desaparecer quando o paciente faz a restrição dessa substância química. Infelizmente, não existe nenhum exame laboratorial que possa diagnosticar essa condição”, explica Marcello Bossois, alergista e coordenador do projeto Brasil Sem Alergia.
Não é uma alergia
Apesar dos sintomas semelhantes, a sensibilidade química não é uma alergia clássica, pois não envolve uma reação do sistema imunológico com produção de anticorpos, como ocorre em alergias respiratórias ou alimentares. Trata-se muito mais de uma intolerância ambiental.
O diagnóstico da sensibilidade química é feito com base na descrição dos sintomas, na exclusão de outras doenças e na identificação dos gatilhos.
“A fim de estabelecer um diagnóstico, os médicos utilizam o questionário chamado de Inventário de Exposição e Sensibilidade Ambiental”, acrescenta Daiana Petry, aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência.
O tratamento envolve, principalmente, em evitar os gatilhos. Isso inclui reduzir ou eliminar a exposição a produtos perfumados, escolher itens de limpeza sem fragrância e evitar ambientes fechados com odores fortes.
Em alguns casos, terapias complementares, como acompanhamento psicológico ou terapia cognitivo-comportamental, podem ajudar a pessoa a lidar melhor com a sensibilidade.
“Embora possam apresentar sintomas semelhantes, a alergia é uma reação do sistema imunológico, já a Sensibilidade Química Múltipla demonstra estar envolvida com transtornos psiquiátricos como ansiedade, depressão e transtornos de sintomas somáticos. O tratamento em sua maioria consiste em ficar longe de gatilhos, uso de medicamentos para alguns dos sintomas e psicoterapia”, detalha Petry.
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