Gonçalo Ramos, com pouco mais de um mês desde a sua estreia no Milan, já começou a sentir as cobranças dos torcedores rossoneros. O atacante se transferiu para o clube italiano vindo do Paris Saint-Germain após uma transferência recorde, mas ainda não conseguiu atender às expectativas criadas.
A insatisfação dos torcedores em relação a Ramos se fundamenta nos números que o jogador apresentou. Desde sua chegada ao Milan, o atleta marcou apenas um gol em seis jogos e contribuiu com apenas uma assistência, sendo titular em todos os jogos oficiais.
Em uma entrevista ao site “MilanNews.it”, Massimo Brambati, ex-zagueiro do Milan, defendeu o atacante português, mas ressaltou que é necessário que ele altere seu estilo de jogo para se tornar mais decisivo no time dirigido por Ruben Amorim.
— Ramos é um atacante importante, mas precisa ser mais concreto e preencher mais a grande área. Acho que [Ruben] Amorim tem de trabalhar muito nesse aspecto, tem de colocá-lo em condições de marcar. Ele pode fazer de 15 a 20 gols, mas tem de mudar a sua forma de estar na área — apontou.
Brambati também comentou sobre a função do técnico durante o período de reformulação da equipe e o estilo de jogo do treinador. Para ele, Amorim ainda não convenceu com sua abordagem, mas destacou a importância de dar tempo para que o elenco se adapte às novas características.
— Ainda não estou totalmente convencido por Amorim e pela sua ideia de jogo. Ele mudou a mentalidade e está trazendo algo diferente do que [Massimiliano] Allegri tinha. É preciso lhe dar tempo — afirmou.
O que impede Gonçalo Ramos de brilhar no Milan?
O atacante Gonçalo Ramos marcou seu último gol no dia 28 de agosto, em sua segunda partida pelo Milan, contra o Venezia. Embora tenha grande participação em campo, sendo um dos jogadores com maior quilometragem em cinco jogos (57 quilômetros), o jogador não se destaca como um finalizador eficiente, segundo Hernán Crespo, em entrevista à “Gazzetta Dello Sport”.
— Ramos se dedica ao máximo em campo e está sempre a serviço da equipe. Isso não é pouca coisa. Se, depois de todo o trabalho sujo que ele faz, ele também colocasse a bola na rede, estaríamos diante de um fenômeno. O português tem um estilo de jogo muito particular; ele gosta de tabelar com os companheiros, recua e cria espaço para as infiltrações dos outros. Esses são detalhes importantes que não devem ser subestimados na hora de avaliar um jogador — destacou.
Gonçalo Ramos durante partida entre Milan e Lecce (Foto: IMAGO / Beautiful Sports International)
No jogo contra o Venezia, o jogador teve oportunidades para marcar três ou quatro gols, mas essa situação não se repetiu em outras partidas. No duelo contra o Lecce, Ramos não finalizou nenhuma vez, embora tenha realizado sete desvios de cabeça, criado duas chances e dado uma assistência, mostrando que sua atuação se concentra mais em equipe do que no papel tradicional de um centroavante.
— É verdade que se espera gols de um centroavante. Ele nasceu para isso e é pago para cumprir essa missão, mas você ainda pode ser útil à equipe sem marcar: talvez dando assistências valiosas, fazendo movimentos em perfeita sincronia com o resto do time ou desestabilizando os adversários com uma pressão constante –, destacou o ex-centroavante argentino.
Gonçalo Ramos durante partida do Milan (Foto: IMAGO / Italy Photo Press)
Um levantamento feito por um veículo de imprensa italiano revelou que apenas 9% dos toques de Ramos ocorreram dentro da área, enquanto Lautaro Martínez, da Internazionale, alcançou 20% e Donyell Malen, da Roma, 29%. Esses dados se somam ao desgaste físico do atleta, que também participou da Copa do Mundo com a seleção de Portugal, além da ausência de entrosamento com os colegas de equipe, e a dificuldade na finalização.
O retorno da Data Fifa, com a convocação de Ramos, será crucial para buscar uma solução que o faça voltar a ser o goleador que foi quando atuava pelo PSG, onde marcou um gol a cada 142 minutos nos últimos três anos.
— Posso afirmar que conheço Gonçalo Ramos. Ele é um bom jogador, um excelente centroavante, e vai marcar gols mais cedo ou mais tarde. Claro que, considerando o investimento feito em sua transferência, os torcedores esperavam um artilheiro de primeira linha, mas o português nunca foi um finalizador infalível — declarou Crespo.
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