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Quinta-feira, 23 de Abril de 2026

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Rio Fashion Week: quais os destaques da semana de moda carioca?

Após uma pausa de 10 anos, o Rio de Janeiro voltou a receber uma temporada fashion ao longo de cinco dias

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Rio Fashion Week: quais os destaques da semana de moda carioca?
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Após um hiato de dez anos, o Rio de Janeiro voltou a ter uma semana de moda. Ao longo de cinco dias, entre 14 e 18 de abril, o Rio Fashion Week reuniu um público de aproximadamente 30 mil pessoas, 20 desfiles e mais de 1000 looks apresentados em quilômetros de passarelas.

Diretamente do Píer Mauá, no centro da cidade, marcas como Misci, Hisha, Aluf, Isabela Capeto, Adidas, Blue Man e Dendezeiro compartilharam suas identidades criativas, movimentando a cena fashion.

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Por lá, jornalistas, influenciadores e formadores de opinião celebraram não apenas a indústria carioca, como a pluralidade da moda nacional. À CNN Brasil, Fabi Mazzer, curadora de moda, conta que o Rio não voltou só como semana de moda, mas como vitrine cultural do Brasil.

“Nessa temporada, ficou claro um movimento de reposicionamento: a cidade busca ampliar sua relevância não apenas por meio de tendências, que também vieram com presença, mas também com identidade. A brasilidade apareceu não só como inspiração, mas também como construção”, diz.

Na passarela do Rio Fashion Week

Artesanal e regionalismo

De acordo com Fabi, matérias-primas naturais, cultura local e referências regionais foram alguns dos elementos que apareceram com força, indicando um olhar cada vez mais atento ao artesanal como valor de produto.

Bordados, crochês, tramas e acabamentos feitos à mão deixaram de ser detalhes e passaram ao centro das coleções. Isso se traduziu nos códigos visuais: atmosfera praiana com o urbano e alfaiataria com casualidade são misturas que simplesmente aconteceram.

“Pudemos ver isso nas composições das marcas que trouxeram uma alfaiataria mais leve, recortes que destacaram o corpo e tecidos mais fluidos, de maneira geral”, comenta.

Desfile Salinas no Rio Fashion WeekDesfile Salinas no Rio Fashion Week • Marcelo Sá Barretto/AgNews

Construção de valor e direção estética

Mais do que movimento, a semana de moda trouxe uma mudança na construção de valor, cada vez mais atrelada a elementos que não podem ser facilmente replicados, como cultura, identidade e lifestyle.

“Nesse contexto, o RFW ultrapassou o produto e se consolidou como uma plataforma de narrativa, imagem e desejo. Não por acaso, o artesanal se reposicionou: deixou de ser detalhe e passou a ocupar um lugar central no discurso da moda contemporânea”, acrescenta.

Desfile Misci no Rio Fashion WeekDesfile Misci no Rio Fashion Week • Thiago Mattos/AgNews

Silhuetas e estruturas

Quando o assunto é silhuetas e estruturas, no desfile da Aluf, comanda pela designer paraense Ana Luisa Fernandes, as volumetrias localizadas ganharam destaque, de acordo com Mazzer, equilibradas por silhuetas alongadas e estruturas abaloadas, que reforçaram a identidade da marca ao explorar acabamentos que conferiram um caráter quase escultural às peças.

Desfile Aluf no Rio Fashion WeekDesfile Aluf no Rio Fashion Week • Marcelo Sá Barretto/AgNews

“Já no desfile da Misci, de Airon Martin, pudemos ver como os elementos que dão vida às criações são frutos de um trabalho colaborativo, onde muitas mãos trabalharam em sintonia para fazer o desfile sair do papel. Mostrando mais uma vez como o artesanal ganhou um novo lugar”, explica.

Desfile Misci no Rio Fashion WeekDesfile Misci no Rio Fashion Week • Thiago Mattos/AgNews

Movimento como linguagem

Franjas, bordados e superfícies texturizadas trouxeram dinamismo para as peças. A aplicação de contas e técnicas manuais reforçaram a ideia de uma roupa que acompanha o corpo em movimento.

“Esse recurso apareceu com força em marcas como a Hisha, apontando para uma moda mais viva e sensorial. A transparência também apareceu, só que de forma mais sofisticada e menos óbvia”, detalha.

Desfile Hisha no Rio Fashion WeekDesfile Hisha no Rio Fashion Week • Marcelo Sá Barretto/AgNews

Rio de Janeiro como referência global

Com a presença de compradores internacionais, como representantes da Galeries Lafayette, abriu-se um caminho real de conexão com o mercado externo. Ou seja, não é só sobre imagem. Existe uma construção de acesso acontecendo.

“Saio com a sensação de que o Rio não quer competir com outras capitais da moda. Ele quer projetar uma imagem própria para o mundo. Mais cultural. Mais emocional. E, justamente por isso, mais difícil de copiar. O Rio não está tentando ser tendência. Está construindo relevância”, conclui.

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FONTE/CRÉDITOS: carolineferreira
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