A partida entre Irlanda e Israel, realizada neste domingo (27), foi cercada de protestos. Após a entrada em campo no Estádio Nagyerdei, na Hungria, a seleção irlandesa ficou com a cabeça baixa durante a execução do hino de Israel.
Em seguida, as duas equipes não se posicionaram para o aperto de mãos e, em meio à desaprovação de diversos setores em relação ao confronto, o clima entre os atletas era de desentendimento.
Durante os protocolos antes da partida, os capitães Dara O'Shea e Manor Solomon decidiram não trocar flâmulas e também não se cumprimentaram. Essa ação havia sido acordada previamente, conforme reportado pelo jornal "A Bola".
Os jogadores irlandeses utilizaram braçadeiras pretas, que, segundo David Courell, diretor executivo da Associação de Futebol da Irlanda (FAI), representaram “um gesto em homenagem a todas as vidas perdidas no conflito [em Gaza]”.
Conforme a “BBC”, ao entrarem em campo para o aquecimento, os atletas da Irlanda receberam vaias de um pequeno grupo de torcedores israelenses presentes.
Durante a partida, após marcar o último gol, o capitão irlandês Jack Moylan retirou a faixa preta e a beijou, realizando o mesmo gesto em seguida no escudo da seleção nacional. Este jogo, que ocorreu na segunda rodada do grupo B3 da Liga das Nações, terminou com a vitória da Irlanda por 3 a 0.
Entretanto, o confronto já havia adquirido um tom geopolítico antes mesmo de sua realização. Um ano atrás, a Federação Irlandesa de Futebol solicitou à Uefa a suspensão da Federação Israelense de Futebol em protesto contra as ações militares do país adversário, mas viu seu pedido ser negado.
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Após o sorteio que definiu os confrontos, os jogadores da Irlanda enfrentaram diferentes pressões dos torcedores para que se retirassem dos jogos contra Israel, em virtude da guerra entre Israel e Gaza, incluindo uma campanha “Pare o Jogo”, organizada pelo grupo “Irish Sport for Palestine”.
Em entrevista à RTE antes do jogo, o técnico irlandês, Heimir Hallgrimsson, comentou sobre as cobranças à sua equipe, enfatizando que os atletas apresentavam “sentimentos conflitantes” em relação ao duelo.
— Esta foi uma das semanas mais desafiadoras para mim como treinador e acredito que seja o mesmo para a maioria dos jogadores. São circunstâncias sem precedentes para nós. Quando enfrentamos essas situações, esperamos tomar mais decisões corretas do que erradas, mas sabemos que nunca acertamos em tudo. Honestamente, muitos jogadores têm sentimentos contraditórios em relação a esta partida, e é nossa responsabilidade protegê-los — afirmou.
Goleiro da Irlanda quase levou a um boicote ao jogo
A reprovabilidade ao confronto se intensificou nos últimos dias, incluindo jogadores da própria seleção irlandesa. Após o goleiro reserva manifestar sua recusa em entrar em campo pelo grupo B3 do torneio, os Boys in Green quase decidiram boicotar a partida contra os Azuis e Brancos.
Com um histórico considerável de desaprovação às ações militares israelenses em Gaza, a seleção se reuniu com seus dirigentes na sexta-feira (25) para discutir as opiniões dos jogadores sobre o confronto.
Conforme noticiado pelo jornal “Irish Independent”, Gavin Bazunu, goleiro do Stoke City emprestado ao Southampton, decidiu não participar do jogo devido à sua “preocupação” em enfrentar Israel neste momento. A posição foi comunicada à Federação Irlandesa de Futebol (FIF) no sábado (26), o que levou outros jogadores a considerarem seguir o mesmo caminho.
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— Representar meu país é tudo para mim. Tenho profundo respeito por cada um dos meus colegas de equipe, pelo treinador e pelo povo irlandês. No entanto, tomei uma decisão que não foi fácil. Sou um homem de forte fé e me esforço para ser uma pessoa de caráter e princípios, por isso, considero que seria incorreto participar dos próximos jogos contra Israel — explicou o goleiro em suas redes sociais.
No comunicado que fez em suas redes sociais, o goleiro irlandês justificou sua decisão de não jogar contra a seleção israelense e ressaltou a relevância de se posicionar em um momento crucial em que pode “defender algo maior”.
— Minha decisão é baseada exclusivamente na crença de que tirar a vida de pessoas inocentes é errado. É importante ressaltar que minha posição não é contra o povo israelense ou a comunidade judaica, mas sim contra as atrocidades na região. Existem raros momentos na vida em que se pode defender algo maior, e acredito firmemente que este é um deles — declarou.
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