Dias após confirmar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros de madeira processada, o governo dos Estados Unidos anunciou um investimento de US$ 80 milhões para ampliar a capacidade da indústria madeireira americana e fortalecer o manejo florestal no país.
O aporte foi anunciado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e será destinado a projetos nos estados de Oregon e Nevada, por meio do Programa de Empréstimo Garantido para Expansão da Produção de Madeira e do Programa de Empréstimo Garantido para Empresas e Indústrias.
Segundo o USDA, os recursos fazem parte da estratégia do governo Donald Trump para ampliar em 25% a produção doméstica de madeira, reduzir o risco de incêndios florestais e fortalecer a cadeia industrial do setor.
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Em nota, o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, afirmou que os investimentos devem reforçar a indústria madeireira americana, ampliar a capacidade de processamento de madeira, gerar empregos em áreas rurais e contribuir para o manejo das florestas.
O subsecretário interino do USDA, Todd Lindsey, disse que os financiamentos para serrarias e unidades de processamento representam uma forma de estimular a economia rural ao mesmo tempo em que reduzem o material combustível responsável por incêndios florestais.
Do total anunciado, US$ 50 milhões serão destinados à Tahoe Forest Products, em Nevada, para ampliar a capacidade de processamento de madeira da empresa. O projeto prevê novos secadores, uma serraria e uma linha de serragem, permitindo a produção de madeira beneficiada para atender distribuidores e grandes construtoras.
Outros US$ 30 milhões serão direcionados à Clatskanie Scion LLC, no estado de Oregon, para a construção de uma nova serraria e expansão da fabricação de produtos industriais de madeira. A expectativa é que o empreendimento gere pelo menos 35 empregos.
Desde a criação do programa, o USDA informou ter investido US$ 165,2 milhões em projetos de expansão da indústria madeireira em dez estados americanos.
Tarifa preocupa setor brasileiro
O anúncio ocorre em meio à crescente preocupação da indústria brasileira de madeira processada com as novas tarifas impostas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos).
A medida do órgão atinge praticamente todos os principais produtos do segmento, com tarifas de 25% para produtos florestais incluídos na investigação da Seção 301 e de 12,5% para itens envolvidos na acusação de trabalho forçado.
Segundo a Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), o setor possui forte dependência do mercado americano. Cerca de 80% da produção nacional é destinada às exportações, e metade desse volume tem como destino os Estados Unidos.
Na prática, aproximadamente 40% de toda a produção brasileira de madeira processada é vendida ao mercado americano.
A entidade estima que as tarifas aplicadas anteriormente, de 50% em 2025, provocaram perdas de cerca de US$ 500 milhões no comércio ao longo daquele ano.
Diante da queda na demanda, algumas indústrias recorreram a férias coletivas para reduzir a produção e minimizar os impactos das restrições comerciais.
O novo investimento anunciado pelo governo americano reforça a estratégia dos Estados Unidos de ampliar a oferta doméstica de madeira ao mesmo tempo em que endurece as barreiras à entrada de produtos importados, movimento que tende a aumentar a pressão sobre os exportadores brasileiros do setor.
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