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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026

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Mamografia de rastreamento revela desigualdade entre regiões do Brasil

Dados do Panorama do Câncer de Mama apontam desigualdades regionais no acesso ao diagnóstico precoce pelo sistema público de saúde; mastologista Juliana Francisco destaca gravidade do cenário

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Mamografia de rastreamento revela desigualdade entre regiões do Brasil
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Entre 2015 e 2024, a cobertura da mamografia de rastreamento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) entre mulheres de 50 a 69 anos ficou em apenas 23,7% — menos de um terço da referência de 70% utilizada como parâmetro de estudo.

Os dados são do Panorama do Câncer de Mama, levantamento baseado em informações oficiais do DataSus, e revelam uma realidade preocupante no acesso ao diagnóstico precoce no Brasil.

Em entrevista ao Live CNN, a mastologista Juliana Francisco, parceira médica em campanhas de saúde das mamas, destacou a gravidade do cenário. “O câncer de mama é um problema de saúde pública mundial”, afirmou.

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Segundo a especialista, dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer) projetam aproximadamente 78.610 novos casos de câncer de mama em mulheres para o triênio 2026-2028, sendo a principal causa de morte por câncer nessa população.

Diagnóstico precoce e a importância da mamografia

Juliana Francisco ressaltou que o diagnóstico precoce é a principal chave para aumentar as chances de cura. “Quanto antes a gente descobre o câncer de mama, chegamos a taxas de cura de até 95%”, explicou.

A mastologista lembrou que, quando a cobertura mamográfica atinge 70% do público-alvo, é possível reduzir em 30% a mortalidade por câncer de mama — meta que o Brasil ainda está muito longe de alcançar.

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Em dezembro do ano passado, houve uma mudança importante na recomendação do SUS: a idade para início do rastreamento foi reduzida de 50 para 40 anos. A decisão se baseia em dados nacionais que mostram que 32% dos casos de câncer de mama em mulheres ocorrem na faixa etária entre 40 e 50 anos.

“A nossa população é um pouco diferente dos modelos estudados no exterior”, observou Juliana Francisco, justificando a mudança. A recomendação atual é que toda mulher sem sintomas e sem histórico familiar realize a mamografia uma vez ao ano a partir dos 40 anos.

Desigualdades regionais alarmantes

Os dados do Panorama do Câncer de Mama expõem profundas desigualdades regionais na cobertura do exame. Roraima apresenta o índice mais baixo, com apenas 3,5% de cobertura, seguido por Tocantins, com 6,1%, e Rondônia, com 10,5%.

Estados como Piauí (34%), Bahia (31,5%) e São Paulo (29,8%) apresentam índices maiores, mas ainda muito abaixo da meta de 70%.

“A gente não consegue mostrar exatamente uma causa isolada única”, ponderou Juliana Francisco, defendendo a necessidade de uma política integral de cuidado ao câncer, com linhas de cuidado, protocolos e busca ativa pelas pacientes.

Desinformação agrava o cenário

Além das barreiras de acesso, a desinformação representa outro obstáculo grave. Segundo o índice de conscientização do câncer de mama — iniciativa do Instituto Natura, Avon e outros parceiros —, 86% das mulheres não sabem que podem realizar a mamografia em qualquer idade se apresentarem algum sintoma ou indicação médica.

Além disso, 95% desconhecem a lei dos 30 dias, que garante o diagnóstico em até 30 dias a partir da suspeita, e 98% não sabem sobre a lei dos 60 dias, que assegura o início do tratamento em até 60 dias após o diagnóstico. “Quanto mais tempo a gente demora para iniciar o tratamento, maior o risco da mulher morrer pelo câncer de mama“, alertou Juliana Francisco.

A mastologista defendeu que qualquer profissional de saúde — e não apenas ginecologistas — deve aproveitar as consultas de rotina para orientar e solicitar o exame de mamografia.

“Se ela for a uma consulta com um clínico para tratar uma pressão alta, que ele já pegue aquela oportunidade e ofereça a mamografia”, sugeriu. Para Juliana Francisco, essa abordagem integrada é essencial para mudar a realidade das mulheres brasileiras e reduzir a mortalidade pelo câncer de mama no país.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
FONTE/CRÉDITOS: afonsobenites
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