O Brasil caiu sete posições no Ranking Mundial de Competitividade 2026 e passou a ocupar a 65ª colocação, o pior resultado dos últimos anos.
O desempenho acompanha a perda de produtividade da economia: no primeiro trimestre, a produtividade medida pelas horas efetivamente trabalhadas recuou 0,5% na comparação anual, segundo a FGV.
Em entrevista ao CNN Money, o colunista Gilvan Bueno afirmou que o crescimento do PIB brasileiro não tem sido sustentado por ganhos de produtividade.
Segundo Bueno, a expansão da economia depende, em grande parte, das commodities e de estímulos pontuais, como programas de transferência de renda, liberação do FGTS e incentivos fiscais.
“O Brasil tem um PIB que cresce, mas não por uma força produtiva”, afirmou.
Leia Mais
-
FecomercioSP: Índice de estoques varejista atinge maior nível desde 2025
-
Bancos privados cobram novas garantias para participar de salvamento do BRB
-
Durigan defende que "imposto do pecado" entre em vigor em 2027
Na avaliação de Gilvan, a estrutura da economia brasileira ajuda a explicar esse cenário. Atualmente, cerca de 70% do PIB é composto pelo setor de serviços, entre 20% e 25% pela agropecuária e apenas 5% pela indústria. Além disso, boa parte dos empregos está concentrada em atividades de menor remuneração.
Dados do IBGE citados pelo colunista mostram que apenas 5% dos brasileiros recebem mais de cinco salários mínimos, enquanto grande parte da população enfrenta dificuldades financeiras e elevado endividamento.
Para Gilvan Bueno, a baixa competitividade do país é resultado de problemas estruturais que envolvem educação, tributação, acesso ao crédito e ambiente de negócios.
Segundo ele, além de investir mais, o Brasil precisa melhorar a qualidade dos investimentos em educação e reduzir barreiras ao empreendedorismo, como a burocracia e a dificuldade de obtenção de recursos.
O colunista também destacou que o país possui oportunidades relevantes em áreas estratégicas, como a geração de energia renovável, especialmente a eólica no Nordeste.
Na sua avaliação, o desafio está em transformar essas vantagens competitivas em um projeto de longo prazo capaz de impulsionar a produtividade, criar novas cadeias produtivas e reter talentos no país.
Comentários: