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Ainda buscando reverter a decisão que o considerou culpado por violar as regras financeiras da Premier League, o Manchester City enfrenta a incerteza em relação às possíveis consequências esportivas. Paralelamente, uma nova discussão emergiu: como ficará a memória das grandes vitórias do clube se o veredito for mantido?
Paul Dickov, ex-atacante e uma figura marcante da história do City, acredita que há aspectos dessa trajetória que não podem ser alterados por nenhuma punição. Embora troféus e legados possam ser questionados, a emoção sentida pelos torcedores permanece inalterada.
‘As memórias não podem ser apagadas’, defende Dickov
Dickov, especialmente lembrado pelo gol que foi decisivo na final dos playoffs da terceira divisão em 1999, foi abordado pelo “Sports Mole” sobre a influência que o processo pode ter na fase mais vitoriosa do Manchester City. Sua resposta foi direta.
“Você não pode tirar as memórias.”
Ele usou a final da Champions League de 2023, realizada em Istambul, como uma referência. Estava presente no estádio com seus dois filhos quando o City derrotou a Inter, conquistando a competição europeia pela primeira vez.
“Estive em Istambul com meus filhos. Quando eles nasceram, eu jogava no City, então cresceram torcendo pelo Manchester City. A emoção daquele dia… Foi um dos melhores finais de semana da minha vida, estar com meus dois filhos e ver o City ganhar a Champions League.”
Essa vitória fez parte dos 20 troféus conquistados durante a gestão de Pep Guardiola. O legado criado pelo treinador espanhol passou a ser reavaliado após o veredito contra o City, embora isso não signifique que todas as conquistas estejam na mesma situação.
Sergio Agüero marca o gol do 3 a 2 sobre o QPR nos acréscimos, garantindo o primeiro título inglês do City em 44 anos. (Foto: IMAGO / Sportimage)
Memórias de Agüero e Aston Villa para uma geração
Dickov também recordou dois dos momentos mais icônicos da história recente da Premier League. O primeiro foi o gol de Sergio Agüero contra o Queens Park Rangers em 2012, que garantiu ao Manchester City seu primeiro título da era Premier League na última rodada.
O segundo momento ocorreu uma década depois, quando, na rodada final de 2021/22, o City, que perdia por 2 a 0 para o Aston Villa, conseguiu virar e marcar três gols, adicionando mais uma conquista ao seu currículo.
As Premier Leagues conquistadas pelo City neste período têm gerado discussões sobre as possíveis implicações históricas do processo. No entanto, para Dickov, existe uma essência nesses títulos que não pode ser recriada ou apagada.
“A emoção pura daquele dia e ver o que isso causou nas torcidas, nas famílias, entre adultos, avós e crianças… Independentemente do que ocorra, isso nunca poderá ser tirado.”
O discurso de Dickov ecoa a posição de outras personalidades ligadas ao clube. Enzo Maresca afirmou que os títulos do City não foram de forma alguma afetados pela decisão, enquanto Kyle Walker comentou que a lembrança acumulada por jogadores e torcedores não pode ser apagada.
Paul Dickov, ídolo do City. Foto: IMAGO / Pro Sports Images
Dickov expressou confiança em relação à posição dos dirigentes durante o processo de apelação. Ele acredita que o clube possui argumentos consistentes para contestar a decisão.
Contudo, o aspecto mais importante de suas declarações diz respeito àquilo que está além dos tribunais. Uma punição pode alterar registros, suscitar debates sobre títulos ou modificar a forma como uma era é percebida. No entanto, não tem a capacidade de recriar ou apagar o que um torcedor sentiu no momento em que Agüero marcou contra o QPR, na virada sobre o Aston Villa ou naquela noite em Istambul.
Para Dickov, essa parte da história do Manchester City não pertence a uma tabela ou a uma sala de julgamento. Ela pertence àqueles que a vivenciaram.
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