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Domingo, 20 de Setembro de 2026

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IA esbarra na infraestrutura energética da América Latina, diz Moody’s

Agência de classificação diz que expansão da inteligência artificial dependerá mais da oferta de energia, transmissão e investimentos do que da demanda

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
IA esbarra na infraestrutura energética da América Latina, diz Moody’s
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A corrida pela inteligência artificial (IA) na América Latina não será limitada pela demanda, mas pela capacidade de fornecer energia, expandir a infraestrutura elétrica e financiar novos investimentos. A avaliação é da agência de classificação de risco Moody’s Ratings, que vê Brasil e Chile em posição privilegiada para liderar esse movimento, apesar de a região ainda apresentar deficiências em inovação, mão de obra qualificada, ambiente regulatório e capacidade computacional.

Segundo o estudo, a adoção da IA deverá impulsionar uma nova onda de investimentos em data centers, linhas de transmissão e geração de energia, tornando o setor elétrico um dos principais beneficiados pela expansão da tecnologia.

“O investimento em IA dependerá mais da disponibilidade de energia, da capacidade de transmissão, da clareza regulatória e do acesso ao financiamento do que da demanda, que permanece forte”, afirma a Moody’s.

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Embora a energia renovável seja abundante, as limitações da rede, atrasos no licenciamento e os gargalos de conexão determinarão o ritmo de implantação.

O principal obstáculo passa a ser a capacidade de entregar energia firme nos locais onde esses empreendimentos serão instalados. A realidade é que projetos hoje enfrentam filas para conexão à rede, limitações da transmissão, atrasos em licenciamentos e cortes de geração em regiões com elevada produção renovável.

Brasil concentra quase metade dos data centers da região

A Moody’s estima que a América Latina possua atualmente cerca de 2.340 megawatts (MW) de capacidade instalada em data centers, com crescimento anual entre 15% e 20%. Sozinho, o Brasil responde por aproximadamente 49% dessa capacidade, seguido por México (27%) e Chile (9%), consolidando-se como o principal polo regional para infraestrutura digital.

Segundo a agência, a expansão da inteligência artificial exigirá instalações muito mais intensivas em energia do que os data centers convencionais. Na avaliação da Moody’s, a necessidade de atender essa nova demanda obrigará concessionárias de geração, transmissão e distribuição a ampliar significativamente seus investimento

As transmissoras tendem a ser algumas das maiores beneficiadas, impulsionadas pelos leilões de expansão da rede elétrica necessários para conectar novas fontes renováveis e atender ao crescimento da carga.

No Brasil, o movimento já começou. Nos últimos dois anos e meio, Aneel e Ministério de Minas e Energia licitaram mais de R$ 60 bilhões em projetos de transmissão.

IA amplia diferenças entre empresas

Embora veja oportunidades em praticamente todos os setores, a Moody’s afirma que os ganhos da inteligência artificial não serão distribuídos de forma homogênea.

Empresas maiores e mais capitalizadas deverão capturar a maior parte dos benefícios, enquanto operadores menores enfrentarão maiores dificuldades para financiar investimentos e acompanhar a evolução tecnológica.

Nos setores de consumo, telecomunicações e mídia, a IA deverá melhorar gestão de redes, cadeias de suprimentos, relacionamento com clientes e monetização de conteúdo. Ao mesmo tempo, poderá aumentar a concorrência, pressionar margens e elevar o risco de desintermediação, especialmente para empresas de mídia dependentes de publicidade digital e tráfego em plataformas de terceiros.

Bancos ganham vantagem competitiva

No sistema financeiro, a agência avalia que a inteligência artificial tende a reforçar a posição dos grandes bancos latino-americanos.

Instituições como Itaú Unibanco, Bradesco e Banco de Crédito del Perú possuem vantagem por combinar escala, dados proprietários e capacidade de investimento, fatores considerados decisivos para extrair valor da IA.

FONTE/CRÉDITOS: robsonrodrigues
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