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Domingo, 13 de Setembro de 2026

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El Niño pode afetar oferta e cotações de soja, diz economista

Alexandre Mendonça de Barros aponta virada de ciclo no agro para 2026/27, com estoques menores e risco climático elevando preços

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
El Niño pode afetar oferta e cotações de soja, diz economista
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O produtor rural brasileiro enfrenta atualmente um cenário de crédito caro, endividamento elevado e dificuldades para financiar a próxima safra.

No entanto, esse quadro pode se transformar no ciclo 2026/2027, impulsionado por uma combinação de fatores que inclui menor expansão da oferta mundial de grãos, estoques globais mais baixos e riscos climáticos crescentes.

Alexandre Mendonça de Barros, economista e sócio da E&Y, avaliou o cenário e apontou para o que chamou de “momento de virada relevante no cenário internacional”. Segundo ele, os ciclos de preços no agro tendem a se repetir a cada três ou quatro anos, com períodos de alta seguidos de queda.

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“O Brasil tem sido o grande responsável pela expansão da oferta”, afirmou, explicando que o crescimento recente de área plantada, tecnologia e produtividade resultou na colocação de cerca de 50 milhões de toneladas de grãos no mercado mundial, o que pressionou os preços para baixo.

Riscos climáticos globais já estão em curso

Mendonça de Barros destacou que os efeitos climáticos adversos já são uma realidade em diversas regiões do mundo.

Na Europa, uma seca aguda está reduzindo as safras de trigo e milho. Nos Estados Unidos, as áreas de pecuária e de algodão também enfrentam condições de seca, com previsão de perdas, além de uma redução nas expectativas de produtividade de milho e soja. “Isso não é futurologia, já está em curso”, ressaltou o economista.

No Brasil, os modelos meteorológicos indicam risco climático relevante para a próxima safra, com possibilidade de redução nas precipitações a partir de novembro e dezembro, especialmente nas regiões Centro e Nordeste do país.

O economista traçou um paralelo com o episódio de El Niño de 2015, quando algumas regiões chegaram a perder entre 50% e 60% da safra. “A importância do Nordeste, Maranhão, Piauí, Tocantins, Bahia e o próprio Norte do Mato Grosso são regiões hoje muito mais relevantes em termos de área plantada do que eram em 2015”, ponderou.

Cenário binário para os preços da soja

Mendonça de Barros descreveu dois cenários possíveis para as cotações da soja. Se o El Niño seguir o padrão clássico de 2015, a oferta brasileira deve recuar de forma significativa, pressionando os estoques globais para níveis próximos aos de 2013, período marcado por forte aperto no mercado mundial.

“Se qualquer coisa parecida com isso aparecer, eu não tenho dúvida que o preço da soja vai subir mais, é só fazer conta”, afirmou. Por outro lado, caso o aquecimento do Atlântico compense os efeitos do Pacífico, trazendo chuvas para o Nordeste, as perdas podem ser menores e os preços atuais podem até recuar.

Diante das incertezas, o economista recomendou uma estratégia mista para os produtores: aproveitar parte dos preços já elevados, sem apostar integralmente em uma alta adicional.

“Já subiu um degrau, eu não tenho dúvida, já virou o ciclo. A intensidade dessa virada vai depender um pouco dessas probabilidades de clima que hoje você não consegue modelar com perfeição”, concluiu.

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Produtor deve ser o primeiro a se beneficiar

Questionado sobre quem seria o primeiro a se beneficiar da alta de preços, Mendonça de Barros foi categórico: “Eu não tenho dúvida que o produtor ganha, já ganhou.” Ele avaliou que a melhora nas cotações tende a alterar o humor do mercado de crédito, à medida que a rentabilidade do setor se torna mais evidente.

O economista também destacou uma provável diferença regional, com as regiões Centro-Sul colhendo bem e com preços mais altos, enquanto o impacto no Nordeste dependerá do comportamento das chuvas.

Para Mendonça de Barros, a área plantada no Brasil não deve crescer no ciclo atual nem no seguinte, dado o passivo financeiro acumulado pelo setor. Esse cenário, no entanto, contribui para sustentar um ambiente de preços mais elevados por dois ou três anos, permitindo uma nova capitalização da agricultura brasileira.

“Eu vejo um ciclo positivo diante de nós”, finalizou.

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FONTE/CRÉDITOS: afonsobenites
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