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Produtores de algodão reduzem uso de defensivos e água, mostra, relatório

Levantamento da Better Cotton, padrão adotado por produtores responsáveis por quase 24% da produção mundial, reúne nove anos de dados; entre pequenos agricultores, 59% melhoraram a renda líquida

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Produtores de algodão reduzem uso de defensivos e água, mostra, relatório
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Produtores de algodão que adotam o padrão da Better Cotton Initiative (BCI), iniciativa global que estabelece critérios ambientais, sociais e econômicos para a produção, reduziram o uso de fertilizantes nitrogenados, defensivos, água e a pegada de carbono ao longo dos anos de participação, segundo o primeiro relatório global de impacto da organização em cinco anos.

Na temporada 2024/25, produtores vinculados à BCI produziram 6,1 milhões de toneladas de algodão, o equivalente a 23,87% da produção mundial, segundo a organização. No mesmo período, a BCI afirma ter apoiado 1,4 milhão de produtores de algodão.

A Better Cotton reúne integrantes de diferentes elos da cadeia, incluindo produtores e organizações de produtores, fornecedores, fabricantes, marcas, varejistas e entidades da sociedade civil. A organização informa ter mais de 2,5 mil membros.

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O padrão estabelece práticas para o cultivo do algodão com menor impacto ambiental e melhores condições sociais e econômicas. Entre os temas acompanhados estão manejo de pragas, uso de fertilizantes, água, solo, biodiversidade e condições de trabalho.

No Brasil, a BCI tem uma parceria com a Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão). O programa brasileiro ABR — Algodão Brasileiro Responsável é reconhecido como equivalente ao padrão da Better Cotton.

Nove anos de resultados

O relatório reúne nove anos de dados de campo e acompanha a evolução dos indicadores entre agricultores que passaram a adotar o padrão BCI.

Desde a entrada no programa, 69% dos agricultores reduziram o uso de nitrogênio sintético por quilo de algodão, enquanto 65% reduziram o uso de princípio ativo de pesticidas sintéticos por hectare.

A pegada de carbono foi reduzida por 54% dos produtores. Nas fazendas totalmente irrigadas, 52% reduziram a quantidade de água de irrigação aplicada por quilo de algodão.

O relatório também apresenta um resultado econômico: 59% dos pequenos produtores melhoraram a renda líquida obtida com o algodão.

Resultado da safra 2024/25

Além da série histórica, o relatório compara os resultados da temporada 2024/25 com a safra anterior. Nesse intervalo, os produtores reduziram em 61% o uso de nitrogênio sintético por quilo de algodão, em 40% o uso de princípio ativo de pesticidas sintéticos por hectare e em 43% a quantidade de água de irrigação aplicada por hectare.

A pegada de carbono caiu 49%.

A BCI ressalta, porém, que os resultados não são uniformes em todos os sistemas de produção. No controle de pragas, por exemplo, houve avanços importantes em muitos contextos de agricultura de pequena escala, mas os resultados ainda não aparecem de maneira consistente entre grandes propriedades.

Como funciona no Brasil

No Brasil, o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), é reconhecido pela BCI como equivalente ao seu padrão. A dimensão brasileira é relevante. Na safra 2023/24, 440 fazendas certificadas pelo programa ABR produziram mais de 3 milhões de toneladas de algodão reconhecido como Better Cotton, volume equivalente a mais de 83% da produção brasileira naquele ciclo.

A equivalência entre os programas passou por atualização em 2026 em razão da revisão do padrão internacional da Better Cotton. Segundo a organização, os produtores brasileiros que aderiram ao programa ABR/BCI na safra 2025/26 continuam reconhecidos como equivalentes ao padrão da BCI enquanto o processo de avaliação avança.

Isso coloca o Brasil em uma posição relevante dentro da iniciativa global, já que uma parcela expressiva do algodão brasileiro está vinculada a um sistema de produção reconhecido pela BCI.

Mulheres e investimentos

O relatório também mostra avanço na participação feminina na estrutura do programa. As mulheres passaram a ocupar 17% dos cargos de facilitação de campo e gestão de unidades de produtores, ante 9% cinco anos atrás.

Na temporada 2024/25, o Growth and Innovation Fund (GIF), fundo da BCI voltado ao apoio aos produtores, destinou 18,5 milhões de euros a iniciativas no setor. Desse total, 17,8 milhões de euros foram direcionados a pequenos produtores, alcançando 1,5 milhão de trabalhadores de campo, segundo a organização.

A BCI afirma coletar mais de 20 milhões de pontos de dados por ano para acompanhar os resultados ambientais, econômicos e sociais dos produtores participantes.

 

 

FONTE/CRÉDITOS: fernandapressinott

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