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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026

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Raphinha pode reverter a situação na seleção brasileira após destacada fase no Barcelona?

Existem momentos em que um atleta parece estar atuando em outro nível. Raphinha vive um desses momentos. Em suas oito partidas pelo Barcelona na temporada 2026/27, ele marcou 14 gols e ofereceu três assistências, assumiu a capitania e se tornou a principal figura de um time que triunfou em todos os jogos até agora.

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Por Estadão Rondônia
Raphinha pode reverter a situação na seleção brasileira após destacada fase no Barcelona?
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Voando no Barcelona, Raphinha pode virar a página na seleção brasileira?

Existem momentos em que um jogador se destaca de tal forma que parece estar jogando em outra liga. Atualmente, Raphinha é um desses jogadores. Na temporada 2026/27, em suas oito partidas pelo Barcelona, o brasileiro anotou 14 gols e assistiu três vezes, tornou-se capitão da equipe e se firmou como a principal figura de um grupo que venceu todos os confrontos até agora.

O número de gols é impressionante por si só. Porém, o contexto torna essa marca ainda mais notável: trata-se do melhor início de temporada por um jogador na história do Barcelona, superando os inícios de Lionel Messi, e Raphinha já havia estabelecido um recorde ao marcar nas quatro primeiras rodadas de LaLiga.

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Diante disso, uma questão surge entre Barcelona e Seleção: será que o jogador que brilha na Catalunha poderá levar esse desempenho ao mesmo nível com a camisa do Brasil?

De novidade para titular na Copa do Mundo

Raphinha já trilhou um caminho oposto, algo que muitos esquecem. Ao ser convocado pela seleção brasileira, ele rapidamente ganhou espaço sob o comando de Tite e, por períodos, apresentou um futebol mais convincente pelo Brasil do que pelo Barcelona. Agora, aos 29 anos, após uma temporada 2024/25 que o posicionou entre os melhores do mundo, ele inicia um novo ciclo sob Ancelotti em uma fase diferente.

O crescimento de Raphinha na Seleção foi vertiginoso. Ele fez sua primeira convocação em 2021, após se destacar no Leeds, e, na estreia contra a Venezuela, deu duas assistências. Logo em seguida, marcou duas vezes contra o Uruguai. Em menos de um ano, ele já era titular da Seleção.

Porém, sua participação na Copa do Mundo não atendeu às expectativas geradas pelo ciclo. Embora tenha sido titular e participado de cinco jogos no Qatar, terminou o torneio sem gols ou assistências. Mesmo sem contribuir diretamente no ataque, ele teve um papel defensivo importante e estava bastante envolvido nas partidas.

Raphinha na Copa do Mundo de 2022 (Raphinha na Copa do Mundo de 2022 (Foto: IMAGO / Agencia-MexSport)

A impressão deixada foi a de um atacante que poderia ter feito mais. Isso ajuda a compreender as cobranças que Raphinha enfrentaria nos anos seguintes: ele conquistou seu espaço na Seleção ainda antes de se estabelecer como um dos grandes jogadores no clube, mas precisava transformar essa importância em atuações marcantes em jogos decisivos. O paradoxo se tornou mais evidente quando sua trajetória no Barcelona começou a mudar.

Nos primeiros anos na Catalunha, Raphinha foi um jogador importante, porém irregular. Ele se juntou ao Barcelona em 2022 e concluiu a primeira temporada com 10 gols e 12 assistências em todas as competições, repetindo a marca de 10 gols na temporada 2023/24. Embora esses números sejam bons, estavam distantes do status de estrela que sua contratação sugeria. Enquanto isso, na Seleção, continuava a receber confiança e a ter momentos de destaque.

A verdadeira transformação ocorreu na temporada 2024/25, quando Hansi Flick começou a explorar suas características de forma mais radical. Raphinha anotou 34 gols e fez 25 assistências em 57 jogos nessa temporada, sendo eleito o melhor jogador de LaLiga e figurando entre os principais concorrentes ao prêmio da Bola de Ouro.

O atleta que durante anos foi visto como um ponta talentoso, mas irregular, tornou-se uma estrela mundial.

Mudanças em Raphinha e as dificuldades da Seleção

A transformação não se restringiu apenas aos números. Flick concedeu a Raphinha uma liberdade que o brasileiro transformou em um elemento central de sua atuação. Em vez de se restringir à esquerda ou direita, ele passou a circular por áreas interiores, atacar a área e participar da construção das jogadas. A temporada 2024/25 demonstrou que ele poderia ser muito mais do que um ponta que recebe aberto e parte para cima do lateral.

Agora, em 2026/27, a mudança alcançou um novo patamar. Com a saída de Robert Lewandowski e a não contratação de Julián Alvarez, Flick encontrou em Raphinha uma solução para o centro do ataque. O brasileiro passou a atuar como falso 9, com liberdade para sair da referência, fazer combinações com Lamine Yamal e atacar a área de posições variadas. Essa mudança o deixou ainda mais próximo das zonas decisivas.

Os números são consequência dessa alteração. Raphinha já contabiliza 14 gols e três assistências em oito partidas nesta temporada, sendo 12 gols em sete rodadas de La Liga e dois na Champions. Na prática, ele participa diretamente de mais de dois gols por jogo. Embora seja um ritmo difícil de manter ao longo de uma temporada, é uma demonstração suficientemente forte para indicar que o jogador alcançou um nível diferente.

Raphinha em jogo do BarcelonaRaphinha em jogo do Barcelona (Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire)

O desafio para a Seleção é que ela não replica automaticamente o contexto do Barcelona. O Brasil não possui a mesma estrutura ofensiva, carece de jogadores como Yamal, Pedri e os sistemas de Flick ao redor de Raphinha e, principalmente, não mantém a posse de bola em zonas altas tanto quanto o Barcelona. O brasileiro pode ser posicionado na mesma função tática, mas isso não quer dizer que terá a mesma quantidade de oportunidades para atacar a área ou fazer combinações internas.

Esse foi um ponto abordado por Raphinha antes da Copa de 2026. Ao ser questionado sobre as diferenças entre seu desempenho no Barcelona e na Seleção, ele não hesitou em admitir a cobrança. “Eu já consegui entregar muito pela Seleção, sim. Obviamente que não podemos ser hipócritas e falar que foi igual ao clube”, ele afirmou na ocasião.

O atacante reconhece que as situações são distintas, mas também entende que há uma responsabilidade individual. Agora, um novo elemento se apresenta que não existia quando iniciou sua trajetória com Tite: Raphinha já sabe que pode ser o protagonista em uma equipe de elite.

Desafios de Ancelotti para descobrir o verdadeiro Raphinha

A experiência de Raphinha sob o comando de Ancelotti também merece ser analisada com cautela. O italiano assumiu a Seleção em junho de 2025 e, desde o início, demonstrou confiança no atacante. Raphinha foi convocado na primeira lista e tratado como um jogador importante no novo projeto. No entanto, essa continuidade foi interrompida diversas vezes.

Raphinha perdeu a convocação de outubro de 2025 devido a uma lesão, e Ancelotti reconheceu que lesões estavam afetando as seleções. Em março de 2026, o atacante foi desconvocado novamente após uma lesão muscular na parte posterior da coxa direita durante um amistoso contra a França. A CBF confirmou o problema por exames clínicos.

O mesmo problema aconteceu na Copa do Mundo. Raphinha sentiu a parte posterior da coxa direita durante a partida contra o Haiti, precisou ser substituído ainda no primeiro tempo e ficou fora da próxima partida. Quando retornou, contra a Noruega, estava disponível apenas como reserva e Ancelotti admitiu que o jogador não estava em sua melhor forma. O atacante não entrou em campo na eliminação do Brasil nas oitavas de final.

Esse histórico altera a interpretação sobre o desempenho de Raphinha sob Ancelotti. Em aproximadamente um ano e meio de trabalho, dificilmente houve um período prolongado no qual treinador e jogador conseguiram desenvolver uma função ofensiva com o brasileiro em plenas condições físicas.

Raphinha não perdeu espaço por não ser considerado importante. Em vários momentos, ele simplesmente não estava disponível ou não estava em condições ideais. Isso ocorreu justamente quando o jogador estava passando pela maior transformação tática de sua carreira no Barcelona.

Mudanças na relação com a torcida

A relação de Raphinha com a torcida brasileira também passou por transformações. Quando surgiu na Seleção, ele foi uma agradável surpresa. Vindo do Leeds, não carregava o peso de outros grandes nomes e rapidamente conquistou espaço pela energia e personalidade que demonstrava. Em 2022, chegou à Copa como titular.

Nenhum episódio talvez represente melhor essa relação do que a entrevista que concedeu a Romário antes do clássico contra a Argentina, em março de 2025. Raphinha declarou que daria “porrada neles”, dentro e fora de campo, se necessário para defender o Brasil. A declaração teve grande repercussão, especialmente após a Argentina vencer por 4 a 1.

Raphinha é titular da seleção brasileira com AncelottiRaphinha é titular da seleção brasileira com Ancelotti (Foto: Harry Langer/DeFodi Images via Imago)

Esse episódio é significativo não tanto pela frase em si, mas pelo que ela revelava sobre a imagem de Raphinha naquele período. Ele queria ser um jogador que se identificasse com a Seleção, alguém que assumisse responsabilidades e não se escondesse. Atualmente, a situação é diferente. Raphinha não precisa mais provar a ninguém que pertence à elite do futebol.

A temporada 2024/25 já estabeleceu isso, e o início de 2026/27 elevou ainda mais esse argumento. O desafio agora é fazer com que a camisa da Seleção volte a transmitir a mesma sensação. O Brasil inicia um novo ciclo após uma Copa decepcionante e uma série de mudanças. Ancelotti optou por manter Raphinha como um dos pilares da equipe para os amistosos contra Austrália e Índia, mesmo promovendo uma reformulação do elenco e dando chances a nove jogadores que não haviam sido convocados para o Mundial.

O italiano continua vendo o atacante como uma peça fundamental na reconstrução. Além disso, há uma nova oportunidade: o Brasil não precisa moldar Raphinha para que ele se torne uma cópia do jogador do Barcelona. O que precisa ser feito é entender quais características do Raphinha que brilha na Catalunha podem ser incorporadas à Seleção.

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