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Oficina do Amazônia das Palavras em Humaitá estimula alunos a criar seus próprios filmes

Conduzida pelo cineasta Marcelo Ikeda, a atividade trouxe o cinema para o cotidiano dos estudantes, mostrando como o celular pode ser uma ferramenta de criação audiovisual.

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Oficina do Amazônia das Palavras em Humaitá estimula alunos a criar seus próprios filmes
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Conduzida pelo cineasta Marcelo Ikeda, a atividade trouxe o cinema para o cotidiano dos estudantes, mostrando como o celular pode ser uma ferramenta de criação audiovisual.

Fazer cinema não requer necessariamente grandes câmeras, equipamentos sofisticados ou orçamentos milionários. Um celular, um olhar atento e a vontade de contar uma história são suficientes. Essa foi uma das provocações feitas aos alunos da Escola Estadual Governador Plínio Ramos Coelho, a GM3, em Humaitá, na abertura da segunda etapa do Amazônia das Palavras – Quarta Edição, que ocorreu na última quarta-feira (4).

Na oficina intitulada “Como Utilizar o Cinema em Sala de Aula”, ministrada por Ikeda, buscou-se uma conexão entre os estudantes e a linguagem do cinema. A partir da exibição de trechos de curtas-metragens de diferentes formatos e nacionalidades, os alunos tiveram a oportunidade de conhecer novas possibilidades de criação e foram incentivados a ver o cinema além das grandiosas produções de Hollywood.

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O objetivo foi desmistificar a ideia de que a realização de filmes exige uma estrutura que esteja distante da vivência dos estudantes. Segundo Marcelo Ikeda, a produção audiovisual pode surgir da observação do cotidiano e das experiências de cada indivíduo. “Eu tentei desmistificar o cinema e trazer a ideia de um cinema possível, um cinema em que eles mesmos, com o seu celular, podem fazer filmes a partir de uma observação do movimento do mundo. A oficina propõe uma formação do olhar, para que eles percebam o cinema de outra perspectiva e também se sintam estimulados a produzir suas próprias imagens”, declarou o oficineiro.

Durante a oficina, Marcelo também compartilhou referências das origens do cinema, incluindo o trabalho dos irmãos Lumière e de Georges Méliès, para destacar os diferentes caminhos que a linguagem cinematográfica percorreu desde seus primórdios. A atividade também discutiu como o audiovisual pode atuar como um diário, registrando pequenas cenas do dia a dia e construindo narrativas a partir delas. “Assim como você pode ter um diário para escrever, pode usar o celular como um diário. Pode filmar um minuto todo dia e utilizar o cinema como uma escrita diarística, como uma relação com o cotidiano”, acrescentou.

A nova etapa da expedição também fortalece a relação com a comunidade escolar.

A chegada a Humaitá marca o início de uma nova fase da expedição, que também visitará Candeias do Jamari, Jaci-Paraná, Nova Mamoré, Guajará-Mirim e Porto Velho, em Rondônia. Em cada cidade, o projeto oferece atividades gratuitas em escolas públicas e uma programação cultural aberta à população.

Esta é a terceira vez que a GM3 recebe o Amazônia das Palavras. Para a gestora Eliana Nina, a continuidade da parceria proporciona aos alunos e à comunidade escolar um maior contato com a literatura e ajuda na formação de leitores mais críticos. “Não somente os alunos são beneficiados, mas toda a comunidade escolar, entre professores e funcionários. Esse projeto transforma o olhar dos nossos estudantes. Por meio das obras literárias, eles podem se tornar cidadãos mais críticos, capazes de valorizar o cotidiano e trazer a leitura para a realidade do mundo contemporâneo”, enfatizou.

A pedagoga Rosinete Miranda também destacou a importância das oficinas para o aprendizado em sala de aula. Ela afirmou que os conteúdos discutidos dialogam com os temas abordados no currículo escolar e ampliam as possibilidades de aprendizado. “Acredito que abre um leque enorme de conhecimento para os alunos, porque são temas e conteúdos que eles trabalham em sala de aula, nas disciplinas de literatura e língua portuguesa. Isso enriquece muito. É muito gratificante ver um projeto dessa magnitude aqui na nossa escola”, comentou.

O conhecimento gerado ultrapassa os limites da escola.

Além dos alunos e educadores, a programação também beneficia os moradores de Humaitá. A estudante Isabelle, que faz parte do Programa Ciência na Escola (PCE) e participa de um podcast desenvolvido na GM3, considera que iniciativas como o Amazônia das Palavras ampliam as oportunidades de formação e acesso à cultura na cidade onde vive. “É maravilhoso receber projetos assim. É uma ótima forma de levar conhecimento por meio de aulas práticas e didáticas, com as diversas oficinas oferecidas, e também para a comunidade local, com os espetáculos. É muito gratificante nossa cidade receber eventos que contribuam para o desenvolvimento dos jovens e também da cidade”, relatou.

A professora de língua portuguesa Giselle Carvalho ressaltou também o impacto da iniciativa além do ambiente escolar. Para ela, os alunos se tornam agentes de disseminação do conhecimento, levando às suas famílias e à comunidade as experiências adquiridas na escola. “Por meio da educação e dos alunos, alcançamos as famílias e as comunidades. Levamos leitura, literatura e cultura para muitas pessoas. O aluno é um canal para espalhar isso na comunidade, e a educação sempre vai ser essencial”, destacou.

Programação cultural aberta à comunidade.

A abertura da segunda etapa também incluiu atividades voltadas para os moradores de Humaitá. A programação da noite incluiu a exibição do documentário Amazônia das Palavras – Terceira Edição, uma homenagem à escritora Maria Firmina dos Reis, doação de livros à biblioteca escolar e a entrega do certificado Escola Amiga da Leitura.

O público também poderá assistir ao espetáculo circense Palhaço Soul, apresentado por Lincoln Rolim, conhecido como Palhaço Carlão. A apresentação combina humor, malabares, monociclo, poesia e interação com os espectadores.

Outra atividade que ocorreu na escola foi o plantio de uma muda de pau-brasil (Paubrasilia echinata), uma ação simbólica que relaciona a valorização da cultura brasileira à preservação ambiental.

Após Humaitá, a expedição seguirá para outras cinco localidades, levando oficinas literárias e atividades culturais gratuitas a estudantes, educadores e comunidades de Rondônia.

Todas as atividades do Amazônia das Palavras – Quarta Edição são gratuitas.

O Amazônia das Palavras – Quarta Edição é realizado com recursos da Lei Rouanet, a Lei Federal de Incentivo à Cultura; com apoio da Cigás; promoção da Fundação Rede Amazônica; realização da Associação Mapinguari, Ministério da Cultura e Governo do Brasil.

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