A governança do setor elétrico brasileiro é hoje a principal preocupação do CEO da PSR, Luiz Augusto Barroso. Para o executivo, o país precisa organizar as funções institucionais e enfrentar problemas como os subsídios e os cortes de geração de energia.
As falas foram ditas durante o CNN Talks Energia: O Brasil diante de um novo mercado, nesta quinta-feira (24), em São Paulo, com especialistas e lideranças do setor.
“Hoje, o que mais me preocupa é a governança setorial. Precisamos primeiro organizar as funções institucionais, de forma a evitar a superposição, de forma a ter cada uma trabalhando no seu quadrado, em consonância e coordenação”, afirmou.
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Segundo Barroso, a reorganização é necessária para enfrentar os problemas que mais afetam consumidores e investidores.
Na avaliação do executivo, o setor elétrico acumulou dificuldades ao longo dos anos em razão de subsídios, problemas de governança, interferências externas e falta de sinais econômicos adequados.
Em relação aos subsídios, Barroso afirmou que será necessário rever benefícios para conter os custos do setor.
“Nos subsídios, sem a gente começar a olhar cortes na carne, a gente não consegue estancar uma sangria que é muito grande”, declarou.
Sobre os cortes de geração, o executivo avaliou que o problema não poderá ser completamente eliminado e que o Brasil precisará desenvolver mecanismos regulatórios capazes de lidar com essa realidade.
“Na questão dos cortes de geração, não existe um botão que a gente aperte e elimine. Eles vão fazer parte do setor brasileiro, como fazem em outros países. Precisamos fazer com que a regulação saiba tratá-los”, afirmou.
Barroso também defendeu que o país estabeleça uma visão estratégica para o setor elétrico diante das transformações do mercado global de energia, aproveitando as oportunidades associadas à diversidade de sua matriz energética.
“Sinto falta de uma visão de país sobre o que fazermos com essa quantidade de energia que temos, e cada uma tem sua vocação”, afirmou.
Questionado sobre o prazo de 14 meses para a abertura do mercado livre de energia a pequenos estabelecimentos comerciais e industriais, prevista para novembro de 2027, Barroso avaliou que o cronograma é apertado, mas descartou a necessidade de revisão.
Barroso ainda avaliou que a abertura do mercado livre poderá transformar a relação entre as empresas de energia e os consumidores, com a criação de pacotes que combinem o fornecimento de eletricidade com outros serviços, como água e produtos de varejo.
Segundo ele, as companhias poderão disputar clientes oferecendo descontos, cupons e programas de milhagem, além do preço da energia.
Ao comentar as experiências internacionais de abertura do mercado livre de energia, Barroso destacou a importância de garantir informações claras aos consumidores, mecanismos de comparação de preços e uma atuação efetiva em defesa da concorrência.
Segundo ele, essas medidas foram determinantes em diversos países para que a liberalização do setor se traduzisse em benefícios aos clientes finais.
Por outro lado, o executivo alertou para os riscos de instabilidade no mercado, citando experiências de quebra de comercializadoras e de arbitragem regulatória, quando empresas exploram diferenças ou brechas nas regras.
Na avaliação de Barroso, esses episódios mostram a importância de uma estrutura regulatória capaz de assegurar a concorrência e reduzir riscos para os consumidores.
O CNN Talks Energia: O Brasil diante de um novo mercado reúne especialistas e lideranças do setor para debater as principais urgências e apontar caminhos.
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