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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2026

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Alta dos fertilizantes gera sobrecusto de US$ 180 milhões na Argentina

País desembolsou segundo maior valor para compra de insumos enquanto volume efetivamente comprado foi segundo pior desde 2019

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Alta dos fertilizantes gera sobrecusto de US$ 180 milhões na Argentina
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A Argentina desembolsou US$ 1,762 bilhão na importação de fertilizantes no primeiro semestre de 2026, o segundo maior valor já registrado para o período, enquanto o volume comprado foi o segundo menor desde 2019. A alta dos preços internacionais explica a diferença entre os dois indicadores, segundo relatório da BCR (Bolsa de Comércio de Rosário).

No primeiro semestre, o país importou 437 mil toneladas de fertilizantes nitrogenados, 767 mil toneladas de fosfatados e 39 mil toneladas de potássicos. A ureia concentrou a maior queda em volume, enquanto as compras de fosfatados ficaram praticamente estáveis na comparação anual.

A diferença entre os preços e os volumes importados representa um sobrecusto teórico de US$ 180 milhões, segundo a BCR. O cálculo mostra quanto a Argentina teria pago a mais pelos mesmos volumes importados no primeiro semestre de 2026 caso os preços médios registrados no mesmo período de 2025 tivessem sido mantidos. A estimativa não considera, portanto, a redução das quantidades importadas provocada pela própria alta dos preços.

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Conflito no Oriente Médio

A BCR relaciona a alta dos preços dos fertilizantes aos efeitos do conflito iniciado em fevereiro no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz e os ataques à infraestrutura de petróleo e gás da região afetaram a oferta e os custos de produtos utilizados na fabricação de fertilizantes.

Os nitrogenados, especialmente a ureia, foram os mais afetados. Antes do conflito, cerca de um quinto do comércio mundial de gás natural e um quarto do comércio global de ureia passavam pelo Estreito de Ormuz, segundo o relatório. A alta do gás natural liquefeito, utilizado na produção de ureia, elevou os custos de fabricação.

O relatório também cita decisões de grandes produtores. A Índia interrompeu temporariamente parte da produção de ureia por causa da escassez de gás, enquanto a China restringiu temporariamente as exportações para garantir o abastecimento doméstico. Com isso, a oferta global de nitrogenados ficou mais restrita.

O preço da ureia chegou a subir mais de 100% em relação a janeiro, embora tenha permanecido abaixo dos máximos registrados em 2022.

Nos fosfatados, a pressão veio principalmente da menor oferta de enxofre, insumo utilizado na produção de rocha fosfórica. O preço do enxofre chegou a dobrar em relação a janeiro. No período, o TSP (superfosfato triplo) acumulou alta de 39%, enquanto o DAP (fosfato diamônico) subiu 27%.

Queda de importações

A redução das compras externas ficou mais evidente nos dados de junho. As importações de nitrogenados foram as menores para o mês desde 2015 e ficaram 60% abaixo da média dos últimos cinco anos. No caso dos fosfatados, o volume foi o menor desde 2018 e ficou 34% abaixo da média quinquenal.

Para o restante do ano, o comportamento das importações dependerá, entre outros fatores, da evolução do conflito no Oriente Médio. A Argentina importa, em condições normais de operação, cerca de 50% do consumo de nitrogenados e 80% dos fosfatados. Além disso, aproximadamente três quartos das importações de nitrogenados ocorrem no segundo semestre, antes da semeadura dos grãos de verão.

Produção nacional

O relatório também destaca um projeto de investimento para a produção de ureia em Bahía Blanca, aprovado no âmbito do Regime de Incentivo para Grandes Investimentos. O empreendimento prevê investimento de US$ 2,7 bilhões e uma produção anual de 2,1 milhões de toneladas de ureia.

Segundo a BCR, a nova unidade seria a maior planta de ureia da América Latina e uma das maiores do mundo. O projeto, associado ao aumento da produção de gás de Vaca Muerta, poderia ampliar a oferta doméstica e reduzir a necessidade de importações. O relatório também aponta a possibilidade de exportação de excedentes, citando o Brasil como um potencial mercado.

Atualmente, a Argentina produz entre 1,4 milhão e 1,9 milhão de toneladas de fertilizantes por ano, dependendo do período considerado. Em 2025, foram 1 milhão de toneladas de nitrogenados, 400 mil toneladas de fosfatados e 200 mil toneladas de fertilizantes à base de enxofre. A produção doméstica, porém, responde por apenas 30% a 35% do consumo argentino, estimado em cerca de 5 milhões de toneladas anuais.

FONTE/CRÉDITOS: gabriellaweiss
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