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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2026

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Classe C associa Bolsa Família como desincentivo ao trabalho, diz Eurasia

Análise aponta que reajuste do programa pode gerar reação negativa na classe média e não garantir ganho eleitoral ao governo, diz Christopher Garman ao WW

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Classe C associa Bolsa Família como desincentivo ao trabalho, diz Eurasia
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O anúncio do reajuste do Bolsa Família pode ter um efeito eleitoral mais limitado do que o esperado — e até contraproducente junto à classe C. É o que avalia Christopher Garman, diretor-executivo do Eurasia Group, em entrevista ao WW. Segundo ele, pesquisas qualitativas indicam que parte da população está associando o programa a um desincentivo ao trabalho e a uma percepção de injustiça social.

Para Garman, o cenário atual é bem diferente do verificado quatro anos atrás, quando aumentos em benefícios sociais geravam ganhos políticos mais claros.

“O benefício eleitoral de dar um aumento para o Bolsa Família hoje é bem menor do que era quatro anos atrás”, afirmou.

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Reação da classe C ao programa

Segundo o diretor-executivo do Eurasia Group, famílias que recebem o Bolsa Família — atualmente no valor de R$ 600 — podem, em alguns casos, somar rendimentos que chegam a R$ 800 com o Pé-de-Meia e ainda complementar a renda com bicos, alcançando cerca de R$ 2.000 mensais. Esse cenário, segundo Garman, gera incômodo entre trabalhadores que recebem entre R$ 3.000 e R$ 3.500 por mês.

“O que nós estamos vendo em algumas pesquisas é que a classe C está associando o Bolsa Família a desincentivo ao trabalho de um lado e injustiça, no sentido de que algumas famílias não merecem receber esse benefício”, disse.

Risco eleitoral do reajuste

Garman avaliou que o governo corre o risco de ampliar transferências para um segmento que já apoia majoritariamente o campo político atual, sem necessariamente conquistar novos eleitores. Segundo ele, entre os beneficiários do programa — que representam cerca de 24% da população —, o apoio já é de aproximadamente 60%, contra pouco mais de 20% para Flávio Bolsonaro.

“Você não tem muito ganho perante esse segmento”, pontuou.

Por outro lado, o analista alertou que o aumento pode provocar reação negativa justamente na classe média, segmento considerado estratégico eleitoralmente. “Você coloca o risco de gerar uma reação contrária no segmento da classe média que está precisando de apoio”, afirmou Garman.

Na sua avaliação, o único efeito positivo claro do anúncio seria o deslocamento do debate público para o tema do programa social, afastando a agenda do Supremo Tribunal Federal.

Ao concluir, Garman reconheceu a incerteza sobre o impacto final da medida: “Na aritmética de curto prazo, também não está claro qual vai ser o resultado final dessa jogada.”

Para ele, o Palácio do Planalto pode ter subestimado os riscos políticos da iniciativa, ao apostar em ganhos entre beneficiários enquanto arrisca perder apoio entre eleitores da classe C.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
FONTE/CRÉDITOS: afonsobenites
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