Aguarde, carregando...

Quarta-feira, 14 de Outubro 2026

Eleições 2026

AO VIVO
Apurado: 0%
Aguardando início da apuração oficial...

Saiba Mais
Esportes

Trivela Analisa: A Ameaça ao Lugar da Ligue 1 na Champions League Apesar do PSG

Embora o Paris Saint-Germain tenha conquistado a Champions League por duas vezes, essa vitória deveria ser a melhor divulgação do futebol francês. Entretanto, no embate entre as ligas nacionais, o sucesso do PSG não tem sido suficiente para evitar uma ameaça crescente: Portugal está cada vez mais próximo do quinto lugar no ranking de coeficientes da Uefa, posição que a França ocupa há anos.

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Trivela Analisa: A Ameaça ao Lugar da Ligue 1 na Champions League Apesar do PSG
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
GOOGLE Não perca nossas próximas notícias

Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰

Trivela Analisa: A Ameaça ao Lugar da Ligue 1 na Champions League Apesar do PSG

A conquista do bicampeonato da Champions League pelo Paris Saint-Germain deveria ser a melhor vitrine para o futebol da França. Contudo, na competição entre as ligas nacionais, o sucesso do PSG não conseguiu afastar uma ameaça que se torna cada vez mais concreta: Portugal está se aproximando do quinto lugar no ranking de coeficientes da Uefa, que há anos pertence à França.

Na terça-feira (13), a vitória do Sporting por 2 a 0 diante do Lens, jogando fora de casa, reforçou essa tendência. Após a partida, o ranking foi atualizado, e Portugal alcançou 66,150 pontos, em comparação aos 69,153 da França. A diferença agora é de apenas 3,003 pontos, uma distância que pode ser superada até o final da temporada 2026/27. A quinta posição garante quatro vagas na Champions League, uma a mais que a sexta.

Nos últimos anos, a França tem desfrutado de uma grande visibilidade internacional. Além do sucesso do PSG, a Ligue 1 continua a ser um dos principais berços de talentos do futebol europeu. Curiosamente, Portugal, apesar de não ter um clube com o mesmo poder financeiro do PSG, tem obtido resultados significativos com um conjunto de equipes que se tornaram mais competitivas nas competições internacionais.

Publicidade

Leia Também:

Entendendo o coeficiente da Uefa e a importância do quinto lugar

O ranking da Uefa é baseado nos resultados dos clubes nas competições europeias ao longo de cinco temporadas. As federações acumulam pontos por vitórias, empates e progressos nas competições, além de bonificações ligadas às suas campanhas. O total é dividido pelo número de clubes que representam cada país nas competições continentais.

A classificação define a distribuição de vagas para as próximas temporadas, o que transforma cada resultado europeu em algo que ultrapassa o prestígio de uma partida. Assim, não é suficiente apenas somar vitórias — a quantidade de representantes também afeta o cálculo.

Na temporada 2026/27, Portugal contará com cinco clubes nas competições europeias, enquanto a França terá sete. Isso significa que os clubes portugueses precisarão dividir os pontos acumulados entre um número menor de participantes, o que pode favorecer sua média quando os principais representantes alcançam fases avançadas.

Ferran Torres cumprimenta Dembélé durante jogo do PSGFerran Torres cumprimenta Dembélé durante jogo do PSG (Foto: Baptiste Fernandez/Icon Sport)

Para Portugal, não é necessário acumular mais pontos absolutos que a França para superá-la no coeficiente; é preciso obter uma média mais alta ao longo do período considerado. Contudo, ter menos representantes também implica em uma base menor de clubes que podem compensar eliminações precoces dos principais candidatos.

Atualmente, o cenário é favorável a Portugal. Na temporada 2025/26, o país terminou com um coeficiente de 20,500, o quarto melhor desempenho anual. Isso representa uma evolução significativa em comparação aos 16,250 pontos de 2024/25. Por outro lado, a França registrou 18,321 na última temporada, mesmo com o título do PSG na competição europeia.

A diferença de desempenho em uma única temporada não garante uma mudança imediata no ranking de cinco anos, que é mais lento por natureza, mas demonstra que Portugal não depende de uma única campanha excepcional. O país tem acumulado resultados positivos em temporadas consecutivas, enquanto a França precisa assegurar a vantagem já conquistada nos anos anteriores.

Para ligas que não dispõem do poder financeiro da Premier League ou da força comercial dos clubes espanhóis mais renomados, conquistar mais vagas na competição mais importante do continente pode propiciar um ciclo virtuoso: mais clubes participantes, maiores receitas, maior capacidade de investimento e melhores condições para competir novamente.

Portugal se destaca com um grupo competitivo, enquanto a França vai além do PSG

O triunfo do Sporting em Lens simboliza essa disputa, pois reflete uma sequência favorável aos portugueses nos confrontos diretos. Desde a implementação da fase de liga da Champions, em 2024/25, clubes de ambos os países se enfrentaram em sete ocasiões na competição, excluindo as fases preliminares. O resultado foi de seis vitórias para os clubes portugueses e um empate.

Entretanto, o progresso de Portugal não se limita apenas ao Sporting e ao Benfica. O Porto é um participante frequente nas fases decisivas das competições europeias, enquanto o Braga se tornou uma presença recorrente em campanhas relevantes fora da Champions League. Na temporada 2025/26, o Braga foi o maior contribuinte para o coeficiente português, com 32,250 pontos.

Geny Catamo, SportingGeny Catamo, atacante do Sporting. Foto: Imago / Sandro Alemao / PRESSINPHOTO

Além disso, a França não pode ser reduzida apenas ao PSG. Na temporada 2025/26, o clube parisiense contribuiu com 40,500 pontos, que equivalem a 31,5% do total francês. Embora tenha sido a maior contribuição individual, não representa a maioria da pontuação. O Strasbourg e o Lyon somaram 23 e 22 pontos, respectivamente; o Monaco, 16; o Lille, 12,750; e o Marseille, 12.

Esses números enfraquecem a ideia de que a França se mantém entre as cinco melhores federações apenas graças ao PSG. A atuação parisiense foi crucial, mas os demais clubes colaboraram, juntos, com mais de dois terços da pontuação francesa na temporada. O Strasbourg alcançou a semifinal da Conference League, enquanto o Lyon ficou em primeiro na fase de grupos da Europa League.

Dessa forma, existe uma base competitiva na França. O desafio é que ela nem sempre gera resultados consistentes o suficiente para aumentar a distância em relação aos concorrentes. A França possui clubes com potencial para avançar nas competições europeias, mas suas campanhas são irregulares, e a discrepância de recursos entre o PSG e a maioria dos adversários locais torna mais difícil estabelecer uma sequência de resultados que afaste Portugal.

Limitações francesas e oportunidades portuguesas

A aproximação entre os dois países deve ser analisada dentro de um contexto econômico distinto. O futebol francês enfrenta uma crise significativa em torno dos direitos de transmissão. Em 2025, a disputa entre a liga e a DAZN sobre o contrato de TV destacou a dificuldade em garantir receitas estáveis para os clubes.

A criação da plataforma Ligue 1+ para a temporada 2025/26 foi uma tentativa de reorganizar essa situação, mas a instabilidade dos direitos já levou várias equipes a rever seus orçamentos.

Essa situação ajuda a entender por que a França, apesar de sua capacidade de formar talentos e exportar jogadores para as principais ligas, não transforma automaticamente essa vantagem em resultados europeus. A Ligue 1 é tradicionalmente produtiva na formação de atletas de alto nível, mas muitos deixam o país precocemente, e os clubes que não têm proprietários com grande poder financeiro enfrentam dificuldades.

William Gomes pelo PortoWilliam Gomes pelo Porto (Foto: IMAGO / Action Plus)

O PSG se destaca como uma exceção nesse panorama. Seu investimento e a capacidade de dar continuidade ao projeto esportivo permitiram ao clube conquistar a Champions League em temporadas consecutivas. No entanto, o sucesso do PSG não resolve os problemas estruturais enfrentados pelos seus concorrentes. Um campeão europeu pode elevar o prestígio da liga, mas não assegura que os outros representantes avancem regularmente nas competições continentais.

Portugal também enfrenta limitações econômicas significativas, mas tem criado um modelo de inserção internacional que beneficia seus principais clubes. Sporting, Benfica e Porto combinam uma presença constante na Europa com experiência em negociações internacionais, habilidade para identificar jogadores e uma estrutura competitiva que os possibilita disputar fases decisivas.

Esse modelo não elimina a disparidade financeira entre os países. A Ligue 1 possui uma base maior de clubes e um mercado de formação de jogadores muito relevante. O campeonato francês também conta com equipes que têm capacidade de investimento e atração de talentos que muitos clubes portugueses não conseguem igualar.

Portanto, a disputa pelo coeficiente não significa que Portugal esteja prestes a ultrapassar a França em todos os aspectos do futebol. O que se observa é que a dimensão de uma liga e a qualidade individual de seus jogadores não são suficientes para determinar o desempenho. O coeficiente depende da capacidade de transformar recursos em resultados ao longo de várias temporadas. E Portugal tem demonstrado isso de maneira eficaz.

A conquista do quinto lugar teria impactos que vão além de uma posição simbólica. Uma quarta vaga na Champions League aumentaria o acesso português a receitas e visibilidade na competição, além de oferecer a mais um clube a oportunidade de enfrentar adversários de alto nível. Para a França, perder essa posição significaria uma diminuição de sua presença na principal competição europeia, especialmente enquanto o PSG vive o período mais vitorioso de sua história.

No final, o coeficiente não determina de forma isolada qual liga é superior. Ele responde a uma questão mais direta: quais países estão conseguindo traduzir suas equipes em resultados europeus ao longo do tempo? Neste momento, Portugal possui razões para acreditar que pode ultrapassar a França.

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.
Estadão Rondônia

Publicado por:

Estadão Rondônia

Saiba Mais

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR