A internet brasileira nunca viu uma ascensão tão meteórica quanto a das casas de apostas online. Segundo pesquisa da SimilarWeb, esses sites alcançaram 55 milhões de acessos diários em janeiro de 2025 e saltaram para quase 68 milhões em maio — somando mais de 2,7 bilhões de visitas nos cinco primeiros meses do ano.
Esse desempenho coloca as bets na vice-liderança do tráfego nacional, atrás apenas do Google e à frente de gigantes como YouTube, WhatsApp e Globo.com. Um fator decisivo para esse crescimento foi a liberação, em junho de 2024, do download direto de aplicativos de apostas na Google Play Store. Antes, o usuário dependia de arquivos APK dos próprios sites, processo lento e inseguro.
A mudança deslocou o hábito do desktop para o celular. Hoje, as sessões mobile dominam, impulsionadas por notificações push, transmissões ao vivo e odds instantâneas. O público mais engajado está na faixa de 25 a 34 anos, e o futebol é o motor principal: todos os 20 clubes da Série A têm patrocínio de casas de apostas, 18 deles com marcas como patrocinador master. Estima-se que esses contratos somem R$ 1 bilhão por temporada.
O setor regulamentado — identificado pelo sufixo .bet.br — já reúne 193 casas autorizadas, segundo o Comitê Gestor da Internet. Ainda assim, esse número não inclui plataformas estrangeiras que operam à margem da lei, o que indica que o público real é ainda maior.
A regulamentação ganhou força com a Lei das Bets (14.790/2023) e a criação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), responsável por fiscalizar, conceder licenças e aplicar sanções. Cada autorização custa R$ 30 milhões e exige sede fiscal no Brasil, políticas rígidas contra lavagem de dinheiro e relatórios mensais.
Atualmente, as bets pagam 12% de imposto sobre o GGR (Gross Gaming Revenue), mas essa alíquota subirá para 18% em outubro de 2025. O mercado, que já movimenta cerca de R$ 2,8 bilhões por mês, projeta crescimento anual de 25%, impulsionado por tecnologia, transmissões ao vivo e integração total com o universo esportivo.
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