Porto Velho amanheceu mais silenciosa nesta quarta-feira (26). A Prefeitura Municipal confirmou, com profundo pesar, o falecimento de Paulo da Costa Ramos, servidor público, ferroviário veterano e uma das mais importantes memórias vivas da histórica Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM). A morte ocorreu em decorrência de complicações de saúde, encerrando uma trajetória que se confunde com a própria construção da identidade cultural de Rondônia.
Nascido em 14 de janeiro de 1947, no coração da ferrovia, Paulo carregava nos trilhos não apenas o trabalho, mas o sentido da vida. Sua trajetória como chefe de trem, maquinista e condutor de locomotiva fez dele um personagem indispensável para compreender a história da Madeira-Mamoré — símbolo de resistência, desenvolvimento e memória para gerações de rondonienses.
Uma vida ligada aos trilhos
Com mais de cinco décadas de dedicação, Paulo da Costa Ramos foi respeitado pela habilidade técnica, disciplina e, principalmente, pela paixão com que desempenhava cada função. Mais do que um profissional, ele era um contador de histórias vivas — daqueles que transformam lembranças em patrimônio.
Em janeiro de 2025, com a municipalização de ações de preservação da EFMM, Paulo foi incorporado à equipe da Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer (Semtel). Ali, continuou contribuindo com sua vasta experiência, auxiliando nos processos de reconstrução da memória ferroviária e servindo como referência para jovens profissionais, estudantes e pesquisadores.
Guardião da EFMM e protagonista da preservação
“Com amor pela história e compromisso com a preservação da memória ferroviária”, como destaca a Prefeitura, Paulo participou diretamente de conquistas recentes que reacenderam o orgulho da população. Entre elas, o retorno da Litorina e da Locomotiva 18, marcos celebrados em 2025 e que simbolizaram um novo capítulo na revitalização da Madeira-Mamoré.
Sua presença nesses eventos emocionou antigos colegas e moradores de Porto Velho, reforçando sua imagem como um verdadeiro guardião da EFMM. Em cada foto, cada depoimento e cada trilho reconquistado, estava lá Paulo — testemunha e protagonista da memória que teima em não desaparecer.
Legado eterno
A partida de Paulo da Costa Ramos representa mais que a perda de um servidor ou ferroviário: é o fechamento de um ciclo histórico, vivido por poucos e admirado por muitos. Sua trajetória — do nascimento ao lado dos trilhos ao último dia de trabalho dedicado ao patrimônio ferroviário — deixa um legado de honra, identidade e amor pela Madeira-Mamoré.
Porto Velho perde um de seus maiores símbolos, mas a EFMM mantém viva a memória desse ferroviário cuja vida foi, ela mesma, um trilho de histórias.
📄 TEXTO: Felipe Astor
📝 DRT: 0002310/RO
🏛️ FONTE: Prefeitura de Porto Velho
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