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Quarta-feira, 22 de Abril de 2026

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El Salvador julga mais de 400 supostos líderes de gangues por 47 mil crimes

Segundo a Promotoria do país, um único réu pode pegar pena de até 245 anos se for considerado culpado por todas as acusações

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
El Salvador julga mais de 400 supostos líderes de gangues por 47 mil crimes
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Um tribunal salvadorenho iniciou nesta terça-feira (21) o julgamento em massa de mais de 400 supostos líderes da gangue criminosa Mara Salvatrucha, comumente conhecida como MS-13, em um caso que envolve mais de 47 mil crimes que os promotores dizem ter sido cometidos entre 2012 e 2022.

Os promotores disseram que os 486 réus ordenaram homicídios, feminicídios, extorsão, tráfico de armas e desaparecimentos forçados, e também os acusaram de rebelião por supostamente tentarem estabelecer um estado paralelo por meio do controle territorial.

A Promotoria salvadorenha, que apresentou autópsias, análises balísticas e depoimentos de testemunhas como provas, solicitou ao juiz que impusesse a pena máxima de prisão para cada crime, o que significa que um único réu poderia enfrentar uma pena de até 245 anos de prisão se fosse considerado culpado de todas as acusações.

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As autoridades disseram que o caso incluía ordens dadas para matar 86 pessoas entre 25 e 27 de março de 2022, considerado o fim de semana mais violento do pós-guerra em El Salvador.

Membros da Mara Salvatrucha, também conhecida como gangue MS-13, durante audiência virtual • Reuters

A onda de assassinatos levou o Congresso, em grande parte pró-governo, a declarar um polêmico estado de emergência nacional. Desde então, a medida tem sido prorrogada indefinidamente todos os meses até o momento.

O estado de emergência foi duramente criticado por supostamente permitir abusos desenfreados dos direitos humanos, e as autoridades salvadorenhas foram acusadas por juristas internacionais de cometer crimes contra a humanidade, incluindo tortura, assassinato e desaparecimentos forçados sob o decreto.

O estado de emergência permitiu que as forças de segurança detivessem mais de 91.500 pessoas.

Organizações humanitárias estimam que a medida causou uma superlotação de 238% nas prisões, além da morte de 513 detentos sob custódia do Estado.

O governo do presidente Nayib Bukele diz que a medida permitiu uma redução nos homicídios para 1,3 por 100 mil pessoas registradas em 2025, contra 7,8 em 2022, de acordo com dados oficiais.

FONTE/CRÉDITOS: lucasoliveira
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