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Sexta-feira, 17 de Julho de 2026

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Restrições chinesas a terras raras ameaçam indústria global em US$ 6,5 tri

IEA calcula impacto potencial sobre montadoras, empresas de tecnologia, defesa e energia; relatório aponta Brasil entre países capazes de ampliar oferta fora da China

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Restrições chinesas a terras raras ameaçam indústria global em US$ 6,5 tri
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A aplicação integral das restrições anunciadas pela China para as exportações de terras raras poderia colocar em risco US$ 6,5 trilhões por ano em produção industrial fora do país, segundo a IEA (Agência Internacional de Energia).

O impacto alcançaria setores como o automotivo, o eletrônico, o aeroespacial, a defesa, os data centers e a geração de energia eólica. A estimativa considera o valor das cadeias produtivas que dependem dos minerais e de componentes fabricados com eles, e não apenas o tamanho do mercado de terras raras.

Os dados fazem parte do Global Critical Minerals Outlook 2026, relatório anual da agência sobre oferta, demanda, investimentos e riscos geopolíticos relacionados aos minerais críticos, divulgado na última quinta-feira (16).

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“A implementação integral dessas medidas poderia colocar em risco cerca de US$ 6,5 trilhões por ano em produção industrial fora da China, nos setores automotivo, de alta tecnologia, defesa e energia”, diz o relatório.

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Na avaliação da IEA, 2025 foi o ano em que os riscos associados à concentração das cadeias minerais deixaram de ser apenas uma preocupação teórica e começaram a provocar efeitos econômicos em larga escala.

Em abril daquele ano, o governo chinês estabeleceu controles sobre a exportação de sete elementos de terras raras pesadas. As restrições dificultaram o acesso de empresas estrangeiras aos materiais e levaram algumas montadoras a reduzir o ritmo de produção ou interromper temporariamente operações.

As medidas foram ampliadas em outubro, quando a China anunciou que poderia alcançar até produtos fabricados em outros países, desde que contivessem terras raras chinesas ou tivessem sido produzidos com tecnologias originárias do país.

A implementação dessa segunda rodada foi suspensa por um ano, até novembro de 2026. A IEA, porém, afirma que a vulnerabilidade permanece e usa a aplicação integral das restrições para estimar a dimensão da produção industrial exposta.

A maior parcela do impacto potencial está concentrada nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e na Coreia do Sul. Por setor, a indústria automotiva representa a maior parte do valor ameaçado, seguida por eletrônicos, defesa e servidores de data centers.

As terras raras são utilizadas na fabricação de ímãs permanentes de alta potência. Esses componentes estão presentes em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs industriais, equipamentos militares, eletrônicos e máquinas usadas na produção de semicondutores.

Apesar do nome, esses elementos não são necessariamente escassos na natureza. O principal problema está na concentração da mineração, da separação química, da fabricação de metais e da produção de ímãs em um número reduzido de países, especialmente na China.

Segundo a IEA, a China concentrava cerca de 60% da mineração mundial das terras raras utilizadas em ímãs em 2025. A participação era ainda maior no refino, próximo de 85%, mesmo após uma pequena redução na comparação com o ano anterior.

A agência avalia que as novas restrições transformaram o domínio chinês em uma ferramenta com capacidade de afetar diretamente cadeias industriais espalhadas pelo mundo.

O movimento não está limitado às terras raras. Desde 2023, o número de códigos tarifários de minerais submetidos a controles de exportação pela China triplicou.

Em outubro de 2025, Pequim também anunciou medidas sobre pontos estratégicos da cadeia de baterias, incluindo materiais catódicos, precursores, grafite para ânodos, máquinas e tecnologias utilizadas na fabricação.

Uma interrupção completa do comércio de grafite de grau-bateria poderia colocar em risco mais de US$ 300 bilhões em produção anual fora da China, segundo a agência.

Outros grandes países produtores também adotaram restrições. A República Democrática do Congo criou cotas para a exportação de cobalto, enquanto Zimbábue e Moçambique estabeleceram medidas sobre o comércio de lítio e grafite.

Para a IEA, o episódio mostra como mercados minerais relativamente pequenos podem sustentar atividades econômicas de valor muito maior. As terras raras representam uma parcela reduzida do preço final de um automóvel, por exemplo, mas a ausência de um ímã específico pode impedir a fabricação do veículo inteiro.

A agência defende que governos, empresas e consumidores aceitem pagar uma espécie de “prêmio de segurança mineral” para financiar cadeias mais diversificadas, ainda que a produção fora dos fornecedores dominantes seja mais cara.

Por isso, a IEA afirma que apenas as forças de mercado dificilmente serão suficientes para criar alternativas. Entre os instrumentos sugeridos estão empréstimos subsidiados, garantias públicas, participação acionária dos governos, contratos de compra, pisos de preços e mecanismos que cubram parte da diferença de custo.

“Os governos estão assumindo um papel mais ativo na redução dos riscos dos projetos e na mobilização de capital privado. Os compromissos de financiamento público nas economias avançadas chegaram a cerca de US$ 65 bilhões em 2025, mais de quatro vezes o valor registrado em 2023”, diz a IEA.

Brasil ganha espaço em projetos de terras raras

O Brasil aparece no relatório entre os países capazes de ampliar a mineração de terras raras fora da China nos próximos anos.

No cenário mais otimista da IEA, a produção mundial desses minerais fora da China quase triplicaria até 2035. O crescimento seria liderado por Austrália e Estados Unidos, com contribuições adicionais de Brasil, Índia, Tanzânia, Laos e outros produtores menores.

Caso todos os projetos anunciados sejam entregues dentro do prazo, a participação chinesa na mineração das terras raras magnéticas poderia recuar de aproximadamente 60% em 2025 para 45% em 2035.

Seria a primeira vez em décadas que a China ficaria abaixo da metade da produção mineral global dos elementos analisados pela agência: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.

O avanço seria menor no refino. Mesmo no cenário de maior produção, a China ainda responderia por cerca de 70% do processamento mundial em 2035.

O descompasso mostra que novos países podem ganhar participação na extração sem necessariamente avançar na mesma proporção sobre a separação dos elementos, a produção dos metais e a fabricação dos ímãs.

No caso brasileiro, a IEA afirma que o país está “na vanguarda” do desenvolvimento de projetos em depósitos de argilas de adsorção iônica.

Nesse tipo de depósito, os elementos de terras raras estão ligados à superfície das partículas de argila e podem ser recuperados por processos químicos. A rota tende a exigir menos britagem e moagem que projetos em rocha dura, embora ainda apresente desafios ambientais e tecnológicos.

 

 

FONTE/CRÉDITOS: gabrielgarcia
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