A Bayer e a Neste fecharam um acordo comercial para ampliar conjuntamente o cultivo da canola de inverno newgold, desenvolvida pela Bayer, nas Grandes Planícies do Sul dos Estados Unidos. A oleaginosa será destinada principalmente à produção de matérias-primas para biocombustíveis, como diesel renovável e combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês).
Segundo as empresas, a iniciativa busca fortalecer a oferta de oleaginosas com menor intensidade de carbono diante da expectativa de crescimento da demanda global por combustíveis renováveis. A estimativa citada no comunicado é de que o mercado de biocombustíveis quase triplique até 2040, alcançando cerca de 40 bilhões de galões.
O acordo também prevê a criação de uma rede newgold com outros parceiros da cadeia de valor. A estrutura deverá apoiar a expansão da canola de inverno e garantir um mercado adicional para os produtores.
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“Em tempos de tensões geopolíticas, a necessidade de maior segurança e resiliência energética, aliada à descarbonização do setor de transportes, impulsiona a crescente demanda por combustíveis renováveis”, afirmou Frank Terhorst, chefe de Estratégia e Sustentabilidade da divisão de Crop Science da Bayer.
Segundo o executivo, as Grandes Planícies do Sul representam uma oportunidade ainda pouco explorada para a cultura. A empresa avalia que a canola de inverno pode funcionar como uma alternativa de rotação com o trigo, ampliando a utilização das terras agrícolas e criando uma nova fonte de receita para os produtores.
Novos híbridos
A Bayer pretende lançar os híbridos de canola de inverno newgold no outono de 2027. Entre as características anunciadas estão a resistência ao inverno, a tecnologia TruFlex, a segunda geração da tecnologia Roundup Ready e mecanismos de resistência à abertura das vagens.
De acordo com a companhia, a combinação dessas características pode favorecer o desempenho produtivo e elevar o teor de óleo da cultura.
A canola de inverno TruFlex será comercializada sob a marca de sementes newgold e terá como foco as Grandes Planícies do Sul dos Estados Unidos. A proposta é permitir que os produtores escolham como e onde incorporar a cultura às operações agrícolas.
Para a Neste, a expansão de novas matérias-primas depende da construção de cadeias de fornecimento estruturadas e da colaboração entre os diferentes elos do mercado.
“Essa matéria-prima renovável pode ser ampliada rapidamente nos próximos anos, o que pode ajudar a atender à crescente demanda por biocombustíveis”, afirmou Artturi Mikkola, vice-presidente sênior de Aquisição e Comercialização de Matérias-Primas para Produtos Renováveis da Neste.
Além do óleo destinado à produção de combustíveis, a cadeia da canola deverá gerar farelo com alto teor de proteína. O subproduto será comercializado no mercado de alimentação animal, com potencial de utilização nas cadeias de bovinos de leite e corte, aves e suínos.
Transição energética
Bayer e Neste avaliam que os biocombustíveis terão papel relevante na transição energética do setor de transportes, especialmente em segmentos nos quais a eletrificação pode enfrentar limitações, como aviação, transporte ferroviário, equipamentos pesados e transporte marítimo.
Além da canola de inverno, a Bayer trabalha com outras culturas intermediárias para produção de biocombustíveis, como camelina e CoverCress. A empresa apresentou recentemente sua plataforma de biocombustíveis durante um evento com investidores realizado em Huxley, no estado de Iowa.
A estratégia amplia a atuação da companhia no desenvolvimento de culturas agrícolas destinadas não apenas à produção de alimentos e ração, mas também ao fornecimento de matérias-primas para o mercado de energia renovável.
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