A Justiça de São Paulo inicia, nesta segunda-feira (25), a primeira audiência de instrução para julgar se as irmãs Ana Paula Veloso Fernandes e Roberta Cristina Veloso Fernandes irão a júri popular pela morte de quatro pessoas por envenenamento entre janeiro e maio de 2025.
Além delas, Michelle Paiva da Silva, suspeita de pagar as irmãs para matar o próprio pai, também será ouvida. Segundo o TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo), o julgamento começa às 13h20, no fórum de Guarulhos, e tem previsão de duração de cinco dias.
Serão ouvidas 19 testemunhas, além das rés que serão interrogadas. O caso corre sob segredo de justiça e, por isso, não foram divulgadas mais informações.
Nesta etapa do processo, a Justiça colhe os depoimentos das partes envolvidas, advogados constituídos e testemunhas arroladas e, posteriormente, decidirá se as rés serão ou não submetidas a julgamento pelo júri popular.
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Mortes por envenenamento
A Justiça de São Paulo classificou Ana Paula Veloso Fernandes como uma “verdadeira serial killer”, após a mulher ser denunciada por múltiplos homicídios qualificados.
A suspeita, presa por envolvimento na morte de Neil Corrêa da Silva, é acusada de matar quatro pessoas por envenenamento entre janeiro e maio de 2025 em Guarulhos (SP), São Paulo e Duque de Caxias (RJ). Os crimes, cometidos por motivo torpe, foram comentidos com a utilização de veneno, dificultando a defesa das vítimas.
Em depoimento, Ana Paula confessou ter conhecimento técnico sobre o uso do produto, controlando tempo e dosagem para simular causas naturais de morte.
As quatro vítimas identificadas na investigação são Marcelo Hari Fonseca, Maria Aparecida Rodrigues, Neil Corrêa da Silva e Hayder Mhazres.
Veja qual era a relação de Ana Paula com as vítimas:
- Marcelo Hari Fonseca: Ana Paula residia nos fundos do imóvel de Marcelo. Ela confessou tê-lo assassinado após desentendimentos e supostas ameaças. Após o crime, alegou ter tido um relacionamento amoroso com ele para tentar permanecer na casa.
- Maria Aparecida Rodrigues: Tinha uma relação de cunho romântico com a investigada. Ana Paula utilizou a linha telefônica de Maria, cadastrada horas antes da morte, em uma tentativa de incriminar terceiros, incluindo um ex-amante e sua esposa.
- Hayder Mhazres: A suspeita o conheceu através de um aplicativo de relacionamento. O planejamento da morte ocorreu após Hayder rejeitar uma suposta gestação que Ana Paula simulou.
- Neil Corrêa da Silva: Foi morto mediante promessa de recompensa. A investigada executou o crime a mando da filha da vítima, Michele Paiva da Silva.
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Participação da irmã
Documentos obtidos pela CNN Brasil revelam que Ana Paula Veloso Fernandes, apontada como uma serial killer, teria, em conjunto com a irmã Roberta Cristina Veloso Fernandes, simulado uma gravidez para obter vantagem patrimonial de Hayder Mhazres.
Com a recusa de Hayder, as duas teriam planejado a morte do homem, que tinha origem tunisiana.
De acordo com a investigação, Ana Paula teria conhecido Hayder por meio de um aplicativo de namoro e iniciado posteriormente um relacionamento com ele.
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Ao iniciar contato com Hayder, Ana e Roberta difundiram a narrativa de uma suposta gestação para forçar um eventual casamento ou assistência financeira da vítima.
Ela ainda enviou fotografias fingindo estar grávida a familiares do homem e mensagens em árabe com teor ofensivo e ameaçador, em busca de vantagens.
Investigação
Foi constatado que as declarações de Ana Paula exibem diversas contradições — como tentativas de atribuir a causa da morte exclusivamente a “drogas”, de minimizar sua movimentação no prédio e de desvincular Roberta —, que não se sustentam em relação às provas obtidas pela polícia, como dados telemáticos e depoimentos.
Diante dos elementos apontados, a Policia Civil apontou que a morte de Hayder foi decorrente do crime de homícidio qualificado, com motivo torpe e emprego de veneno.
Ana Paula foi acusada de, ao todo, quatro homicídios cometidos da mesma maneira: por envenenamento. Ela está presa desde julho de 2025.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
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