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Kylian Mbappé, aos 19 anos, já havia conquistado a Copa do Mundo, marcado dois gols na partida contra a Argentina de Lionel Messi e sido reconhecido como um dos maiores herdeiros do futebol global. A expectativa era de que esse momento fosse apenas o início de uma carreira cheia de recordes e prêmios individuais. Quase uma década depois, o jogador francês se destaca como um dos atletas mais influentes de sua geração, porém, até agora a Bola de Ouro ainda não chegou.
O jogador foi o destaque em duas finais de Copa do Mundo, acumulou gols tanto pelo Paris Saint-Germain quanto pelo Real Madrid e se tornou o maior artilheiro da história do torneio mundial. Contudo, quando a France Football revelou os vencedores do prêmio, outros jogadores estavam à sua frente.
Mbappé progrediu em sua carreira durante a era de Messi e Cristiano Ronaldo, e teve que compartilhar espaço com uma geração de atletas que também teve temporadas excepcionais. Em algumas ocasiões, faltou o título coletivo que pudesse consolidar sua candidatura. Agora, ele se apresenta à cerimônia do dia 26 de outubro com argumentos individuais notáveis, mas o Real Madrid não conseguiu conquistar títulos importantes na última temporada, enquanto Harry Kane, Lamine Yamal e outros competidores podem trazer conquistas coletivas relevantes.
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A trajetória de Mbappé como promessa de conquistas
A expectativa em relação a Mbappé não surgiu apenas devido à sua performance na Copa do Mundo de 2018. Desde muito novo, o atacante foi reconhecido como um talento capaz de chegar ao auge do futebol. Sua formação em Clairefontaine, a passagem pelo Monaco e a transferência para o PSG, em 2017, fizeram parte de uma história acompanhada de perto, repleta de previsões excepcionais.
Quando criança, a Bola de Ouro já estava entre os objetivos que ele sonhava alcançar, ao lado de defender a seleção, jogar em grandes clubes e conquistar a Copa do Mundo. A mudança para o PSG, com um investimento de 180 milhões de euros, elevou ainda mais as expectativas. Embora ainda fosse um adolescente, ele chegava a um clube que desejava construir um projeto em torno de estrelas internacionais. Assim, o prêmio individual mais importante do futebol parecia ser uma consequência natural de sua evolução.
Kylian Mbappé, craque do Real Madrid (Foto: Imago/Pressinphoto)
Seu desempenho sustentou essa expectativa. No PSG, ele foi o protagonista de campanhas nacionais, finalizou temporadas como artilheiro e se consolidou como uma das principais referências no ataque do futebol europeu. Pela seleção da França, tornou-se uma peça central de uma equipe que alcançou duas finais consecutivas de Copa do Mundo.
No entanto, a Bola de Ouro não é um prêmio que reconhece uma promessa, por mais extraordinária que ela seja, e também não é uma recompensa acumulada ao longo da carreira. A votação leva em conta o desempenho no período em questão, e a concorrência muda a cada temporada. Ser considerado um dos melhores jogadores do mundo não assegura a melhor colocação em uma edição específica.
As finais da Copa do Mundo que não garantiram a Bola de Ouro
A primeira grande chance de Mbappé ocorreu em 2018. Com apenas 19 anos, ele fez quatro gols nessa Copa, incluindo dois na vitória sobre a Argentina nas oitavas de final e um na final contra a Croácia. A França conquistou o título, e o atacante foi eleito o melhor jogador jovem da competição.
No entanto, na disputa pela Bola de Ouro daquele ano, Luka Modric foi o vencedor. O meio-campista croata havia conquistado a Champions League com o Real Madrid e guiado sua seleção até a final do Mundial, em uma campanha histórica para seu país. O conjunto de suas atuações e conquistas superou o impacto de Mbappé.
A decisão também marcou o fim de uma década em que Messi e Cristiano Ronaldo dominaram o prêmio. Naquele momento, parecia que Mbappé poderia assumir o protagonismo da nova geração. Contudo, a realidade demonstrou que essa transição não seria tão simples.
Kylian Mbappé em jogo da seleção francesa (Foto: Baptiste Fernandez/Icon Sport)
Quatro anos depois, no Catar, o francês apresentou uma performance ainda mais impressionante em uma final de Copa do Mundo. Ele marcou três gols contra a Argentina, tornou-se o primeiro jogador desde 1966 a conseguir um hat-trick em uma decisão e terminou como artilheiro do torneio, com oito gols. Mesmo assim, a França perdeu nos pênaltis, e Messi finalmente conseguiu o título mundial que faltava em sua carreira.
Na Bola de Ouro de 2023, o argentino levou o prêmio, enquanto Mbappé ficou em terceiro lugar. A campanha no Catar teve um peso decisivo para Messi. O desempenho individual do francês foi extraordinário, mas o contexto favoreceu seu concorrente.
É irônico que Mbappé tenha sido protagonista de momentos que poderiam definir a carreira de qualquer jogador. Ao invés de abrir portas para a Bola de Ouro, as duas Copas do Mundo evidenciaram a dificuldade de transformar grandes atuações em conquistas individuais. Em 2018, Modric possuía os títulos e a narrativa de uma temporada excepcional; em 2022, Messi viveu o final que buscava há anos.
De PSG para o Real Madrid: a ausência da Champions que pesa
Se havia um caminho claro para Mbappé conquistar a Bola de Ouro, ele passava pela Champions League. O atacante deixou o PSG em 2024 e se transferiu para o Real Madrid, um clube que construiu parte significativa de sua história recente em torno do domínio europeu.
A mudança parecia oferecer o cenário ideal. Em Madri, ele estaria cercado por outros jogadores de elite e teria a chance de disputar os títulos que costumam fortalecer candidaturas individuais. Contudo, a transferência também trouxe uma nova pressão: não bastava continuar a marcar gols, era necessário ajudar a transformar o talento do elenco em conquistas.
A Champions League se tornou uma ausência simbólica. Mbappé chegou a um time que já havia conquistado o torneio diversas vezes, enquanto o PSG, equipe que ele deixou, finalmente levantou a taça pela primeira vez após sua saída. A equipe francesa conquistou o título em 2025 e voltou a vencer em 2026, aumentando a sensação de que o atacante perdeu a chance de fazer parte do momento mais importante da história do clube anterior.
Kylian Mbappé durante cerimônia da Bola de Ouro (Foto: Imago/Xinhua)
Isso não significa que a Champions seja um requisito formal para levar a Bola de Ouro. Modric foi premiado em 2018, Benzema em 2022 e Rodri em 2024, em contextos diferentes, mas os títulos coletivos tiveram um peso significativo em suas candidaturas. O prêmio é individual, no entanto, os votantes frequentemente consideram o que o jogador ajudou a conquistar por clube e seleção.
É justamente nesse aspecto que a candidatura de Mbappé enfrenta seu maior desafio. O francês pode ter números superiores a outros concorrentes em determinadas competições, mas o futebol também é avaliado pela habilidade de levar uma equipe ao sucesso. Na temporada 2025/26, o Real Madrid terminou sem títulos, enquanto a França foi eliminada nas semifinais da Copa do Mundo.
O tempo ainda está a favor de Mbappé?
Aos 27 anos, Mbappé ainda possui tempo para conquistar a Bola de Ouro. Não é necessário transformar a ausência do troféu em uma condenação sobre sua carreira, que já conta com uma Copa do Mundo, finais memoráveis e números históricos. A trajetória de outros grandes jogadores também mostra que o reconhecimento individual não chega necessariamente no momento esperado.
Entretanto, o francês carrega uma expectativa distinta. Desde a adolescência, foi apresentado como alguém destinado a dominar o futebol mundial. A cada temporada sem o prêmio, a distância entre essa previsão e a realidade se torna mais clara. Não porque seu talento tenha desaparecido, mas porque a concorrência continua a produzir temporadas excepcionais.
Há ainda uma questão de contexto. Messi e Cristiano Ronaldo mantiveram seu domínio da Bola de Ouro por mais tempo do que se imaginava. Após eles, Modric, Benzema, Rodri e Dembélé venceram em temporadas em que suas atuações e conquistas coletivas sustentaram suas candidaturas. Mbappé se manteve entre os protagonistas, mas ainda não conseguiu reunir, no mesmo ano, o desempenho individual e o cenário coletivo que convenceram os votantes.
A edição de 2026 representa mais uma oportunidade, embora a falta de títulos do Real Madrid e da França dificulte sua candidatura diante de rivais que conquistaram competições importantes. Se o francês não conseguir levar o prêmio, não será por falta de gols ou grandes atuações. Será mais um lembrete de que, na disputa pela Bola de Ouro, talento e números são cruciais, mas nem sempre são suficientes para construir a candidatura mais forte.
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