Um tribunal pouco conhecido, encarregado de julgar casos de deportação altamente sensíveis envolvendo supostos terroristas estrangeiros, permaneceu inativo desde sua criação, em 1996, sem sequer ter um site para acompanhar os processos.
Neste mês, porém, o ATRC (Tribunal para a Remoção de Terroristas Estrangeiros) entrou em atividade pela primeira vez, com um caso inédito apresentado pelo governo Trump, que busca adotar novas estratégias de deportação.
Durante 30 anos, um grupo de juízes designados em sistema de rodízio permaneceu à disposição para analisar eventuais casos encaminhados ao tribunal. Até agora, no entanto, o governo federal nunca havia considerado que existisse um caso que justificasse recorrer a essa instância, ou que valesse a pena testar a constitucionalidade de seus procedimentos controversos.
O tribunal concede ao governo ampla margem para manter em segredo, inclusive da própria pessoa que pretende deportar, os motivos pelos quais considera um imigrante um terrorista. Além disso, restringe diversos dos mecanismos normalmente disponíveis para que migrantes contestem suas deportações.
Como, por definição, a maior parte do que ocorre nesse tribunal é mantida em sigilo, pouco se sabe sobre o caso inédito apresentado pelo DOJ (Departamento de Justiça) neste mês.
O que é público, porém, é uma decisão da juíza responsável pelo processo, indicando que ela não se convenceu dos argumentos iniciais do governo e determinou que informações adicionais fossem apresentadas nesta semana.
Veja o que se sabe sobre esse tribunal sigiloso e as novas questões levantadas por seu uso.
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O Departamento de Justiça evitou recorrer ao tribunal — até agora
Os juízes do tribunal cumprem mandatos alternados de cinco anos e são designados para a função pelo presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, John Roberts.
A lei determina que cada um deles venha de diferentes circuitos judiciais, as regiões abrangidas por cada tribunal federal de apelações. Roberts não respondeu a um pedido de esclarecimento enviado pela CNN à Suprema Corte sobre outros critérios que considera ao fazer essas nomeações.
Ericksen é juíza sênior do Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Minnesota, que esteve no centro das tensões judiciais com o Poder Executivo durante a intensificação das ações de fiscalização migratória em Minneapolis no início deste ano.
O ATRC funcionará no prédio do tribunal federal em Washington, D.C., que abriga tanto os tribunais distritais e de apelações da capital quanto o Tribunal de Vigilância de Inteligência Estrangeira. No entanto, funcionários do tribunal não forneceram detalhes sobre a audiência realizada em 16 de julho.
A decisão de Ericksen sugere que havia lacunas no caso apresentado pelo governo, fazendo referência, de forma vaga, a questionamentos que ela levantou sobre como as supostas ações do indivíduo estariam relacionadas às leis utilizadas pelo governo como fundamento para o processo.
Ela deu ao governo até quarta-feira (29) para apresentar informações adicionais, observando que acreditava que “o governo poderia se beneficiar da oportunidade de uma análise mais cuidadosa”.
Até a manhã de quinta-feira (23), esse documento ainda não estava disponível no site público do tribunal.
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