A polícia financeira da Itália anunciou nesta quinta-feira (28) a apreensão de bens e empresas avaliados em mais de € 200 milhões (aproximadamente R$ 1,1 bi) em uma investigação sobre a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas, ligado ao falecido chefe da máfia Matteo Messina Denaro.
Messina Denaro foi preso em 2023, após passar 30 anos foragido por seu papel na guerra da Cosa Nostra siciliana contra o Estado entre as décadas de 1980 e 1990, que incluiu o assassinato do procurador-geral Giovanni Falcone.
Apelidado de “U Siccu” (o magrelo), Messina Denaro morreu de câncer poucos meses após sua prisão, deixando para os promotores a tarefa de rastrear os lucros de seu império criminoso e aqueles que o ajudaram a escapar da justiça.
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A polícia afirmou que a operação encerrou uma complexa investigação que rastreou um vasto conjunto de ativos gerados pelo reinvestimento de lucros do tráfico de drogas acumulados desde a década de 1980 em diversos países europeus e não europeus.
“Acreditamos ter identificado uma parte significativa dos investimentos feitos pela máfia, inclusive no exterior”, afirmou o procurador-chefe de Palermo, Maurizio de Lucia.
Filho de um chefe da máfia, Messina Denaro era natural da cidade de Castelvetrano, no oeste da Sicília, perto de Trapani, e liderava o clã local da Cosa Nostra.
Fortemente ligado ao poderoso chefe Salvatore “Toto” Riina, ele teve participação em atentados a bomba em Florença, Roma e Milão, que mataram dez pessoas em 1993, e acredita-se que tenha sido responsável por inúmeros assassinatos na década de 1990.
Descobertas da operação
Ao menos três pessoas foram presas na investigação, que envolveu locais como Suíça, Luxemburgo e Ilhas Cayman, mas concentrou-se em Andorra, o pequeno principado nos Pirineus, uma cordilheira na Europa.
A polícia informou ter rastreado fundos até uma mulher de Campobello di Mazara, a cidade siciliana onde Messina Denaro tinha seu último esconderijo, que havia sido casada com um homem com histórico de crimes relacionados a drogas.
“Com base nessas descobertas, os investigadores passaram a suspeitar que os fundos em Andorra estavam ligados ao tráfico de drogas”, afirmou o comunicado.
Os procuradores identificaram oito empresas ligadas à rede de lavagem de dinheiro: cinco na Espanha, duas em Gibraltar e uma nas Ilhas Cayman.
O grupo detinha uma participação “muito significativa” em um banco libanês, além de ouro e imóveis de luxo.
Giovanni Melillo, procurador nacional antimáfia da Itália, afirmou ser crucial atingir o patrimônio da organização criminosa.
“(Isso) significa dar continuidade ao processo de desmantelamento necessário para impedir o surgimento de estruturas capazes de projetar, em escala global, todo o poder intimidatório e a influência econômica da Cosa Nostra.”
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