A indefinição em torno das chances eleitorais de Flávio Bolsonaro (PL) tem afastado partidos da possibilidade de ceder um vice para sua candidatura ao Planalto. A avaliação é de Rafael Favetti, sócio da Fatto Inteligência Política, em entrevista ao WW desta segunda-feira (3).
Segundo Favetti, o comportamento das legendas é diretamente influenciado pelas pesquisas eleitorais. “Se o Flávio estivesse pontuando 80%, ia ter partido brigando, querendo entrar e não querendo se desviar”, afirmou o especialista.
Segundo Favetti, essa ausência de números expressivos, porém, faz com que o cenário se torne pouco atrativo para potenciais aliados.
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O especialista destacou também que a natureza do sistema partidário brasileiro agrava ainda mais a situação. Como os partidos no Brasil são obrigatoriamente nacionais, uma aliança com Flávio Bolsonaro poderia gerar conflitos internos regionais em legendas que abrigam tanto parlamentares alinhados ao governo Lula quanto ao campo bolsonarista.
Favetti citou o exemplo do Republicanos, de Silvio Costa Filho, de Pernambuco, que é alinhado ao governo Lula. “Como é que o Republicanos vai aceitar uma aliança com Flávio Bolsonaro colocando vice?”, questionou.
O PP e o União Brasil foram apontados como outros exemplos de partidos que enfrentam esse dilema interno. “O PP-União tem gente tanto lulista quanto bolsonarista. Como é que você vai chegar para um partido desse e vai dizer: ‘Vamos escolher entre Lula e Bolsonaro?'”, disse Favetti.
O especialista também manifestou desconfiança de que o PSD teria optado por lançar candidato próprio justamente para evitar ter que escolher entre Flávio Bolsonaro e Lula.
Peso do histórico político
Favetti ressaltou ainda que partidos com maior peso parlamentar tendem a priorizar, no primeiro turno, as eleições proporcionais, especialmente para deputado federal, em detrimento da composição de uma chapa majoritária.
Além disso, o especialista apontou que Flávio carrega consigo um temor herdado de seu pai em relação à escolha do vice.
“Flávio é meio coadjuvante da sua própria campanha e ele carrega aquele medo do pai, que é o vice ser muito articulado, porque a história brasileira tem dois impeachments num período relativamente recente da República”, concluiu.
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