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A trajetória de brasileiros no Barcelona não é apenas um breve capítulo na história do clube. Os jogadores nascidos no Brasil são uma parte decisiva do que é ser culé e da construção da imagem dos catalães pela criatividade e técnica no jogo. Não à toa, atualmente, o atleta mais decisivo do Barça é um brasileiro: Raphinha.
O atacante tem feito história nos Culés, sendo o primeiro do país a ser o capitão do time. Recentemente, o jornalista espanhol Raúl Varela apontou que ele “está a ponto de se tornar o melhor brasileiro” a vestir as cores azul e grená.
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Com a renovação até 2030 encaminhada, o atacante, se cumprir o vínculo até o fim, completará oito anos na Catalunha e pode sonhar em se tornar um dos brasileiros com mais jogos pelo clube — tem 185; Daniel Alves, com 408, é o líder. Já tricampeão de La Liga, também almeja o título da Champions League e, se mantiver o nível do início da atual temporada, com 14 gols em oito partidas, por que não almejar ser eleito o melhor do mundo.
A questão é que, neste momento, ainda é cedo para cravar Raphinha como o melhor brasileiro de todos os tempos no Barça. Não porque não seja um dos grandes. A questão é o tamanho da concorrência e o lastro histórico que vai além do desempenho em campo. A Trivela lista os seis maiores brasileiros da história do Barcelona.
Quem são os maiores brasileiros da história do Barcelona
6. Ronaldo Fenômeno
Aqui, um dos três brasileiros que foram eleitos melhores do mundo na Catalunha. Só uma temporada do Fenômeno no Barcelona serviu para colocá-lo entre os maiores jogadores do Brasil que já vestiram azul e grená. Em 1996/97, um jovem Ronaldo Nazário, ainda sem problemas no joelho, só não fez chover.
Foram incríveis 47 gols e 13 assistências em 49 jogos. Arrancadas, pedaladas, dribles mágicos, muitos goleiros superados e lances que até hoje estão no imaginário de quem ama o futebol. No quesito individual, foi um dos anos mais impressionantes já feitos por um atleta.
Os títulos, mesmo tímidos (Copa do Rei, Supercopa da Espanha e a extinta Recopa Europeia), não apagaram os feitos individuais, e o brasileiro terminou o ano com a Chuteira de Ouro pelos 34 tentos só pelo Campeonato Espanhol e como o melhor do mundo pela Bola de Ouro, até hoje o mais jovem, com apenas 21 anos, 3 meses e 5 dias.
A passagem, que poderia ser ainda mais histórica, durou apenas um ano. Ele trocou o Barça pela Internazionale por um valor recorde à época, 24 milhões de euros.
5. Romário
O “Baixinho” teve um ano e meio intenso em Barcelona. É um período de muitos gols, lances memoráveis e até histórias folclóricas, como quando teria conseguido a liberação do técnico Johan Cruyff para ir curtir o carnaval depois de marcar dois ou três vezes só no primeiro tempo — história contada pelo jogador e pelo treinador, mas não confirmada pelos registros históricos.
Romário chegou em 1993/94 como a peça para o Barça tentar voltar a vencer a Champions League e quase conseguiu: levou a equipe para a decisão europeia, mas foram amassados pelo Milan, 4 a 0. O atacante, porém, teve êxito absoluto no Campeonato Espanhol.
Como artilheiro, com 30 gols, o brasileiro acumulou atuações históricas. Os rivais de Madrid que o digam. O Real tomou um hat-trick, com um golaço em um drible que até hoje Rafael Alkorta não entendeu o que aconteceu. O Atlético, no primeiro e no segundo turno, sofreu três gols do atacante brasileiro.
Era o “esquenta” para a Copa do Mundo de 1994, na qual o Baixinho seria novamente protagonista, campeão e, no fim, terminou aquela temporada como o melhor jogador do mundo pela Fifa — a Bola de Ouro ainda não premiava europeus, mas, em versão revisada, ele foi reconhecido em 2014.
Depois do tetra, o atacante ficou só até janeiro de 1995 no Barça até a mudança para o Flamengo.
4. Rivaldo
A partir do meio de 1997, como um substituto de Ronaldo, Rivaldo construiu uma linda trajetória de cinco temporadas pelos Culés. É o maior artilheiro brasileiro com 130 gols e o segundo com mais jogos (235). Mesmo que para o torcedor culé Romário e Ronaldo possam ter sido mais mágicos, o pernambucano foi mais regular e duradouro.
Com o Barça, ele mudou o patamar de sua carreira. Tornou-se um dos melhores do mundo e ganhou, com muita luta, o status que merecia na seleção brasileira até o título na Copa do Mundo de 2002.
O meia conquistou La Liga nos dois primeiros anos pelo clube. Em 1998/99, com o papel decisivo no título nacional e na Copa América com o Brasil, garantiu o prêmio de melhor do mundo da Fifa e da Bola de Ouro após 35 gols e 23 assistências.
Mesmo que não tenha voltado a ser premiado individualmente ou campeão nacional, Rivaldo seguiu fazendo história até 2002. Na temporada 2000/01, fez o ano mais artilheiro de toda sua carreira, com 36 tentos, um deles a icônica bicicleta, completando um hat-trick em vitória sobre o Valencia que garantiu vaga na Champions League do ano seguinte. Um lance que ilustra o tamanho da passagem do craque na Catalunha.
3. Evaristo de Macedo
A relação próxima de Barcelona e Brasil começou com Evaristo de Macedo. Ele não foi o primeiro brasileiro a defender a equipe (foi Fausto dos Santos, em 1931), mas é definitivamente quem inaugurou o sucesso verde e amarelo na Catalunha.
Contratado do Flamengo em 1957, o então atacante brilhou em cada uma das cinco temporadas que fez no Barça, entregando sempre 17 gols ou mais. No total, foram 105 gols em 148 jogos oficiais, média muito alta, e terminou com cinco títulos importantes: dois do Campeonato Espanhol, duas da extinta Taça das Cidades com Feiras e uma Copa do Generalíssimo (atual Copa do Rei).
De uma outra era, Evaristo é um enorme ídolo culé e é guardado com carinho pelo torcedor por um lance histórico. Nas semifinais da Copa dos Campeões da Europa, atual Champions, o atacante marcou o gol que eliminou o rival Real Madrid nas oitavas de final na temporada 1960/61. Os Merengues eram os atuais pentacampeões e jamais haviam sido eliminados.
Até encontrar o brasileiro, que voltou a marcar nas quartas (um contra o Hradec Kralove) e semifinais (dois sobre o Hamburgo). Na decisão, a primeira da história do Barça, porém, o Benfica do técnico Béla Guttmann e do meia Mário Coluna conquistou o primeiro dos dois títulos europeus em sequência.
— Me adaptei rapidamente na Catalunha porque fui muito bem recebido pelos clubes, companheiros de equipe e torcedores — contou o ex-jogador à Trivela em maio deste ano.
Ironicamente, Evaristo trocou o Barça pelo Real Madrid em 1962, depois de recusar-se a naturalizar espanhol. Em dois anos na capital espanhola, conquistou mais dois títulos espanhóis, mas fez apenas 19 partidas por questões físicas.
2. Neymar
Mesmo não sendo o melhor do mundo nem o protagonista do time em seus quatro anos em Barcelona, Neymar marcou uma geração. O craque brasileiro, ao lado de Lionel Messi e Luis Suárez, formou um trio para a eternidade que chegou ao seu auge em 2015, quando o time conquistou a Tríplice Coroa.
Mas o camisa 11 não ficou apenas na sombra do gênio argentino. Unindo dribles mágicos e muita objetividade para participar de gols, Ney teve seus momentos de ser o mais decisivo. Na campanha da conquista da Champions, até hoje a última dos Culés, fez sete gols só no mata-mata, incluindo na final contra a Juventus.
Nas quartas da Liga dos Campeões 2016/17, veio a maior prova de que, quando Messi não brilhava, lá estava Neymar pronto para chamar a responsabilidade. Após perder a ida por 4 a 0 para o PSG, o brasileiro colocou a bola debaixo do braço na volta.
O Camp Nou viu, provavelmente, a maior atuação da carreira dele: sofreu pênalti, converteu, marcou golaço de falta e colocou a bola na cabeça de Sergi Roberto para fazer a virada mais marcante da história do torneio, 6 a 1.
No dia seguinte à classificação, porém, o maior craque brasileiro desta geração não estava nas capas dos jornais. Todos exaltavam, na verdade, Messi, que teve participação menor, só com um gol de pênalti e 40 ações com bola a menos que Neymar.
Muitos apontam que esse foi o motivo do jogador optar por ir ao PSG meses depois, encerrando sua passagem na Catalunha. A carreira de Neymar virou um eterno “e se?”, projetando como seria se ele ficasse no Barça, porque, apesar de atingir o auge técnico na França, foi lá que começou sua derrocada física.
1. Ronaldinho Gaúcho
Será muito difícil que alguém tire o posto do “Bruxo”. Ronaldinho Gaúcho fechou com o Barcelona em outros tempos. Era 2003. O clube vivia uma enorme crise — financeira e institucional — quatro anos sem conquistar títulos e com contratações questionáveis, enquanto o rival Real vivia a era Galáctico. A última e única Champions havia sido em 1992.
Cinco anos de R10 depois, tudo se inverteu. O craque brasileiro devolveu a magia, o brilho, a alegria e, principalmente, os títulos para a Catalunha. Canetas, elásticos, carretilhas, dribles da vaca. A Espanha jamais viu tanto repertório em fintas em um jogador. O Camp Nou, todo final de semana, era palco de um espetáculo que vive até hoje no imaginário de milhões de fãs de futebol.
Mas não era só de drible que vivia o jogador revelado pelo Grêmio. Seu momento mais lembrado, inclusive, foi como artilheiro: em 2005, marcou dois gols em pleno Santiago Bernabéu que obrigaram a torcida do Real Madrid a aplaudi-lo. Um deles, deixando adversários no chão e concluindo na área. No total, ele balançou as redes 105 vezes, segundo brasileiro com mais gols, junto de Evaristo.
Dá para dizer que o Barcelona só é o que é hoje por Ronaldinho e seus colegas da época, incluindo o treinador por toda a passagem, Frank Rijkaard. Até por isso, é o maior brasileiro de todos os tempos dos Culés.