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O jovem do Barcelona, Lamine Yamal, ganhou destaque no futebol com uma comparação que é difícil de ignorar: ele é semelhante a Neymar em seus primeiros passos na carreira. É simples perceber o porquê disso. Yamal parece se divertir em campo da mesma forma que o brasileiro fazia em sua juventude, e seus movimentos são curiosamente parecidos, desde os gestos com os braços ao correr até os calções que parecem desnecessariamente baixos.
A semelhança entre os dois vai além do visual. Ambos começaram a se destacar ainda na adolescência, assumindo papéis importantes em clubes de grande porte e enfrentando defesas que já conheciam seu estilo de jogo. Apesar disso, conseguiram continuar a surpreender com suas jogadas. A ousadia é uma característica comum e essencial em como cada um deles interpreta o futebol.
Entretanto, reduzir Yamal a uma mera versão de Neymar seria simplificar trajetórias que, apesar de terem semelhanças em alguns pontos, também apresentam diferenças significativas. Ao analisarmos as três primeiras temporadas completas de cada um, fica claro que Neymar teve uma produção em gols muito maior, enquanto Yamal se destacou em assistências e construiu uma trajetória relevante em um contexto competitivo distinto.
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Análise dos Números de Neymar e Yamal em suas Carreiras Iniciais
Para uma comparação justa, a Trivela analisa as três primeiras temporadas completas de Neymar no Santos, entre 2009 e 2011, e as três primeiras de Yamal no time principal do Barcelona, de 2023/24 a 2025/26. Neymar começou sua carreira profissional aos 17 anos, enquanto Yamal fez sua estreia aos 15 e completou 19 em julho de 2026. Assim, as épocas não coincidem exatamente em termos de idade.
Neymar – Santos, 2009 a 2011
- Jogos: 155
- Gols: 80
- Assistências: 40
- Principais títulos no período: dois Campeonatos Paulistas, uma Copa do Brasil e uma Libertadores.
Lamine Yamal – Barcelona, 2023/24 a 2025/26
- Jogos: 150
- Gols: 49
- Assistências: 45
- Principais títulos no período: duas LaLigas, duas Supercopas da Espanha e uma Copa do Rei.
Lamine Yamal com o troféu de melhor em campo na Champions League. (Foto: Tolga Uluturk/IMAGO / ZUMA Press Wire)
A primeira distinção é clara: Neymar anotou 31 gols a mais nesse período. Sua explosão em 2010 foi notável: em 60 jogos, fez 42 gols e 22 assistências, conforme dados do "Transfermarkt". Não era apenas um driblador que criava oportunidades, mas um finalizador com um volume altíssimo, capaz de decidir partidas em diversas competições.
Por outro lado, Yamal teve uma evolução mais gradual, mas rapidamente se tornou protagonista. Em sua primeira temporada completa, 2023/24, ele registrou sete gols e sete assistências em 50 jogos. Em 2024/25, seus números cresceram para 18 gols e 21 assistências em 55 partidas. Já na temporada seguinte, ele marcou 24 gols e fez 17 assistências em 45 jogos. Esses dados demonstram um atleta que passou a combinar criação e finalização em uma escala crescente.
É importante considerar o contexto: Neymar jogava em uma equipe onde era um dos principais finalizadores desde cedo e atingiu 42 gols em 2010, incluindo 11 na Copa do Brasil. Yamal, por sua vez, desenvolveu uma parte maior de seu impacto como criador: sua temporada de 2024/25, por exemplo, resultou em 39 participações em gols em todas as competições, enquanto dividia responsabilidades com nomes como Raphinha e Robert Lewandowski.
Contexto Competitivo: Uma Comparação Crucial
Neymar fez sua estreia profissional em março de 2009, começando a construir sua reputação em um Santos que favorecia o talento ofensivo. O time de 2010, composto por Ganso, André, Arouca e outros jogadores de qualidade, se destacou como uma das equipes mais emocionantes do país. Em 2011, Neymar foi novamente protagonista, ajudando o Santos a conquistar o Paulista e a Libertadores, colocando o clube no topo do continente.
No entanto, a trajetória de Yamal é distinta: Neymar ainda competia no Campeonato Paulista, uma liga regional que oferece mais jogos e oportunidades de marcar contra equipes de variados níveis, enquanto Yamal atua em uma liga nacional europeia de alto nível e participa regularmente da Champions League.
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Yamal, por sua vez, iniciou sua trajetória no Barcelona em abril de 2023, integrando um elenco que compete na LaLiga, Copa do Rei e Champions League. Sua temporada de 2023/24 já contemplou dez partidas na competição europeia. A exposição a esse nível de competição desde muito jovem não torna automaticamente seus números mais relevantes, mas altera a natureza dos desafios que ele enfrenta. Lembrando ainda que Yamal conquistou a Eurocopa de 2024 com a Espanha, aos 16 anos, como titular.
Dessa forma, não é correto usar apenas os números brutos para afirmar que Neymar era muito superior ou que Yamal o superou. O brasileiro teve um início de carreira com uma produção goleadora explosiva, enquanto o espanhol se destacou precocemente como criador de elite, contribuindo significativamente em um time que atua em um contexto de alta exigência. Ambas as trajetórias têm seus próprios méritos.
Semelhança Técnica e Diferenças Táticas
A comparação visual entre os jogadores começa com o drible. Neymar era habilidoso em alternar mudanças rápidas de direção com acelerações longas, usando ambas as pernas e manipulando o ritmo dos defensores. Ele não dependia exclusivamente da velocidade: frequentemente, fazia o defensor se deslocar para um lado e aproveitava o espaço criado do outro lado.
A imprevisibilidade era uma de suas maiores armas.
Yamal possui essa habilidade de enganar o marcador, mas o faz a partir de uma configuração tática diferente. Como ponta-direita canhoto, ele se posiciona frequentemente aberto e se desloca para dentro, visando finalizar ou encontrar um passe entre os defensores. Também pode se manter aberto para esticar a defesa, atraindo o lateral e criando espaço para um companheiro de equipe.
A diferença reside na forma como cada um utiliza a bola para manipular a defesa. Neymar em sua juventude tinha uma relação muito fluida com a posição: podia iniciar pela esquerda, aparecer por dentro, receber próximo à área ou conduzir a bola de áreas mais recuadas. Sua habilidade de jogar com ambas as pernas permitia que ele ameaçasse por diversos ângulos. Já Yamal é mais associado à faixa direita e ao movimento para dentro com a perna canhota.
Essa posição também altera o tipo de dilema que cada um apresenta aos adversários. Quando Neymar recebia a bola pela esquerda, tinha a opção de atacar o lateral por fora, cortar para dentro ou fazer combinações com Ganso e os laterais. Sua liberdade de movimentação frequentemente forçava os defensores a decidir entre perseguir a bola ou proteger a área. O Santos explorava essa liberdade.
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No Barcelona, Yamal participa de um sistema onde a organização e a ocupação dos espaços são indispensáveis. O time tenta atrair a pressão, localizar jogadores entre as linhas e liberar o ponta para receber em condições favoráveis ao enfrentar o lateral. O drible não é um evento isolado, mas sim parte de uma estrutura que busca criar superioridade numérica ou liberar um jogador em vantagem.
É nesse ponto que a comparação se torna mais intrigante. Ambos não driblam apenas para superar um adversário: o fazem para alterar a organização defensiva. Contudo, há uma diferença na prioridade da criação.
Neymar acumulava funções de finalizador, driblador e principal referência ofensiva. O time frequentemente dependia de sua capacidade de decidir jogadas individuais, embora Ganso também tivesse um papel organizacional. Por outro lado, Yamal se tornou uma peça fundamental de criação no Barcelona, combinando sua ameaça de gol com a habilidade de servir seus companheiros.
Irreverência e o Risco de Comparações
Um fator menos mensurável que aproxima ambos jogadores é a irreverência. Neymar, ao chegar ao Santos, parecia um adolescente que jogava sem receio de arriscar dribles ousados ou chutar de forma inesperada. Sua personalidade em campo era parte de seu encanto. Ele não se limitava a ser um jogador habilidoso, mas demonstrava prazer em mostrar seu talento, mesmo quando isso envolvia risco.
Yamal exibe uma sensação semelhante. Ele não hesita em receber a bola em áreas congestionadas, encara marcadores mesmo após um erro e mantém a determinação em criar uma vantagem individual. Essa ousadia pode incomodar adversários e torcedores rivais, mas possui valor competitivo: um atacante que persiste no um contra um força a defesa a tomar decisões, podendo desestabilizar uma partida que parecia controlada.
No entanto, a irreverência não deve ser confundida com falta de disciplina ou uma personalidade idêntica. Neymar e Yamal vieram de contextos culturais e midiáticos distintos, e cada um desenvolveu sua própria maneira de lidar com a pressão. As semelhanças em campo não permitem prever o futuro de Yamal, tampouco justificam colocar sobre ele as mesmas expectativas que acompanharam Neymar.
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Enquanto Neymar foi rapidamente rotulado como o sucessor de Pelé, uma comparação que acompanhou sua trajetória no Santos e gerou uma pressão intensa em seus primeiros anos, Yamal já enfrenta a expectativa de ser um dos grandes nomes do futebol mundial e conquistar os maiores prêmios individuais. Comparações com Neymar podem ajudar a ilustrar seu estilo, mas também apresentam riscos.
A comparação mais apropriada é aquela que reconhece tanto as semelhanças quanto as diferenças. Neymar e Yamal têm a habilidade de utilizar o drible como uma ferramenta de criação, a ousadia de desafiar adversários e uma relação com a bola que vai além do simples ato de jogar. Contudo, Neymar destacou-se por sua explosão goleadora no início da carreira, enquanto Yamal se afirmou rapidamente como um criador que também possui grande capacidade de marcar gols.
Um se destacou como protagonista de um Santos que misturava talento e improvisação, enquanto o outro se desenvolveu em um Barcelona que busca transformar a técnica individual em vantagem coletiva através da ocupação eficiente dos espaços. No final, a semelhança é concreta, e talvez seja essa a razão pela qual a comparação é tão eficaz.
Ambos tornam o futebol menos previsível, desafiando os adversários a tomarem decisões difíceis e convertendo a habilidade individual em uma forma de expressão. Entretanto, Yamal não precisa ser o novo Neymar para escrever sua própria história no futebol.
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