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Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026

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Cenário do petróleo e o papel estratégico da química no biodiesel

Em artigo exclusivo ao CNN Infra, Alejandro Bossio, diretor de Monômeros da Basf na América do Sul, aborda como a química nacional blinda a cadeia de biodiesel contra choques do petróleo internacional

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Cenário do petróleo e o papel estratégico da química no biodiesel
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A vulnerabilidade energética brasileira

O recente agravamento das tensões geopolíticas globais, marcado por gargalos logísticos e ameaças de bloqueio em rotas críticas como o Estreito de Ormuz, voltou a acender um sinal de alerta sobre a matriz de transportes global. Com o Brent em trajetória de alta e o mercado marítimo pressionado por crises de contêineres, países cuja infraestrutura logística depende majoritariamente do modal rodoviário enfrentam um desafio estrutural agudo.

No Brasil, onde o transporte de cargas é movido principalmente a óleo diesel, o impacto de choques externos no consumidor final tem reflexos diretos e quase imediatos na inflação e na competitividade do setor produtivo. Conforme dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o país importa cerca de 25% do diesel fóssil consumido internamente, o que amplia sua exposição aos preços internacionais.

Biodiesel: da transição ambiental à segurança energética

Diante desse cenário de volatilidade, o biodiesel deixou de ser apenas um pilar da transição ambiental para se consolidar como a primeira linha de defesa da segurança energética nacional. A recente elevação das metas de mistura obrigatória pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), com previsão de adoção do B16 já em 2026, e eventualmente B17 a partir de março de 2027, uma vez finalizado testes em andamento no Instituto Mauá, é um passo fundamental para reduzir a exposição brasileira ao mercado internacional de combustíveis.  Essa trajetória de incremento nas misturas obrigatórias é reflexo de um compromisso já estruturado com a autonomia energética.

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 O insumo essencial para a cadeia

Contudo, para que essa engrenagem funcione, o debate não pode se restringir à capacidade agrícola de produzir matéria-prima. É importante olhar para  os insumos químicos. O processo de transformação do óleo vegetal em biocombustível em larga escala exige uma reação química chamada transesterificação, que requer o uso de catalisadores de alta eficiência.

O metilato de sódio é utilizado como catalisador para acelerar essa reação e garantir que o biodiesel alcance os rígidos padrões de qualidade exigidos pelos motores modernos.

 O risco invisível da resiliência na cadeia química

À medida em que a produção de biodiesel ganha escala, a disponibilidade dos insumos químicos necessários ao processo também se torna um elemento relevante para a resiliência da cadeia. A continuidade do abastecimento de catalisadores, como o metilato de sódio, é fundamental para garantir a operação das usinas e o atendimento aos padrões de qualidade do biodiesel. Nesse contexto, contar com capacidade produtiva instalada no país amplia as alternativas de abastecimento e contribui para uma cadeia mais preparada para responder a eventuais oscilações nos fluxos internacionais.

Blindagem estratégica por meio da produção localizada

É nesse ponto que a produção local se prova um escudo estratégico. Ter o insumo crítico sendo produzido dentro do território nacional funciona como infraestrutura industrial de base, capaz de blindar a cadeia produtiva. No Brasil, o setor químico já possui capacidade instalada robusta. Empresas como a Basf, com operações em Guaratinguetá (SP), já dispõem de capacidade aproximada de 90 mil toneladas anuais de metilato de sódio, volume suficiente para sustentar a demanda projetada da indústria de biodiesel nacional.

Estabilidade em cascata, do insumo ao consumidor

A proximidade entre a produção de insumos e os mercados consumidores também representa uma vantagem competitiva para o Brasil. Uma cadeia de suprimentos mais integrada contribui para maior eficiência logística e fortalece a capacidade da indústria de responder às demandas de diferentes setores. No caso do biodiesel, essa integração conecta a produção de matérias-primas com a indústria química, o agronegócio e a distribuição, tornando mais robusta a cadeia que atende ao mercado nacional.

A infraestrutura de transportes do país apenas consegue ficar minimamente protegida contra choques externos quando reconhecermos que a autonomia energética começa muito antes do posto de combustível. Ela nasce na segurança e previsibilidade da nossa própria cadeia de suprimentos.

* Alejandro Bossio, diretor de Monômeros da Basf na América do Sul

Os artigos publicados pelo CNN Infra buscam estimular o debate, a reflexão e dar luz a visões sobre os principais desafios, problemas e soluções enfrentados pelo Brasil e por outros países do mundo. Os textos publicados neste espaço não refletem, necessariamente, a opinião da CNN Brasil.
FONTE/CRÉDITOS: robsonrodrigues
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