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No programa “Futebol em Contexto”, da Trivela, o colunista Tim Vickery declarou que o recente comportamento de Cristiano Ronaldo representa “uma mancha” na sua carreira. Para o jornalista inglês, a obsessão do jogador por recordes individuais deixou de atender às necessidades da equipe, tornando-se um problema na seleção portuguesa, onde, segundo ele, o craque procura fazer com que os colegas sejam apenas figurantes.
Vickery fez uma comparação com jogadores como Messi, Pelé e Romário, argumentando que a grandeza de um atleta se revela nos grandes jogos, e não na mera soma de estatísticas.
Cristiano Ronaldo e a busca pelos números
O debate foi iniciado pela rivalidade que definiu uma geração. O apresentador Nelson Coltro lembrou que Messi estabeleceu novos padrões ao combinar encantamento e números, atingindo temporadas com 60 ou 70 gols e um total de 91 em um ano. Para competir, Cristiano Ronaldo alterou sua posição, aproximando-se mais do gol e desenvolvendo uma obsessão por estatísticas. Mesmo assim, conquistou cinco Bolas de Ouro durante o mesmo período em que Messi conquistou oito. Segundo Nelson, isso é um mérito.
Vickery ressaltou a diferença de atitude entre os dois jogadores. “É um contraste interessante, pois a impressão que se tem é que isso nunca é uma prioridade para Messi, mas sim uma consequência. Um prêmio assim resulta do bom trabalho dele em um contexto coletivo. Não quero dizer que ele não tenha ego. Acredito que ele possui um ego grande. Qualquer craque deveria ter um ego grande. Sem um ego considerável, ele não seria o craque que é”, comentou.
Em relação ao português, o colunista evitou um confronto direto, mas foi incisivo. “Estamos tratando de um jogador extraordinário. Nunca vou usar um para atacar o outro, embora, em nossa opinião insignificante, possamos criticar. Mas Cristiano se tornou o jogador excepcional que é devido a uma motivação quase insana, sua busca por estatísticas individuais. Por um tempo, é possível conciliar isso com as necessidades da equipe. No entanto, tenho a sensação de que o futebol de elite na Europa já decidiu há bastante tempo que isso não é mais viável, tanto que ele está jogando onde está atualmente”, afirmou.
‘Mancha’ na carreira de Cristiano Ronaldo
Cristiano Ronaldo durante partida de Portugal na Copa do Mundo de 2026 (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)
Vickery acredita que o problema se manifesta de forma mais intensa na seleção. Esse tema foi abordado em sua coluna na Trivela, na semana anterior ao programa. “Parece que, na seleção portuguesa, isso tem sido um problema há muito tempo”, analisou.
“Agora isso se tornou tão evidente que vejo o comportamento dele recentemente como uma mancha em sua carreira. Não é uma mancha que compromete toda a carreira, mas é uma mancha, pois um verdadeiro craque sempre coloca suas virtudes a serviço do coletivo. Ele deseja que todos na seleção de Portugal sejam figurantes, auxiliando-o a estabelecer recordes individuais. Para mim, isso é antifutebol”, afirmou.
Nelson complementou que o próximo objetivo do atacante já está evidente. Com mais de 900 gols na carreira, Cristiano Ronaldo não deve parar até alcançar a marca de 1000. Entretanto, o apresentador questionou a relevância dessa conquista: “Honestamente, o que mudaria no legado dele ao fazer 1000 gols ou não? Acredito que mudará pouco”.
Pelé, o Rei do futebol. Foto: IMAGO / Sven Simon
Pelé, Romário e a armadilha da estatística
A discussão sobre os 1000 gols levou Vickery a mencionar Pelé. Mesmo com um apresentador santista, o colunista minimizou a importância deste marco histórico. “Você, como santista, tem todo o direito de discordar de mim, mas sempre considerei o argumento de Pelé em relação aos 1000 gols fraco. Isso, para mim, não define o Pelé. Trata-se apenas de acumulação de estatísticas, gols em amistosos, etc. Se eu tivesse que escolher um jogador para defender minha vida, seria o Pelé. A verdadeira grandeza de Pelé reside nas grandes atuações em jogos decisivos, e não na acumulação de números”, afirmou.
O jornalista também mencionou Romário, que acompanhou de perto ao retornar ao futebol brasileiro. Segundo ele, o Baixinho deixou a busca por números interferir nos momentos críticos. “Foi um privilégio assistir Romário ao vivo quando ele voltou em 1995. No entanto, acredito que ele cometeu um ato de sabotagem em sua própria carreira ao retornar. De vez em quando, ele foi sensacional, brilhante. Mas muitas vezes se tornou um caçador de estatísticas. Ele jogou a Libertadores uma vez, teve uma fase de grupos brilhante, mas estava machucado para a fase final. Portanto, fez poucos gols importantes. Um jogador de seu talento deveria estar se destacando nos grandes jogos e não apenas acumulando estatísticas. Isso, para mim, é algo secundário”, finalizou.
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